Vasco Seabra: «É justo dizer que é muito mais mérito nosso do que demérito do Sporting»

As palavras do treinador do FC Arouca depois do empate conquistado em Alvalade

Na conferência de imprensa pós-jogo do Sporting CP 2-2 FC Arouca, o treinador do FC Arouca, Vasco Seabra, efetuou uma análise à partida e abordou a pressão feita em campo ao adversário e as diferenças nesse registo.

Estas foram as palavras do técnico:

  • Análise à partida

«Creio que a desvantagem ao intervalo era ingrata, porque o Sporting foi melhor que nós na 1ª parte, mas não para uma diferença de 2 golos. Nós tivemos sempre personalidade no jogo».

«Faltou-nos, eventualmente, nos primeiros 20 minutos, mais agressividade, tanto que, principalmente no 2º golo, estamos completamente encaixados em pressão e permitimos que o Sporting saísse desse momento. É um aspeto que nós já temos vindo a melhorar muito, mas que neste jogo, nos primeiros 20 minutos, sentimos alguma dificuldade.»

«A partir daí, penso que nós crescemos no jogo, tivemos sempre personalidade com bola, tivemos capacidade para, depois, nos últimos 20 minutos (da 1ª parte), começar a roubar mais bolas em meio-campo ofensivo, o que nos deu, também, a possibilidade de termos oportunidade de golo para podermos diminuir a diferença».

«Na 2ª parte, fomos muito mais agressivos logo na entrada. Creio que a troca do Rukavina pelo Mateo nos trouxe, também, mais agressividade e mais capacidade para os nossos médios se exporem mais à frente para poderem fechar o nº 6 do Sporting.»

«E a nossa equipa demonstrou mais capacidade para pressionar, para roubar bolas, tanto que a expulsão advém, também, de uma recuperação de bola em que o Debast fica fragilizado e, depois, acaba por ser a expulsão».

«E, a partir daí, penso que há total mérito nosso, onde nós carregamos muito em cima do Sporting. Creio que, também, é justo dizer que é muito mais mérito nosso do que de mérito do Sporting. E espero, também, que vocês consigam valorizar aquilo que foi a postura dos nossos jogadores, porque não é qualquer equipa que consegue produzir o nível de jogo que nós produzimos e empurrar o Sporting mesmo para trás. Inclusive, na primeira parte, tivemos, por exemplo, mais remates que o Sporting. Portanto, creio que foi um jogo bastante completo, com exceção dos primeiros 20 minutos, onde nos falta um bocadinho de agressividade».

  • A diferença na pressão para o FC Arouca roubar mais bolas e, em vantagem numérica, como manteve a equipa organizada.

«O primeiro momento tem a ver, também, com a nossa preparação do jogo. Esperávamos um Sporting diferente, não vou escondê-lo. Esperávamos o Fresneda a construir mais baixo, junto com os dois centrais, com o Maxi mais projetado».

«Isso iria fazer com que a nossa pressão batesse direta com o Nais (Djouahra), o Mateo (Flores) e o Barbero e que o Trezza acompanhasse mais a projeção do Maxi. Logo quando percebemos o 11 com a entrada do Irankunda, imaginamos que poderia, eventualmente, o Rui Borges querer fazer um 4x3x3. Não quis estar logo desse momento, porque era uma antecipação estar a dizer isso aos jogadores».

«A verdade é que nós demorámos ali 5/10 minutos até entendermos que o Sporting estava, efetivamente, num 4x3x3, que nos obrigava a ter o Trezza a mais alto para poder pressionar o Maxi mais forte. E para que os nossos médios tivessem que se expor, tinham que sair dos dois interiores, sendo do Zalazar ou do Doumbia. Tanto o Fukui como o Espen van Ee tinham que largar para podermos trancar mais a pressão à frente»

«Demorou um bocadinho até conseguirmos passar essa informação para os jogadores, e quando conseguimos passar e eles conseguiram entender, creio que a nossa pressão começou a ser mais efetiva».

«Ao intervalo, naturalmente, a conseguir mostrar as imagens ficou ainda mais concreto, que por vezes íamos ficar mano a mano atrás, com o nosso central a ter que sair da linha para bater no interior contrário, mas era um risco que tínhamos que correr».

«Depois, em relação àquilo que era a construção para a segunda parte, aquilo que procuramos foi, com a entrada do Rukavina, passar o Nais (Djouahra) mais para as zonas interiores de nº 10 e conseguirmos projetar ainda mais o Lebedenko, criar uma rede maior».

«Quando foi a expulsão, tentamos ainda mais criar um 3 mais 1, eventualmente 2 mais 1 em muitos momentos com projeção dos dois laterais, principalmente os 2 mais por dentro, porque queríamos ter pés contrários à largura. Por isso é que também demos a entrada do Brian (Mansilla), para conseguirmos forçar naturalmente a projeção da equipa e estarmos preparados para a reação à perda».

Simão Duarte

Foto: A’Bola

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Discurso Direto
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