Vasco Seabra: «O FC Porto foi sempre muito pressionante, também demonstra o respeito que teve pela nossa equipa»

As palavras do treinador do FC Arouca depois do desaire frente ao FC Porto

Na conferência de imprensa pós-jogo do FC Porto 2-0 FC Arouca, o treinador do FC Arouca, Vasco Seabra, efetuou uma análise à partida, detalhou as substituições de Barbero e Lee e as diferentes opções na 1ª fase de construção de jogo e concluiu com uma nova análise global à partida.

Estas foram as palavras do técnico:

  • Análise ao jogo e quais foram os pequenos detalhes decisivos nesta partida

«Foi um jogo difícil, mérito também do FC Porto. Creio que o FC Porto foi sempre muito pressionante. Isso também demonstra o respeito que teve pela nossa equipa, sabe que nós somos uma equipa que atrai bastante para conseguir sair. E o FC Porto fez uma pressão idêntica àquilo que é o seu habitual. De qualquer das formas, foi mesmo mais acima ainda no homem a homem.»

«Criou-nos dificuldade mesmo para que nós conseguíssemos aumentar ligeiramente nas nossas decisões e o tempo e o espaço para conseguirmos provocar mais fragilidade na pressão do FC Porto. Fez igual àquilo que fez no último jogo, mas contrário àquilo que tem sido o habitual do FC Porto. A pressão rodou à esquerda em vez de rodar à direita.»

«Nós acreditávamos mais que a pressão iria voltar a rodar mais à direita, eles dobraram mais à esquerda. Tentámos ajustar a seguir, tentarmos criar alguma dificuldade nas costas do Pepê para conseguirmos progredir com bola a seguir e criar dificuldades ao Zaidu, para poder controlar esse mesmo espaço. Ficou difícil de conseguirmos ainda assim, porque a pressão do FC Porto era de facto muito forte.»

«E depois, sem bola, não conseguimos ser tão audazes quanto queríamos e desejávamos, por mérito também do FC Porto, que nos criou dúvidas bastante grandes no posicionamento dos interiores, porque alargavam mais os interiores e isso dificultava os nossos médios a conseguirem bascular um pouco mais e criava a dúvida de podermos bascular para evitar que a bola pudesse entrar pelo André (Silva) ou podermos bascular mesmo para fechar corredor. Tivemos mais dificuldades em conseguir ativar a pressão e isso também nos impediu de ficar mais vezes com bola. Portanto, foi um jogo em que nós sabíamos o que é que poderia acontecer.»

«Mas a verdade é que o FC Porto foi forte a esse momento. Eu estou muito orgulhoso e muito feliz com a atitude, a predisposição e a convicção com que a equipa veio jogar. De qualquer das formas, obviamente, triste pelo resultado. E, como dizem os meus espanhóis, com ganas de que a gente possa dar este salto de crescimento e sermos ainda mais competitivos no próximo.»

  • O porquê das substituições do Barbero e do Lee

«Teve muito a ver com aumentarmos a nossa frescura física, em termos da nossa capacidade de pressionar, e de impedir que a primeira fase do FC Porto pudesse empurrar-nos para trás.»

«A verdade é que o Barbero e o Lee fizeram um trabalho excelente, mas também sentimos que tanto o Dylan (Nandín) como o Pablo, principalmente o Pablo pela facilidade que tem de poder ter receções boas entrelinhas, tem normalmente uma capacidade muito grande de, em curto espaço de terreno, conseguir ter receções orientadas que tiram os jogadores da frente e nos fazem chegar mais à frente.»

«O Lee é um jogador mais de transporte, mais de condução, não estava a conseguir tanto essa mesma condução para quebrar as linhas, e nós quisemos tentar ir mais pelas ligações para que, no descobrir espaço entrelinhas pelo Pablo, ele nos pudesse depois fazer abrir o campo e fazer-nos chegar um pouco mais à frente».

  • As diferentes alternativas das referências do FC Arouca na 1ª fase de construção

«O tipo de jogadores e o perfil que procuramos é para que nos possam dar soluções. O Lebedenko, o Mario (Climent), que foram contratados agora, tem essa possibilidade de jogarem mais alto ou de jogarem mais baixo e a construir por dentro.»

«Temos a possibilidade de que todos os nossos médios têm muita mobilidade e têm também capacidade para jogar dentro do bloco ou fora dele. Nós também, em termos de modelo de jogo, apesar de ser uma coisa que eu gosto que a minha equipa tenha capacidade para o fazer, a verdade é que também vamos tentando buscar aquilo que são as melhores características deles para lhes dar conforto, dentro daquilo que é uma ideia global».

  • Reação no próximo jogo

«Eu tenho uma convicção plena de que nós não vamos andar em função de termos um jogo em que temos uma vitória ou um jogo em que temos uma derrota. Nós temos que jogar para ganhar, para competir.»

«Os jogos são muito difíceis na Primeira Liga. O jogo contra o campeão nacional, na sua própria casa, ainda sem um acumulado grande de jogos, torna a equipa do FC Porto fresca. Já estamos no terceiro jogo, portanto, também já está com muito mais ritmo daquilo que é o habitual do FC Porto. É uma equipa que eu senti que nos respeitou pela forma como nos quis pressionar e como nos quis impedir de conseguir chegar àquilo que é a nossa personalidade e a nossa ideia.»

«A verdade é que também senti que a nossa equipa, também pela rotação da pressão do FC Porto que eu falei há pouco, nós também demoramos um pouco a conseguir ajustar e perceber precisamente os espaços que estávamos à procura e só a espaços é que conseguimos encontrá-los. E isso também nos fez ficar menos acutilantes ofensivamente, só tivemos uma situação de cruzamento que, curiosamente, creio que é uma oportunidade de golo incrível, que o Barbero cabeceia absolutamente sozinho na primeira parte. Mas a verdade é que não queríamos o suficiente para fazer dano no FC Porto.»

«Na segunda parte, nós tentamos aumentar o nosso nível de pressão, é verdade, dissemos também ao intervalo que era desse o nosso objetivo, sermos um bocadinho mais agressivos, mais fortes, tentarmos chegar mais à frente, tentarmos sair um bocadinho dessa amarra da dúvida que o FC Porto nos criava com o posicionamento dos interiores e do ponta. Mas a verdade é que o FC Porto é capaz também. Tal como eu disse, tem que ser não só a primeira parte como a segunda, um sinal de que nós temos que, no próximo jogo, ser melhores, ser mais capazes para podermos competir durante o campeonato».

Simão Duarte

Foto: Abola/SIC

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