
Não é futebol arte nem talvez uma forma de jogar que se espere de uma equipa grande, mas a verdade é que a ideia de jogo do FC Porto tem tanto de previsível quanto de eficaz. O FC Arouca resistiu enquanto pôde, mas o FC Porto, na estratégia habitual de pressionar intensamente até marcar e depois baixar no terreno à espera que o adversário venha, continua a resultar, traduzindo-se em nova vitória azul e branca (2-0). Vasco Seabra manteve o mesmo onze titular que goleou o Moreirense (4-0).
Já era esperado um domínio asfixiante do FC Porto nesta partida, pelo que, sem surpresa, poderíamos esperar que a 1ª parte poderia ser uma segunda versão do que se registou em Guimarães, frente ao Vitória SC. E foi precisamente isso que se verificou, com a nuance de que o poderio adversário era manifestamente maior.
Desde bem cedo, os arouquenses tiveram de se apresentar num 4x4x2, com os extremos arouquenses a também irem para o meio, de forma a poderem acompanhar de perto os laterais do FC Porto. Lebedenko foi dos que mais trabalho teve e esteve sempre preocupado em fechar dentro, dado que William Gomes parte sempre da faixa (fora) para o meio (dentro).
Os azuis e brancos apostavam na já característica fortíssima e intensa pressão quando o FC Arouca saia a jogar na 1ª fase de construção. Depois, baixavam, quando os arouquenses chegam ao meio-campo e os dragões ficavam na expetativa, para recuperar a posse e partir em ataque rápido.
O poderio dos da casa era grande, a ponto do FC Arouca só conseguir fazer um único remate em toda a 1ª parte: um cabeceamento de Barbero, ao minuto 43, que Diogo Costa encaixou com segurança.
Tudo o resto, foram as poucas boas chances que o FC Porto teve, todas elas travadas com muita destreza por Arruabarrena. Gabri Veiga obrigou-o a esticar-se todo e William Gomes levou-o a defender com a perna. Duas grandes defesas do nível a que Arruabarrena habituou os arouquenses.
Os arouquenses podiam sentir-se extremamente satisfeitos ao intervalo, dado que, mesmo não tendo conseguido ir para o ataque como desejavam, ainda não tinham sofrido qualquer golo e, à exceção do lance de William Gomes (que nasce de um erro de Fontán), estavam a conseguir neutralizar o raio de ação do ataque azul e branco.
Os azuis e brancos já estavam em alta rotação na 1ª parte, mas aumentaram ainda mais a velocidade no 2º tempo. O FCA foi resistindo dentro das suas possibilidades, mas a rotação adversária começou a traduzir-se em cada vez mais perigo. Aos 55’, Pepê cabeceou com estrondo à barra. Aos 59’, Kiwior acabou mesmo por marcar, com um potente remate, mas, após análise do VAR, foi detetado um evidente fora de jogo de André Silva num dos momentos da jogada.
Mas, aos 66’, num lance em que os arouquenses procuraram bater de frente com o FC Porto e partir para o ataque, acabaram por abrir espaços que os azuis e brancos exploraram, com Gabri Veiga a fazer o 1-0. Um duro golpe nas ambições arouquenses.
Daí em diante, e como costuma acontecer nos jogos do FC Porto, os da casa acomodaram-se e os arouquenses subiram linhas e ofereceram-lhes o “troco” da alta e intensa pressão que lhes tinham feito durante a restante partida. Não poucas vezes, a referência central da 1ª fase de construção do FC Porto causou calafrios, dada a pressão dos Lobos de Arouca.
Os últimos 20 minutos foram de domínio arouquense, com o FC Porto a ter a clara intenção de dar a bola aos arouquenses e a desejar partir em transição só quando o FCA perdesse a bola, o que aconteceu muito raramente (isto, claro está, sem contar com as ocasiões em que a bola saiu pela linha de fundo e deu pontapé de baliza para os da casa). Contra a corrente do jogo desta fase, o FC Porto fez o 2-0, num ataque rápido concluído por Borja Sainz ao minuto 86.
Apesar do resultado e das condições em que este se materializou, os arouquenses só devem ter orgulho da sua exibição, tendo tido a capacidade de se bater de igual para igual com o campeão em título e de resistir durante pouco mais de uma hora de jogo.
Tempo de compensação: 1 minuto na 1ª parte, 5 na 2ª
Suplentes Porto:
J.Costa, J.Afonso (GR) N.Pérez, Prpic, F.Moura (DF) A.Varela, Inbeom, Eustáquio (MD) Tiago.A, Gul, B.Sainz, D.Cunha (AT)
Suplentes Arouca:
Vinarcik, Martim.D (GR), D.Monteiro, Popovic, Mario.C (DF) P.Santos, Mateo, Pablo (MD), Mayulu, Mansilla, Nandín, Sihoo (AT)
Ficaram de fora Puche (lesão), Rachid, Costinha (opção)
Substituições Porto:
72 – Saiu André Silva, entrou Gul
76 – Saíram G.Veiga e W.Gomes, entraram Inbeom e B.Sainz
88 – Saiu Bednarek, entrou N.Pérez
Substituições Arouca:
62 – Saíram Barbero e Lee, entraram Nandín e Pablo
72 – Saíram Trezza e van Ee, entraram Mansilla e P.Santos
88 – Saiu Esgaio, entrou Mateo
Arbitragem:
João Pinheiro, L.Maia, Hugo.M e João.P. No VAR, Manuel Mota e João.B
Disciplina Porto:
Cartão amarelo a Inbeom (83)
Disciplina Arouca:
Sem registo

Os onzes titulares de FC Porto e FC Arouca
Simão Duarte
Foto: Pedro Fontes – FCA

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