Avaliação individual aos jogadores do FC Arouca na época 25/26

Depois dos artigos que já publicamos, onde falamos de dados estatísticos e fizemos uma análise mais geral/coletiva, é tempo para agora efetuarmos uma análise individual a cada elemento que fez parte do plantel do FC Arouca durante a temporada 25/26.

Será atribuída, a cada atleta, uma nota de 0 a 10, que terá em atenção fatores como a qualidade do jogador, a prestação esperada e a prestação conseguida, o número de jogos realizados, a importância do mesmo para a equipa/resultados, entre outros fatores que estarão devidamente explicados na avaliação individual.

Guarda Redes

João Valido – 6

Suplente desde a sua chegada em 2022, e mesmo tendo justificado uma maior utilização na temporada 2024/25, foi nesta época que mais jogos fez pelo FC Arouca. Um total de 10 encontros a titular, onde, por um lado, efetuou boas defesas, como, por exemplo, na receção ao Rio Ave ou quando defendeu um penálti de Chuchu Ramirez na Madeira ou negando o 0-3 ao Casa Pia. Mas, ainda assim, sofreu em todos os jogos que disputou, encaixando 26 golos sofridos.

Nem sempre esteve bem dentro ou fora dos postes, ficando a sensação de que, por vezes, padecia de uma falta de confiança que, naturalmente, se poderia sentir no início da temporada. Antes de Arruabarrena chegar, já tinha perdido o lugar para Mantl, ainda que o germânico não fosse muito superior exibicionalmente.

Ignacio de Arruabarrena – 10

Mais do que as lembranças das épocas que viveu no clube, Arruabarrena trouxe a segurança que a linha defensiva mais necessitava. Quer pela via do diálogo (onde, naturalmente, existirá mais e melhor contacto, dado que ele e os centrais falam espanhol), quer pela experiência com a qual vai gerindo os tempos da reposição de bola, Arruabarrena também rubricou defesas de enorme categoria.

Na receção ao Estrela, afastou a bola em cima da linha de golo e em Famalicão, adiou o 1-0 com intervenções apertadas. Dos 16 jogos disputados, conseguiu manter a sua baliza a zeros em 5 deles.

Jakub Vinarcik – 0

Estreou-se na exigente deslocação a Braga, onde não teve qualquer trabalho, até porque, dos poucos remates que os bracarenses fizeram, só 2 foram à baliza. Um foi de defesa fácil, o outro acabou no fundo das redes. Como escrevemos a propósito desse jogo, «Teve pouco trabalho dentro dos postes, dados os pouquíssimos remates que os bracarenses fizeram durante o encontro, e nada poderia ter feito no lance do golo, dado que o remate é a queima-roupa. Fora da baliza, no capítulo do passe, não esteve muito bem, tendo falhado a grande maioria das bolas longas que tentou».

Certamente haverá margem para melhoria, dado que ainda tem apenas 20 anos de idade, mas certamente procurará ser, pelo menos, opção na Taça para a próxima época.

Nico Mantl – 4

Chegou a Arouca com algum nome e uma expetativa considerável, mas, se na época passada deixou um amargo de boca, a verdade é que não alterou o registo de um ano para o outro. Manteve-se algo hesitante na tomada de decisão, ficou marcado por sofrer alguns golos devido a erros nos gestos técnicos (como, por exemplo, sucedeu na deslocação a Tondela) e continuou a ser pouco confiável no jogo com os pés.

Começou a época no banco, recuperou a titularidade no final de 2025 (sem existirem motivos de força maior que o justificasse) e foi emprestado em janeiro, atingindo aí um registo ligeiramente maior. Pela chegada de Arruabarrena e a renovação do seu contrato, poderá equacionar-se a saída do guardião germânico.

Defesas

José Silva – 0

Jogou muito pouco e, no pouco que jogou, não se evidenciou especialmente, nem pela positiva, nem pela negativa

Tiago Esgaio – 10

O capitão viveu a sua melhor temporada pelo clube, sendo, neste momento, o principal rosto do plantel, também por ser o jogador com mais anos de casa (5 épocas). Se já vinha melhorando ano após ano, na temporada 25/26 atingiu o seu melhor futebol e é indiscutível na dinâmica de jogo arouquense.

Defensivamente, é seguro, tanto pelo chão, onde impede as tentativas adversárias no momento certo, como no jogo aéreo, onde, apesar da estatura física, tem uma capacidade de impulsão impressionante. Ofensivamente, progride bem pela direita e foi muito produtivo: 3 golos e 5 assistências.

Matías Rocha – 6

Sempre que jogou, cumpriu, nunca tendo deslumbrado nem desiludido. Ficou a sensação de que está ainda mais adaptado ao clube e à liga, sendo já uma opção mais fiável do que revelara na 1ª temporada em Arouca.

Boris Popovic – 6

Tal como o seu companheiro ainda agora descrito, também cumpriu sempre que jogou, conseguindo assinar um golo na Madeira, que desbloqueou o resultado, com um cabeceamento fulminante. Tal como já havia mostrado, manteve-se seguro, jogando de cabeça erguida, com uma boa presença em campo.

Diogo Monteiro – 5

Viveu um bom momento nos meses de fevereiro e março, quando passou da condição de não utilizado para titular em 3 jogos consecutivos, o 1º deles no Dragão, onde disputou todo o encontro a bom nível. Defensivamente, mostrou  segurança e, ofensivamente, arriscou uma ou outra incursão à frente. A amostra é curta para merecer uma melhor nota, que poderá surgir na próxima temporada para o central/lateral português se efetuar mais partidas.

Javi Sánchez – 8

Trouxe consigo toda a experiência que adquiriu no topo do futebol espanhol e, a par com Arruabarrena, foi fundamental para a solidez defensiva e, por conseguinte, do coletivo que se verificou na segunda metade da temporada. Muito bom defensivamente, tanto pelo solo como pelo ar, Javi Sánchez é também competente no capítulo do passe.

Só não obtém uma nota maior porque, por vezes, foi traído pela velocidade, sendo apanhado por vezes em contrapé. A sua “praia” é a área, quando a linha defensiva está num bloco mais baixo, e a saída de jogo, mas as transições rápidas adversárias expõe-no.

Omar Fayed – 5

Foi opção na reta final de 2025, somando aí quase todos os jogos que realizou. Não se destacou em demasia no momento defensivo, mas sim pela estampa física e também pela capacidade de ousar sair a jogar em drible, mesmo que estivesse a ser pressionado (na grande maioria das vezes, saíram-lhe bem as tentativas, mas, quando não isso não se verificava, corria perigo perto da sua própria baliza). Tudo indica que não irá ficar em Arouca e, do pouco que se viu, não se justificaria a sua permanência.

Jose Fontán – 8

Tal como na temporada passada, foi evoluindo no decorrer da época. Se, na primeira volta, registou o seu pior período pelos arouquenses (especialmente a nível disciplinar, dado que foi expulso 3 vezes, 2 delas de seguida), certo é que, de janeiro em diante, mostrou-se no seu melhor nível pelo clube. Bom no passe, esteve também muito bem defensivamente, tanto nos duelos como na ocupação de espaços, provocando com eficácia e deliberadamente muitos foras de jogo aos adversários.

Também na frente de ataque esteve muito bem, dado que registou 3 assistências (todas consecutivas) e marcou 2 golos

Bas Kuipers – 7

A posição de lateral-esquerdo era a que mais necessitava de uma melhoria no mercado de janeiro e Bas Kuipers chegou (e bem) para esse intuito, provando de imediato a sua qualidade nos primeiros jogos realizados. Manteve-se a bom nível durante toda a segunda metade da prova, conseguindo criar uma rápida e forte química com Djouahra.

Apenas não merece uma melhor nota dado que, defensivamente, por vezes deixa-se “fugir” dos lances, especialmente nas bolas paradas defensivas, nas quais, pelo menos por duas ocasiões, permitiu que o adversário tivesse todas as condições possíveis para finalizar.

Amadou Danté – 4

Não se sobressaiu muito na temporada anterior e, nesta, esteve um pouco abaixo do que havia mostrado. Conquistou o lugar perante Solà por ser mais fiável defensivamente, mas, ainda assim, não se mostrou em grande plano nem nesse momento nem ofensivamente.

Caso os arouquenses consigam garantir a permanência de Bas Kuipers, ou Danté ou Solà deverá estar de saída, dado que não se justifica a presença de 3 laterais-esquerdos.

Alex Pinto – 0

Nunca se destacou nos 9 jogos que efetuou pelos arouquenses, com a primeira metade da época a ficar marcada para o lateral português por erros crasos, que resultaram diretamente em golos sofridos. Em janeiro, rumou ao Farense da Segunda Liga, emblema que luta para não descer.

Arnau Solà – 4

Lateral moderno, muito capaz com a bola no pé, mas revelando algumas dificuldades no momento defensivo. Ainda assim, exibiu-se a melhor nível que Danté, mas regressou a Espanha por empréstimo. Caso regresse, tudo indica que será melhor alternativa a Bas Kuipers

Médios

Yellu Santiago – 0

Chegou em janeiro, mas jogou muito pouco, não se destacou e deverá regressar a Itália

Taichi Fukui – 10

Se, na 1ª época, Fukui já se evidenciou, justificando o investimento do clube na sua contratação, na temporada 25/26 foi, a meu ver, o melhor jogador do plantel. À qualidade soberba de passe e à progressão no terreno com a posse de bola, conseguiu finalmente mostrar verdadeiramente a sua qualidade no último terço do campo. Foram vários os remates potentes que desferiu à entrada da área, conseguindo marcar 4 deles, mas outros tantos estiveram muito perto de entrar.

Para além destas qualidades já evidentes, aumentou os seus argumentos no momento defensivo, revelando uma maior agressividade nos duelos, conseguindo assim travar os adversários e sair a jogar com a classe que o caracteriza. Será certamente muito cobiçado durante o mercado!

Espen van Ee – 9

Defendi no arranque da época, na minha coluna de opinião, que o meio-campo dos arouquenses necessitava de um médio de características mais defensivas. Espen van Ee, que a imprensa neerlandesa apontava como um médio precisamente com essas características, só assumiu em definitivo a titularidade a partir de dezembro e rapidamente formou uma boa dupla com Fukui, sendo o neerlandês aquele que mais e melhor se mostrou defensivamente.

Aguerrido, dando bom uso à estampa física, van Ee é igualmente capaz de se apresentar em zonas subidas do terreno, onde ensaiou um golaço em Alverca e, com tempo e espaço, lançou Trezza para o golo dos arouquenses em Tondela.

Mateo Flores – 5

Perdeu grande parte da época devido a uma grave lesão, mas foi sempre opção a partir do banco quando foi convocado. Nunca se evidenciou, nem para o bem, nem para o mal, mas fez uma quantidade modesta de jogos nas quais ajudou a equipa onde fosse preciso (seja com médio-centro, seja como médio mais encostado a uma das faixas)

Pablo Gozálbez – 8

Viu-se esta época a melhor versão de Pablo, fazendo justificar a aposta mais regular, apesar de ter de lutar contra um concorrente direto de enorme qualidade. Nas costas do ponta de lança ou encostado à faixa direita (mostrou-se melhor ao meio), Pablo fez boas fantasias e encantou os adeptos. Faltou-lhe apenas uma maior relação direta com o golo (marcou um e deu 2 a marcar), algo que o seu companheiro de posição ofereceu bastante.

Lee Hyunju – 9

Viveu a sua melhor temporada da carreira e justificou o avultado investimento. Lee demonstrou uma enorme capacidade de drible, dando a sensação de que a bola está colada aos pés. Também teve muitos golos (7), provando que consegue não só abrir espaços como também capitalizar essas aberturas. Aumentou, ao longo da temporada, a capacidade defensiva, especialmente com a agressividade nos duelos (ainda não está plenamente refinada, mas para lá caminha).

Pedro Santos – 7

Devido a uma lesão, perdeu o espaço no meio-campo que tinha no arranque da época. Desde então, e especialmente a partir de janeiro, perdeu justificadamente espaço para a dupla Fukui-van Ee. Pedro Santos manteve-se no nível alto a que habitou os arouquenses, simplesmente a concorrência foi mais forte este ano e estava um patamar acima. Mantendo-se no plantel, será sempre, a meu ver, a melhor opção para substituir, quando necessário, um dos elementos da dupla já referida.

Mamadou Loum – 0

Não fez qualquer jogo até à saída, pouco depois do arranque da época.

David Simão – 3

Ao contrário das épocas anteriores, o seu contributo não registava a mesma qualidade de antigamente, não conseguindo reafirmar-se como o maestro do meio-campo arouquense. Para além de ser ultrapassado em velocidade quase sempre, também não conseguiu atingir a mesma eficácia que registara no capítulo do passe e dos trabalhos defensivos. Saiu no mercado de inverno, pendurou as chuteiras e ficam, na memórias, as vivências dos 222 jogos.

Avançados

Fally Mayulu – 0

Chegou em janeiro e foi poucas vezes convocado, dado que necessitou de trabalhos de recuperação física. Fez apenas 9 minutos, não tendo tido oportunidade de se mostrar. Ainda assim, é um “reforço” para a próxima época, recaindo sobre si muita expetativa (por vir da 2ª Liga Inglesa, mas também pelos valores com que foi blindado) e, dentro de campo, já deu indícios de ser um possante avançado que dá bom uso da enorme estampa física.

Barbero – 7

Depois de uma 1ª volta sem golos, Barbero encontrou-se com estes na 2ª volta, faturando por 7 ocasiões. Justificou a titularidade não só com isso, mas também pela presença dentro das 4 linhas, pois para além de ser muito forte dentro da área, também tem bons argumentos no jogo aéreo e a jogar de costas para a baliza, segurando a bola e combinando com os companheiros.

Dylan Nandín – 5

Perdeu boa parte do gás que mostrara na segunda metade da época passada, mas ficou a sensação de que, na reta final desta temporada, começou a reencontrar-se com o mesmo, dando 2 assistências nos últimos 2 jogos. É o ponta de lança do plantel que joga melhor na procura pela profundidade, recorrendo à velocidade e, principalmente, à agressividade.

Nais Djouahra – 10

Djouahra é o extremo mais completo do FC Arouca, dado que tem golo, técnica e rapidez (com e sem bola), características às quais juntou o compromisso defensivo. Foi o único totalitário do plantel, o que também atesta a sua importância para a equipa.

Assinou grandes golos e somou momentos de beleza futebolística, tanto na sua faixa esquerda, mas principal no espaço interior-esquerdo.

Miguel Puche – 6

O canivete-suíço do plantel, dado que já jogou nas 3 posições da frente (extremo pela direita e pela esquerda e ainda a ponta de lança) e também como ala-direito, onde foi forçado a mostrar-se nas tarefas defensivas. Pela versatilidade, é um jogador muito útil no plantel, mas, quando joga, não se destaca em demasia, cumprindo sempre com o que lhe é pedido. Esta época, esteve ligeiramente melhor do que havia mostrado nas temporadas transatas.

Alfonso Trezza – 9

Trezza manteve-se no nível elevado a que nos habituou, especialmente desde a temporada 24/25. Mantém-se em evolução, sendo que esta época mostrou uma veia goleadora ainda melhor, ele que, anteriormente, tinha a fama de “vacilar” em frente da baliza. Na 1ª metade da temporada, esteve ligado a boa parte dos golos marcados e também deu um precioso contributo na melhor fase da equipa. Extremamente veloz e agressivo, mantém-se como um dos destaques da equipa.

Brian Mansilla – 5

Nesta 2ª temporada pelo clube, continua sem convencer, apesar dos bons indícios que o rodeiam. Mantém a sensação de ser muito bom no 1 para 1, sendo corajoso ao encarar o adversário, e tendo bons indicadores de velocidade, agilidade e recorte técnico. Mas, no curto tempo em que joga ao sair do banco, faltou consistência e uma maior entrega, perdendo a bola com facilidade e não conseguindo dar uma maior ajuda defensivamente. Mantém-se na retina a soberba assistência que deu ao compatriota Trezza no empate em casa frente ao Rio Ave, mas foi um momento único na época, que jamais teve réplica.

Uladzislau Marozau – 0

Não fez qualquer jogo até à saída, por empréstimo.

Romualdas Jansonas – 0

Fez dois jogos, mas foram ambos curtas amostras do que poderia ser. Em janeiro, foi emprestado, mas também não teve muitas oportunidades no Beleneneses.

Simão Duarte

Fotos: Pedro Fontes – FCA

sobre o autor
Simão Duarte
Discurso Direto
Partilhe este artigo
Comentários
Relacionados
Newsletter

Fique Sempre Informado!

Subscreva a nossa newsletter e receba notificações de novas publicações.

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.

Veja também