
A época 2025/26 confirmou o GDCP Oliveira do Douro como uma das equipas mais consistentes da I Divisão da AF Viseu, Zona Norte. O clube terminou o campeonato no 3.º lugar, somou 54 pontos em 24 jornadas e fechou a prova com 17 vitórias, três empates e quatro derrotas.
Os números ajudam a explicar a dimensão da campanha: 47 golos marcados e apenas 13 sofridos. Nenhuma equipa da competição sofreu menos golos. A solidez defensiva foi, por isso, uma das principais marcas de uma temporada em que o Oliveira do Douro se manteve sempre próximo dos lugares de topo.
Em declarações ao Discurso Directo, o clube faz uma leitura positiva da época realizada.
“Fazemos um balanço claramente positivo. Foi uma época de enorme regularidade competitiva, num campeonato muito exigente e equilibrado, onde conseguimos manter-nos sempre entre os lugares cimeiros. Terminar com a defesa menos batida da competição demonstra muito da identidade desta equipa: organização, compromisso coletivo e enorme espírito de entreajuda.”
A campanha não se explica apenas por um setor ou por momentos isolados. O Oliveira do Douro construiu o seu percurso com estabilidade, equilíbrio e uma identidade competitiva clara, difícil de desmontar pelos adversários.
“Mais do que individualidades, houve um grupo muito unido e comprometido com a ideia de jogo e com os objetivos do clube. A consistência acabou por surgir naturalmente da seriedade com que a equipa encarou cada jornada, independentemente do adversário ou da classificação.”
A melhor defesa da competição foi mais do que um dado estatístico. Foi a base sobre a qual o Oliveira do Douro sustentou a sua época.
Em 24 jornadas, a equipa sofreu apenas 13 golos e manteve a baliza a zero em 15 jogos do campeonato. Sofreu mais do que um golo em apenas três partidas, um registo que ajuda a perceber a dificuldade que os adversários sentiram para contrariar a organização da equipa.
O arranque deu logo sinais dessa identidade. O Oliveira do Douro entrou no campeonato com uma vitória por 3-0 diante dos Vouzelenses, perdeu depois pela margem mínima no terreno do Parada e respondeu com uma vitória expressiva frente ao Souselo, por 5-0.
Ao longo da prova, a equipa raramente se afastou dos lugares cimeiros. Houve triunfos importantes frente a Ceireiros, Alvite, Vilamaiorense, Boassas e Santacruzense, mas também alguns jogos fechados em que pequenos detalhes acabaram por pesar na classificação final.
O Oliveira do Douro terminou a apenas dois pontos do 2.º lugar e a cinco do 1.º. A proximidade pontual aos lugares de subida reforçou a sensação de que a equipa esteve perto de outro objetivo.
No clube, essa leitura também existe.
“Naturalmente fica sempre a sensação de que esteve perto. Quando terminamos tão próximos dos primeiros lugares, é inevitável olhar para trás e pensar que um ou outro detalhe podia ter feito diferença.”
As quatro derrotas no campeonato ajudam a perceber a margem curta em que a época se decidiu. O Oliveira do Douro perdeu no terreno do Parada, em Piães, em Tarouca e em casa diante do SC Lamego. Em três dessas derrotas, a diferença foi mínima.
Também houve empates que deixaram pontos pelo caminho, nomeadamente em jogos em que a equipa conseguiu manter a segurança defensiva, mas não encontrou eficácia suficiente para desbloquear o marcador.
“Houve partidas em que não fomos tão eficazes quanto gostaríamos, sobretudo em jogos muito fechados, e num campeonato tão competitivo todos os pontos pesam bastante no final.”
Ainda assim, a análise interna não é de frustração. O clube valoriza a personalidade demonstrada ao longo da época e a capacidade da equipa para competir até ao último jogo.
“Apesar disso, sentimos orgulho pelo percurso realizado. A equipa mostrou qualidade, personalidade e competitividade até à última jornada, incluindo frente aos adversários diretos.”
A segunda metade da época reforçou a candidatura do Oliveira do Douro a equipa de topo da série. Depois de uma primeira volta com 23 pontos, a equipa somou 31 na segunda metade do campeonato.
A reta final foi particularmente forte. A partir de março, o Oliveira do Douro entrou numa sequência de oito jogos consecutivos sem perder para o campeonato e fechou a prova com cinco vitórias seguidas.
AD Piães, Vilamaiorense, Boassas, Santacruzense e Tarouquense foram os últimos adversários derrotados. A vitória por 3-2 frente ao Tarouquense, na última jornada, teve um peso simbólico especial: foi conseguida diante de um adversário direto e confirmou que a equipa terminou a época em claro crescimento.
Esse desfecho reforçou a ideia de que o Oliveira do Douro chegou ao fim num dos seus melhores momentos competitivos, mesmo sem conseguir alcançar a subida.
Para além do campeonato, o Oliveira do Douro também deixou marca nas competições a eliminar.
Na Taça da 1.ª Divisão, venceu o ARCD Boassas por 3-0 na primeira eliminatória, antes de ser eliminado pelo SC Lamego, por 1-0, nos oitavos de final.
O percurso mais relevante surgiu na Taça Sócios de Mérito da AF Viseu. A equipa chegou às meias-finais depois de eliminar GD Parada, AC Travanca, SL Nelas e CDR Moimenta da Beira. A caminhada terminou diante do ACDR Lamelas, com uma derrota por 2-1.
Para o clube, essa campanha teve importância desportiva e simbólica.
“A Taça trouxe-nos desafios diferentes e permitiu demonstrar a competitividade deste grupo perante equipas de escalões superiores. Eliminar adversários dessas dimensões valorizou muito o trabalho da equipa e deu ainda maior visibilidade ao clube.”
A presença nas meias-finais confirmou a capacidade do Oliveira do Douro para competir fora do contexto habitual do campeonato e reforçou a confiança no projeto.
“Mais do que os resultados, sentimos que o percurso na Taça reforçou a crença interna e aproximou ainda mais a equipa, os adeptos e toda a estrutura do clube. Estar nas meias-finais é um motivo de orgulho para todos e uma prova clara do crescimento competitivo do GDCP Oliveira do Douro.”
A época 2025/26 marcou também o fim de um ciclo no comando técnico. Rui Rebelo deixou o Oliveira do Douro após quatro temporadas à frente da equipa sénior, por motivos pessoais.
A saída foi anunciada pelo clube nas redes sociais, numa publicação de agradecimento ao treinador. O GDCP Oliveira do Douro sublinhou o impacto do técnico no crescimento recente da equipa e escreveu: “Hoje não nos despedimos apenas de um treinador. Despedimo-nos de alguém que ajudou a mudar o patamar do nosso clube.”
O ciclo de Rui Rebelo ficou associado a quatro épocas de afirmação competitiva. Segundo o próprio clube, nesse período houve dois títulos de campeão de série, três apuramentos consecutivos para fases de subida e, agora, um 3.º lugar que garantiu presença na nova 1.ª Divisão Distrital, no contexto da reestruturação competitiva da AF Viseu.
O treinador tinha iniciado 2025/26 para a sua quarta época consecutiva ao leme do conjunto cinfanense. Sai depois de uma temporada em que a equipa voltou a competir na parte alta da classificação, apresentou a defesa menos batida da série e chegou às meias-finais da Taça Sócios de Mérito.
Mais do que uma saída técnica, trata-se do encerramento de uma etapa importante na história recente do Oliveira do Douro.
Apesar da saída de Rui Rebelo, o Oliveira do Douro olha para o futuro com uma ideia clara: continuar competitivo, mas sem perder estabilidade.
O clube entende que o percurso recente resulta de trabalho continuado e não de um acaso competitivo.
“Sentimos que o clube tem vindo a crescer de forma sustentada e consistente, tanto dentro como fora de campo. O facto de estarmos regularmente entre as equipas mais competitivas da divisão não é fruto do acaso, mas sim de muito trabalho, estabilidade e ambição.”
A subida é uma ambição natural para um clube que tem vindo a competir nos lugares da frente. Ainda assim, o discurso interno mantém prudência e sentido de continuidade.
“Claro que a subida é um objetivo que existe no pensamento de todos, porque qualquer clube competitivo quer evoluir e alcançar outros patamares. No entanto, queremos continuar a crescer com equilíbrio, sem perder a identidade e os valores que nos trouxeram até aqui.”
O planeamento da próxima época passa por preservar a base do grupo e reforçar o plantel de forma criteriosa. O clube valoriza a qualidade competitiva dos jogadores, mas também a ligação criada entre equipa, adeptos e estrutura.
“A prioridade passa claramente por manter a base deste grupo, porque acreditamos muito na qualidade humana e competitiva do plantel. Existe uma identidade forte e uma ligação muito positiva entre jogadores, equipa técnica e adeptos, e isso é algo importante de preservar.”
Ao mesmo tempo, o Oliveira do Douro admite estar atento a oportunidades que possam acrescentar qualidade ao plantel.
“Naturalmente, estaremos atentos ao mercado e às oportunidades que possam acrescentar qualidade ao grupo, mas sempre de forma criteriosa e dentro da realidade do clube.”
O objetivo passa por manter o patamar competitivo alcançado nos últimos anos e voltar a discutir todos os jogos com ambição.
“Queremos continuar a ser uma equipa competitiva, ambiciosa e capaz de discutir os jogos com qualquer adversário. O futuro será encarado com ambição, mas também com consciência e estabilidade.”
O Oliveira do Douro não subiu, mas a época dificilmente pode ser vista como falhada. O clube terminou no pódio da Zona Norte, somou 54 pontos, venceu 17 dos 24 jogos, sofreu apenas 13 golos e chegou às meias-finais da Taça Sócios de Mérito.
Foi uma temporada de maturidade competitiva. A equipa mostrou organização, resistência e capacidade para discutir os jogos com qualquer adversário. Ficou a sensação de que faltou pouco para chegar mais longe, mas também a confirmação de que o clube está instalado entre as forças mais consistentes da divisão.
A próxima época abrirá um novo ciclo, sem Rui Rebelo no comando técnico, mas com uma base competitiva que permite olhar para o futuro com ambição. O desafio será transformar a regularidade já demonstrada num passo ainda maior.
Pedro Gonçalves

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