
Ricardo Oliveira é nascido e criado em Arouca, freguesia de Arouca e Burgo, professor de Geografia é também bombeiro voluntário há 20 anos. O amor e a ligação à terra em que nasceu condicionaram as opções de vida e prejudicaram a carreira de professor, escolhia sempre escolas no Norte que lhe permitissem estar perto de casa e por isso aceitava horários incompletos que não lhe permitiam efectivar. Há 4 anos decidiu mudar de atitude e concorreu a nível nacional, ficou efectivo em Faro onde mora actualmente. Mesmo assim, uma vez por mês, vai a Arouca para cumprir o turno de 24 horas como socorrista nos B.V.A.
“Por regra procuro ir de avião, a viagem custa cerca de 30 a 40 €, vou para o Porto e depois vou de carro, mais recentemente tenho feito a viagem de automóvel quando não consigo comprar o bilhete, são 10 horas de viagem mas faço isso porque adoro ser bombeiro, é uma terapia para mim e quem corre por gosto não cansa, além disso é a forma que tenho de me manter ligado à minha terra”.
Com esta nova experiência como professor efectivo a vida do arouquense Ricardo Oliveira mudou, ganhou outro conforto e outra satisfação profissional, hoje em dia dá esse conselho a outros professores.
“Aqui é agradável, só temos o problema da saúde, só há um hospital, há falta de profissionais em diferentes áreas, os portugueses olham para o Algarve como um sítio longe, mas aqui podem mudar de vida, foi o que me aconteceu. Eu tenho um amor muito grande pela minha terra, tentei até projectos na área do turismo, como guia, mas a dada altura tive que me compensar financeira e profissionalmente.”
No Algarve fez também serviço como socorrista na Cruz Vermelha portuguesa “ alguns colegas meus chegaram a convidar-me para ser Voluntário nos Bombeiros de Faro, mas preferi a ligação a Arouca. Os bombeiros são a minha família, é onde me sinto confortável, os meus pais faleceram, a minha irmã foi para o Brasil, tudo isso foi muito difícil porque de um momento para o outro fiquei sem a família nuclear e acho que me agarrei a Arouca porque queria continuar a ligação à família que tinha perdido. Tenho tios e primos, continuo a ter família, no entanto quando vou a Arouca é para ir aos Bombeiros”.
A mudança para o Algarve foi realmente positiva na vida de Ricardo Oliveira, transmitiu esse sentimento a uma prima que decidiu concorrer com o marido para escolas no Algarve, conseguiram ficar colocados perto um do outro e os filhos adaptaram-se.
“Neste momento Faro também já é a minha terra, já criei relações de amizade, a minha namorada começou a fazer teletrabalho e consegue passar dias comigo, ela também é de Arouca. Aqui sinto que sou valorizado, além disso ganho suplementos financeiros pela deslocação e pelas funções, esses extras permitem-me ir a Arouca uma vez por mês. Houve alturas em que gastava o salário em portagens e gasóleo porque insistia em ir dormir a Arouca todos os dias ”. Pelo sentimento que o prendia a Arouca aceitou ser candidato a uma junta de freguesia pelo PS, perdeu mas ficou satisfeito com o candidato eleito, Vitor Arouca “ ele está a fazer um bom trabalho”.
Actualmente é adjunto da Direcção do Agrupamento de Escolas João de Deus em Faro, continua a dar aulas a uma turma “ nesta função tenho muito trabalho administrativo, tenho muito que aprender, estou com um pouco mais de stress mas é um desafio diferente. De certa forma, ter conseguido sair de Arouca acabou por ser muito importante porque me permitiu evoluir profissionalmente“.
Nos próximos quatro anos Ricardo Oliveira vai continuar em Faro e terminar as funções para as quais foi nomeado. Para trás ficam os tempos de sacrifício e tentativas de singrar na terra onde nasceu “quando estive colocado em Trancoso, ia e vinha todos os dias porque queria ficar em Arouca, mas isso prejudicava-me porque não conseguia efectivar. A dada altura optei por trabalhar na Suíça, na agricultura, estive lá três meses para juntar dinheiro, como agricultor não era dos melhores e eles dão-se ao luxo de escolher, dispensaram-me, foi aí que decidi que tinha que mudar de vida e concorri a nível nacional, fiquei em Faro em 2022, gostei, correu tudo bem e cá estou, claro que penso um dia mais tarde voltar a Arouca mas para já tenho muito que aprender e evoluir nestas funções”.
Margarida Ferreirinha

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