Os motores voltam a aquecer na Serra da Freita, que será o palco do “Freita – Mythic Rally Stage”

A Serra da Freita voltará a ser o palco dos apaixonados pelos desportos motorizados nos dias 24 e 25 de abril, quando o topo do vale arouquense acolher o “Freita – Mythic Rally Stage”. A classificativa da Freita voltará a ser percorrida, anos depois das 17 presenças no Rally de Portugal, nas edições “TAP” e “Vinho do Porto”, bem como diversas provas do Campeonato Nacional de Ralis (Volta a Portugal 1974, Rali do Centro 1975 ou Rali Solverde entre 1993 e 2000) e do Open de Ralis (Rali Targa/Serra da Freita 2011 e 2012).

De acordo com a programação, na 6ª feira, dia 24 de abril, estarão cerca de 50 viaturas históricas em exposição ao público durante a tarde no centro histórico da vila, culminando à noite numa tertúlia dedicada à história da classificativa da Freita, onde se revisitarão memórias, episódios e emoções marcantes deste troço lendário. No sábado, 25 de abril, os motores aquecem e vão acelerar pela classificativa da Freita, numa versão de cerca de 20 kms de extensão, que começará em Manhouce e terminará em Arouca, por volta das 18h00.

O semanário “Sol” apontou para a confirmação da presença de “Rui Madeira, campeão do mundo de Grupo N em 1995, de Fernando Peres, tricampeão nacional de ralis, e de Jorge Ortigão, entre outros”, bem como do “espetacular Audi Quatto S1 Evo”. O artigo destaca também o troço da Freita: “No Freita-Mythic Rally Stage vai ser utilizada a mesma estrada que deixava os pilotos à beira de um ataque de nervos em plena madrugada. Era um verdadeiro desafio à resistência física, às capacidades de condução e navegação e à mecânica dos carros. Os que conseguiam fazer os 24,2 km sem problemas chegavam ao final completamente exaustos, num estado de quase alucinação, e mal conseguiam falar. Este troço ficou na história do Mundial de ralis por ser o único que teve asfalto, neve, gelo, terra e nevoeiro ao mesmo tempo, no Rali de Portugal de 1991. A experiência foi desastrosa para muitos. Armin Schwarz (Toyota Celica GT-4) e François Delecour (Ford Sierra RS Cosworth) ocupavam os dois primeiros lugares, mas desistiram devido a despiste, aconteceu o mesmo a alguns pilotos portugueses, e a classificativa teve de ser interrompida”.

Nesse mesmo artigo do Semanário “Sol”, foi recolhido os testemunhos de Carlos Bica, tetracampeão nacional, e Rui Madeira, que venceu o Rali de Portugal em 1996.

Carlos Bica – “Chegámos ao troço perto das duas horas da manhã e estava a nevar. Não estávamos preparados para aquelas condições e montamos pneus intermédios no Lancia Delta. Quando entrámos no troço, a neve era tanta que parecia uma classificativa do Rali de Monte Carlo. Só encontrava bocados de carros pelo caminho, para-choques, plásticos… Não era possível andar naquelas condições! Fiz oito quilómetros em primeira velocidade, porque não era possível andar mais depressa”.

Rui Madeira – “Um dos maiores desafios. Tenho saudades dessa especial, onde normalmente havia gelo e nevoeiro cerrado. Era um troço de grande dificuldade. Normalmente disputado com condições atmosféricas muito adversas e de madrugada, numa altura em que o cansaço já era muito”.

O evento foi apresentado na BTL, onde a Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, sublinhou que “o Arouca Geopark é um território de emoções fortes, onde a natureza e a adrenalina convivem em perfeita harmonia. Com o ‘Freita Mythic Rally Stage’, quisemos resgatar o misticismo de uma das classificativas mais emblemáticas da história do Rally de Portugal – a lendária classificativa da Freita – que permanece viva na memória de pilotos e aficionados, especialmente dos arouquenses amantes da modalidade.”

Um projeto que se assume também como uma iniciativa de valorização territorial, cruzando a memória, o património e uma experiência turística diferenciadora: “Mais do que uma homenagem ao passado, este evento pretende afirmar-se como uma celebração da identidade de Arouca: recupera histórias, revive sons e imagens de máquinas míticas e reúne participações icónicas, respeitando os valores naturais únicos que distinguem este território com selo UNESCO”, referiu a autarca.

No entender de Margarida Belém, este evento será também “um novo e vibrante capítulo da classificativa da Freita, honrando a memória e reforçando o posicionamento da Freita como local marcante de eventos que perduram”.

O evento foi apresentado na BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa)

Simão Duarte

Fotos: ACP (Rally Histórico de 2018) e Município de Arouca

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