Depois do FC Arouca, na base do sacrifício, ter transformado um 0-2 numa vitória inédita por 3-2, Vasco Seabra, na conferência pós-jogo, abordou os desafios táticos que a sua equipa enfrentou, salientou o espírito do grupo e apontou que, apesar do momento atual ser bom, não há espaço para deslumbramentos, dada a exigência da 2ª volta do campeonato. Estas foram as questões colocadas ao técnico:
“Eu acho que foi um excelente jogo. Eu penso que, na primeira parte, o Vitória estava forte na pressão, é um facto, mas também com o benefício do vento que estava muito forte na primeira meia hora, essencialmente. Ou seja, estava difícil para nós conseguirmos construir, porque o Vitória estava com uma pressão muito forte e as vantagens que estavam a acontecer tinham que ser vantagens que nós tínhamos que criar, essencialmente, pelo nosso lado esquerdo.
A bola tinha que conseguir chegar mais depressa ao Bas Kuipers para conseguirmos que o Strata saísse da linha mais cedo, para libertarmos o espaço e criarmos superioridade numérica na última linha do Vitória.
Do lado contrário, um bocadinho a mesma coisa com aquilo que queríamos fazer, com o Esgaio a receber, e quando não conseguíamos fazer isso, quando queríamos alongar o jogo, ficava difícil para o Barbero, ficava difícil ganhar a bola. Nós, como queríamos bater bola, ficávamos mais espaçados e, na segunda bola, ficávamos mais frágeis. Portanto, foi um jogo de dificuldade para nós na primeira parte.
A nossa equipa demonstrou uma clarividência muito grande durante todo o jogo e acaba por, no lance que acabamos por ter alguma felicidade no golo do Trezza, mas as vantagens que estávamos a explorar eram precisamente essas, era atrair a pressão do Vitória muito à frente, abrir espaço nas costas para conseguirmos explorá-lo.”
“Aquilo que eu falei ao intervalo foi mostrar-lhes aquilo que eles valem realmente. A nossa equipa tem uma paixão muito grande pelo jogo, pela forma como treina, pela ambição que tem. Temos muita gente que quer ganhar na vida. Eles treinam todos os dias com uma paixão muito grande. E nós estávamos a perder em coisinhas, às vezes, de um duelozinho aqui, um duelozinho ali, o Vitória a ficar com a bola num contactozinho.
E aquilo que eu lhes disse foi que, quando nós passássemos isso para a nossa normalidade e igualássemos nisso, nós íamos ser muito melhores que o adversário. Porque em tudo aquilo que nós estávamos a fazer, nas vantagens que estávamos à procura, nós estávamos a encontrá-las. Na segunda parte, o Vitória também não pressionou tanto com os extremos, o que nos permitiu também ter uma segunda fase de construção mais elaborada, que para os nossos jogadores técnicos também acaba por trazê-los mais ao jogo.
E, essencialmente, acho que melhoramos o nível de agressividade da forma como estávamos a fazer as coisas. E acho que foi uma vitória justa contra um bom adversário, mas onde nós mostramos que estamos num processo de crescimento bom, forte. Aproveitando também, porque é importante para os meus jogadores sentirem isso, batemos dois recordes históricos.
Primeira vez que vencemos o Vitória na Primeira Liga em casa, também a primeira vez que o Arouca consegue uma reviravolta de 0-2 para 3-2 vencendo o jogo. Isso é conquistado por eles, com o suor deles e eu tenho que reconhecer isso”.
“Tivemos uma fase difícil, dura, que parecia que as coisas não queriam acontecer para o nosso lado e a equipa manteve-se sempre a trabalhar com uma forma, uma convicção e uma crença muito grande. Por vezes é mais fácil deixar cair e a equipa nunca deixou cair, pelo contrário, manteve-se sempre muito ligada às nossas informações, ao nosso compromisso com eles. E, nos últimos 8 jogos, fizemos 14 pontos. Temos duas derrotas e o resto vitórias e empates.
Isso tem que nos dar a possibilidade de perceber que, no próximo jogo, estes 14 pontos que fizemos em 8 jornadas não nos dão nada quando o jogo começar. Essa tem que ser a mentalidade da nossa equipa diariamente. No momento da fragilidade que estávamos, nunca largámos e nunca desistimos e agora porque as coisas nos estão a sair do corpo e estão-nos a correr bem, temos que manter essa capacidade, os pés bem assentos no chão, sabendo que o campeonato é muito difícil, os pontos são muito, muito caros.
A segunda volta traz sempre pontos ainda mais caros porque a dimensão dos jogos fica ainda mais competitiva. Portanto, nós sabemos que temos um longo percurso pela frente que nos dá confiança, porque trabalhar sobre vitórias é sempre melhor, mas dá-nos a humildade de percebermos que temos uma responsabilidade muito grande no próximo jogo, voltarmos a ter, no mínimo, esta atitude”.
“O facto de ser uma reviravolta, começando a perder 0-2 e conseguindo virar, emocionalmente, mexe connosco, puxa mais as energias para cima, porque nos dá uma sensação de capacidade, porque mostra-nos que somos capazes de fazê-lo porque não estamos a fazê-lo contra um adversário qualquer. Estamos a fazê-lo contra um excelente adversário, bem treinado, com capacidade, com qualidade, e fazê-lo contra um adversário com este valor, cria-nos a sensação de que nós podemos lutar, competir.
O resultado nós não controlamos, mas controlamos a nossa atitude, e com essa atitude nós conseguimos manipular, entre aspas, o resultado, porque puxamo-lo para o nosso lado. E essas são as sensações que nós temos que retirar daí.
Os resultados estão a trazer-nos para um patamar que nós sentimos que a equipa tem capacidade para ter. É verdade que há jogadores que estão em crescendo também, porque o período de adaptação deles também foi acontecendo, e o grupo recebeu-os com essa qualidade.
Independentemente disso, é valorizar, claro, o momento, mas sentindo a responsabilidade que aquilo que nós queremos é, no próximo jogo, fazer melhor do que fizemos neste”.
Simão Duarte

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