Tiago Esgaio foi o único português em campo nos 22 titulares do Rio Ave 0-3 FC Arouca: Vasco Seabra comentou o assunto, que gerou enorme discussão

No Rio Ave 0-3 FC Arouca, mais do que falar do jogo jogado, onde o FC Arouca deu sequência ao crescimento exibicional que tem registado, o jogo foi debatido durante a semana por várias pessoas, nas redes sociais, devido a este facto: em 22 atletas titulares daquele encontro, só um era português, Tiago Esgaio, lateral-direito e capitão do FC Arouca.

A generalidade das opiniões mostrou-se contra esta questão, sendo que, consensualmente, existiram pedidos de que os clubes valorizem e recorram aos jogadores portugueses, especialmente das divisões inferiores e do futebol de formação, sendo que foi também exigido que o Governo português coloque um travão nisto.

Na conferência de antevisão da receção do FC Arouca ao Vitória de Guimarães, colocamos o tema em cima da mesa, pedindo um comentário ao técnico Vasco Seabra, que, para além de ser um treinador de futebol português, conhece bem as realidades do futebol de formação e das divisões inferiores, onde iniciou o seu trajeto de treinador.

“Eu entendo todos os comentários. É verdade que também nunca exportamos tantos jogadores quanto exportamos agora. Portanto, isto é um pau de dois bicos. Ou seja, toda a gente fala com muita grandiosidade sobre tudo. Esquecemo-nos que cada vez exportamos com mais facilidade.

Temos jogadores, e eu tive a oportunidade de treinar bastantes, com 18 anos e 19 anos, que passado uma época em que estiveram connosco, por exemplo, no Estoril, foram vendidos por 15 milhões. E as pessoas dizem “Não, mas temos que apostar”. Temos, de facto, temos que apostar. Eu acho que o talento português é único, é incrível. Por isso é que também vêm buscá-los tão cedo. E os jogadores também querem ir, porque têm outro tipo de orçamentos que nós, infelizmente, não temos ainda a capacidade para ter. Acredito que esse também poderá ser o futuro português interno. Os clubes poderem ter mais dinheiro para conseguirem acompanhar aquilo que é o valor do jogador português, porque o valor do jogador português é alto.

E como o valor do jogador português é alto, naturalmente o jogador também quer ter um bom contrato e obviamente procura contratos que provavelmente conseguem pagar-se com mais facilidade no exterior do que aqui.

Eu sinto que o futebol é global, atualmente. Os treinadores vão para o estrangeiro, os jogadores vão para o estrangeiro. Há uma rotatividade de saída e entrada de jogadores muito grande. A verdade é que nós temos mais do que um jogador no plantel. Ainda agora fomos buscar um jovem português para estar no nosso plantel (José Silva) Gostamos muito dos jogadores portugueses.

A verdade é que nós temos que sentir que o futebol começou a tornar-se um jogo altamente disputado, mas que todas as partes querem ganhar mais, sejam os jogadores, treinadores, as televisões, os clubes. Tudo é um bocadinho mais global.

Eu acho que o mais importante de tudo é nós termos uma competitividade interna muito grande, sabendo daquilo que são as nossas qualidades, porque o jogador português é único. Nós temos que o defender, acho muito bem que o defensamos, mas obviamente temos também que entender que todo este processo também carece de os clubes também poderem ter mais capacidades para conseguirem também apostar mais em um jogador português, porque o jogador português também é um jogador que, como é muito bom, também naturalmente tem o seu preço”, apontou o treinador dos Lobos de Arouca.

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

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