O crescimento da capacidade de recrutamento do FC Arouca

Ano após ano, tem sido evidente o crescimento do FC Arouca, que se vai estabelecendo como uma equipa de Primeira Liga, cumprindo agora a sua 9ª época no mais alto escalão do futebol nacional. E como se não bastasse as duas qualificações europeias, para uma equipa que num passado não muito distante estava na Distrital de Aveiro, este mercado de inverno voltou a dar força a um argumento: é de que a capacidade de recrutamento do FC Arouca tem aumentado exponencialmente nos últimos anos, um crescimento sustentado de um processo que se iniciou aquando da primeira presença na Primeira.

À data treinado por Pedro Emanuel, o primeiro plantel do FCA na Primeira Liga contou, maioritariamente, com jogadores portugueses (18), grande parte deles com largos anos de Primeira Liga (Paulo Sérgio, Bruno Amaro, Nuno Coelho, David Simão, etc), mas já aí se podia vir os inícios da base de recrutamento em Espanha: Ustaritz, experiente defesa central de 31 anos, veio em janeiro, mas não se impôs. Cristian Ceballos, jovem extremo emprestado pelo Tottenham, destacou-se, mas teve pouca produção (2 golos e 2 assistências nos 24 jogos). O exemplo mais evidente foi o de Iván Balliu, lateral direito de 22 anos, que vinha da formação do Barcelona. Pegou de estaca, foi titularíssimo em 13/14 e 14/15 e saiu para o Metz de França.

Desde a época 13/14 até aos dias de hoje, é possível nomear uma série de casos de sucesso do FC Arouca no recrutamento, quer porque os jogadores se destacaram no plantel, quer porque valeram milhões em vendas:

  • 14/15: Mauro Goicoechea, guarda-redes uruguaio, foi titularíssimo nessa época, fez enormes defesas e rumou ao Toulouse de França a troco de meio milhão.
  • 15/16: Lucas Lima, lateral-esquerdo brasileiro, revelou várias qualidades nessa única época, especialmente na cobrança de bolas paradas, a ponto de ter saído na temporada seguinte, também para França (Nantes), por 1.1 milhão de euros.
  • 16/17: Em janeiro desta temporada, Jorge Intima (Jorginho) rumou ao Saint-Étienne depois de uma boa primeira volta em Arouca (12 jogos, 5 golos e 2 assistências). Deixou nos cofres arouquenses 1.3 milhões de euros.
  • 22/23: A época de destaque, já que André Silva saiu para o Vitória de Guimarães por 3,5 milhões, Leandro Silva e Bukia renderam meio milhão (100 mil do primeiro, 400 mil do segundo), João Basso regressou ao Brasil por 3 milhões (ainda por pagar, um caso que pode acompanhar nas várias notícias que publicamos aqui no nosso site) e Antony Alves rumou aos Estados Unidos da América por 3.2 milhões. No total, foram feitos 10.20 milhões de euros em vendas.
  • 23/24: Jerome Opoku, central inglês, foi para a Turquia, por empréstimo, a troco de meio milhão. Bukia deixou o FCA em definitivo por 350 mil euros e Rafael Fernandes foi a maior venda, tendo ido para o Lille, de França, por 2.5 milhões de euros.
  • 24/25: A época do jackpot, com a saída de Rafa Mujica por 10 milhões, de Opoku por 2, e de Cristo por 9. Um total de 21 milhões, o maior valor de sempre dos arouquenses.
  • 25/26: Chico Lamba rumou ao Saint-Étienne por 6 milhões e Loum foi para Espanha a troco de meio milhão, o que perfaz um total de 6.5 milhões de euros.

Sendo certo que nem todo este dinheiro vai diretamente para o FC Arouca, devido a partilhas de passes e as inúmeras exigências inerentes a uma transferência, o que é certo é que são valores chorudos e que permitem que se assistam a recrutamentos recentes que, há meia dúzia de anos, seriam praticamente impossíveis, pela dificuldade dos mesmos.

Neste momento, o FC Arouca conta com dois médios asiáticos (Fukui e Lee Hjunju), ambos vindos da Alemanha e do Bayern de Munique. A administração investiu nos mesmo, mas também soube blindá-los devidamente: Fukui tem uma cláusula de rescisão de 10 milhões de euros e Lee, a compra mais cara de sempre do FCA (1.5 milhões de euros), tem uma cláusula ligeiramente inferior (7 milhões). Veja-se ainda a chegada de Fally Mayulu, vindo do Championship de Inglaterra, e que conta com uma cláusula de 20 milhões de euros.

Esta evidência do crescimento do clube, quer pelos mercados onde agora recruta, quer pelas altas cláusulas de rescisão que aplica aos seus ativos, foi um dos assuntos levantados na conferência de imprensa de antevisão do FC Arouca x Vitória de Guimarães, seguindo-se à questão acerca de, no Rio Ave x FC Arouca, Tiago Esgaio ter sido o único português nos 22 titulares.

“Por exemplo, no ano passado, a maior venda do clube desta época acabou por ser o Chico Lamba, que é um jogador português com um talento gigante, que teve um desenvolvimento muito grande durante uma época e foi imediatamente vendido por um valor de 8 milhões de euros, ou aproximadamente isso, não sei exatamente os valores”, começou por apontar Vasco Seabra, referindo logo de seguida para a realidade dos clubes portugueses: “Os clubes portugueses trabalham bem e, como trabalham bem, preparam os jogadores para poderem jogar a um nível muito alto exteriormente e, naturalmente, as ligas exteriores querem vir buscar e recrutar a Portugal, porque apesar de já serem valores bastante elevados, não são tão elevados quanto são, por exemplo, na La Liga (Espanha), ou na Premier League (Inglaterra), ou na Ligue 1 (França), o que for. Ou seja, estamos sempre a falar daquilo que são as dimensões e a evolução dos próprios clubes.

O Arouca tem vendido muito bem, porque também os jogadores acabam por sair e têm sucesso também quando saem de cá e isso depois também acaba por ser a preparação que o jogador acaba por ter para estar pronto para competir numa liga que seja mais atrativa, mais competitiva ou com mais dinheiro, seja o que for.

De qualquer das formas, eu acho que o importante e aquilo que é valorizável é que os clubes têm vindo a crescer, procuram dimensionar-se para preparar melhor os jogadores e, como tal, o clube também se apetrecha depois de outras ferramentas para poder ter uma base de sustento cada vez maior, para poder recrutar melhor e naturalmente continuar a vender para se tornar autossustentável, porque nós queremos sempre muitos adeptos nos estádios. Eu acho que essa deveria ser uma luta ainda maior para trazer mais gente aos estádios, porque o futebol vive dos adeptos e vive do fervor dos adeptos.

Ao mesmo tempo, todos temos noção que as receitas de bilheteira que se fazem durante uma época inteira não são suficientes para um clube se autossustentar. Por isso, o clube tem que rentabilizar com os ativos, com aquilo que são as dimensões daquilo que consegue fazer para poder competir ao mais alto nível”.

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

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