Uma maior segurança defensiva e a quebra de um enguiço na frente de ataque: algumas notas sobre o AFS 0-1 FC Arouca

Na deslocação à Vila das Aves, a equipa de terras de Santa Mafalda regressou às vitórias, não sofreu golos e saiu dos últimos lugares, estando agora em 13º lugar (também graças às derrotas de Casa Pia, Nacional e Santa Clara). Vasco Seabra estreou três reforços, que deram o seu contributo diferenciador, e, na frente de ataque, quebrou-se o enguiço que perdurou durante toda a primeira volta da Liga Portugal.

Comecemos pelos reforços: na baliza, Ignacio de Arruabarrena, das poucas vezes em que foi solicitado, mostrou que se mantém igual a si próprio. Cada remate que os da casa tentaram foi travado pelo guardião uruguaio, com uma nota especial para o primeiro, o de Pedro Lima ao minuto 28: o remate levava lume e selo de golo, mas uma grande defesa de Arruabarrena negou-o. Para além disso, o jornalista da SportTv, Carlos Matos Rodrigues, que esteve atrás da baliza do guardião arouquense durante o primeiro tempo, fez o reparo de que o guardião esteve sempre muito interventivo com os seus companheiros de equipa, especialmente a linha defensiva.

Por falar na defesa, Esgaio e Matías Rocha mantiveram os seus lugares (com o segundo a manter-se em crescimento evidente), mas, do lado esquerdo, surgiu uma nova dupla. Como central pela esquerda, Javi Sánchez trouxe a experiência que a idade e os mais de 100 jogos pelo Real Valladolid lhe deram. Interveio sempre que foi solicitado defensivamente e, no capítulo do passe, registou uma grande eficácia (93%, segundo o Sofascore). Como lateral esquerdo, Bas Kuipers estreou-se como titular, ele que havia já sido usado em Tondela. Fruto da entrada violenta de Devenich, esteve todo o primeiro tempo condicionado fisicamente, mas isso não o impediu de demonstrar que tem técnica no passe (seja ele curto ou longo, como nos cruzamentos), pois teve mais trabalho no ataque do que na defesa. Pecou num mau alívio, entregando a bola a Pedro Lima no remate já referido, mas dá-se o benefício da dúvida, visto que a entrada que sofreu condicionou durante todo o tempo, a ponto de ser substituído ao intervalo por Danté.

No meio campo, Fukui regressou à titularidade (jogo 50 do médio pelo FCA), algo que não sucedia desde a deslocação à Amadora no início de dezembro. Pautou o jogo e fez circular a bola com a qualidade de sempre. Foi dos seus pés que partiu a assistência para o golo, situação que ele também tentou, ao explorar a meia distância, mas sem sucesso. Nota também para o regresso de Mateo Flores, que entrou para jogar o último quarto de hora. O jovem médio espanhol esteve parado desde setembro, devido a uma rotura do menisco externo. Voltou aos treinos na pausa para a Taça da Liga e, nos últimos minutos do jogo contra o AFS, foi cauteloso nas suas intervenções, tal como o jogo pedia.

No ataque, Barbero finalmente quebrou o enguiço: durante toda a primeira volta, nenhum dos três pontas de lança do FCA havia marcado qualquer golo, mas o espanhol terminou com isso de vez, ao fazer o 0-1 de cabeça. Foi sendo solicitado dentro da área, antes e depois do golo, mas faltou pontaria, atirando sempre ao lado.

Tudo isto são indicadores de crescimento da equipa, ainda que, naturalmente, o coletivo tenha-se “encolhido” na segunda parte, especialmente na reta final, dada a importância de triunfar, mas, ao contrário de jogos anteriores esta época, nunca se sentiu que a vitória pudesse mesmo escapar, quer pela maior segurança arouquense dentro dessa insegurança, quer pela falta de qualidade do jogar adversário.

Javi Sánchez estreou-se pelos arouquenses e trouxe segurança ao setor defensivo

Simão Duarte

Fotos: Pedro Fontes – FCA

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