PSD reage ao chumbo das transmissões online da Assembleia Municipal de Cinfães

João Cardoso diz que decisão limita o acesso dos cidadãos e fala em “resistência” do PS; PSD aponta custos “residuais” e admite mal-estar na bancada socialista

O PSD de Cinfães reagiu ao chumbo da proposta para transmitir online as sessões da Assembleia Municipal, defendendo que a medida é essencial para reforçar a transparência e aproximar a política local dos cidadãos. Em declarações ao Discurso Directo, o deputado municipal João Cardoso sustenta que a decisão restringe o acompanhamento do debate político a quem consegue deslocar-se ao Auditório Municipal, deixando de fora muitos cinfanenses.

Segundo o deputado, a ideia das transmissões não é nova: o PSD diz ter apresentado a proposta no início do mandato 2021-2025 e voltou a insistir em 2025. “Os propósitos de 2021 são os mesmos de 2025, com o agravante: já passaram quatro anos e nós não evoluímos”, afirma, defendendo que o concelho “estagnou” na componente tecnológica enquanto outros municípios avançaram.

Para João Cardoso, o objetivo é “chegar às pessoas”: quem trabalha e não consegue acompanhar sessões em dias úteis, pessoas com dificuldades de mobilidade, jovens – “para captarmos jovens para a política” – e também a diáspora. Na sua leitura, a transmissão online seria uma forma de aproximar eleitos e cidadãos e de permitir que “todos os cinfanenses possam ouvir”.

“Chumbo só porque sim” e discordâncias no PS

Questionado por este jornal se o chumbo poderia estar mais ligado a custos – e, nesse caso, quanto custaria na prática – ou a uma postura do PS face à oposição, João Cardoso admite que pode haver “das duas coisas”: uma recusa “só porque sim” por se tratar de uma proposta do PSD e, ao mesmo tempo, algum “desconhecimento” sobre o processo. Sobre a componente financeira, minimiza e aponta para valores “muito baixos”, indicando que a transmissão teria um custo na ordem dos 4 a 5 mil euros por ano.

O deputado diz ainda ter ficado com a ideia de que houve “algum certo mal-estar” na bancada socialista, sugerindo que a decisão “não foi unânime” dentro do PS e que alguns presidentes de junta queriam que as transmissões avançassem.

Regimento ou regulamento?

Segundo João Cardoso, o PS justificou o chumbo com o argumento de que as transmissões online deveriam constar do Regimento da Assembleia Municipal, já aprovado. O PSD discorda: entende que o princípio podia ser aprovado e, a partir daí, construído um regulamento próprio para enquadrar regras, funcionamento, custos e procedimentos.

O deputado insiste que não vê “qualquer tipo de inconveniente” para nenhum dos lados e vai mais longe: considera que a transmissão até seria útil para quem governa. “Seria bom para a oposição… mas também seria muito mais útil para quem está na liderança e quem está no Executivo”, afirma, argumentando que o presidente da Câmara teria mais uma via para explicar opções e responder às questões da oposição perante o público.

Canal do Município: “tudo o que chega às pessoas”

Na mesma sessão foi levantada a hipótese de criação de um canal do Município para transmitir reuniões de Câmara e de Assembleia. João Cardoso diz que o PSD é coerente e apoia tudo o que faça a informação chegar aos cidadãos, mas admite que um canal institucional tende a favorecer mais quem está no Executivo, por ter mais oportunidades para comunicar ao longo do ano. Ainda assim, defende que qualquer solução deve garantir regras e equilíbrio, incluindo condições para que a oposição tenha espaço de intervenção.

Em comunicado enviado ao Discurso Directo, o Grupo Parlamentar do PSD refere que a proposta foi reprovada com votos contra do PS, “repetindo” a posição de há quatro anos, e confirma ainda a abstenção na votação do Orçamento Municipal para 2026. No mesmo texto, a bancada social-democrata dá nota de uma recomendação à Câmara para facilitar análises à qualidade da água, através de protocolos, na sequência de notícias sobre consumo sem controlo público regular.

No final, João Cardoso insiste que a discussão sobre transmissões online não deve ser “bandeira” apenas da oposição, sublinhando que o objetivo é aproximar a política local das pessoas e acelerar o acesso à informação.

Pedro Gonçalves

sobre o autor
Pedro Gonçalves
Discurso Direto
Partilhe este artigo
Comentários
Relacionados
Newsletter

Fique Sempre Informado!

Subscreva a nossa newsletter e receba notificações de novas publicações.

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.

Veja também