Personalidades arouquenses fazem-se ouvir acerca da Variante

Paula Teles e Jorge Alexandre Ferreira apelam à conclusão. Rui Vilar, do PSD Arouca, procurou esclarecer a questão

Nesta reta final de 2025, duas figuras arouquenses juntaram-se às vozes dos inúmeros populares que, há já vários anos, pedem urgentemente pela conclusão da Variante, da qual falta um terceiro e último troço, entre a Ribeira (Tropeço) e Escariz. Ainda que a mesma tenha sido incluída no Orçamento de Estado do atual Governo, ao contrário de grande parte dos investimentos incluídos na coesão territorial, a Variante é um dos que não tem qualquer valor definido, exceto a verba prevista para o projeto, fixada nos 28 milhões de euros.

Historicamente, a Variante já tem sido uma das principais exigências dos arouquenses a qualquer agente político. E, em dezembro do corrente ano, Paula Teles e Jorge Alexandre Ferreira fizeram-se ouvir.

Paula Teles, natural de Alvarenga, é Especialista em Mobilidade Urbana e fundadora e CEO da MPT (Mobilidade e Planeamento do Território), tendo estado ligada, por exemplo, à recente empreitada em curso de um funicular da Nazaré. É igualmente cronista no Jornal de Notícias onde, a 16 de dezembro, escreveu acerca do sentimento de difícil compreensão perante o facto de “em 2025, continuamos a aceitar como normal que nem todos os centros dos municípios portugueses estejam ligados por uma infraestrutura rodoviária principal. E gastar-se dinheiro público em nome da coesão territorial e do combate às assimetrias entre o litoral e o interior”. Após exemplificar este seu ponto de vista com o caso de Beja, pegou no caso arouquense, que conhece bem, como segundo exemplo.

“O mesmo sucede com Arouca, curiosamente, a minha terra natal, onde desde criança aguardo por essa ligação. Um concelho que aposta, e bem, no turismo como alternativa à pressão excessiva sobre os grandes centros urbanos, mas que ainda não tem uma ligação, apesar de integrar a Área Metropolitana do Porto.

Paradoxalmente, várias empresas continuam a apostar nesta geografia, e Arouca tem hoje em construção um Centro Hípico de âmbito internacional, dos mais modernos do mundo, financiado integralmente por investimento privado. No entanto, faltam ainda cerca de oito quilómetros de estrada que podem comprometer todo este importante investimento na região”, apontou.

Paula Teles concluiu a sua crónica referindo que o país move-se “a várias velocidades. Uns esperam por decisões que nunca chegam; outros investem apesar de tudo, muitas vezes não por cálculo, mas por pertença. Porque é a sua terra. E, enquanto o futuro vai sendo construído por teimosia e amor ao lugar, o Estado segue devagar, como se o tempo ainda fosse infinito. Mas não é. Nem pode continuar a ser”.

Nesse mesmo dia, Jorge Alexandre Ferreira, proprietário das Quintãs, tanto a Farm Houses (Alojamento) como do Equestrian Center, voltado para o universo equestre, tendo vindo a dinamizar inúmeros eventos, especialmente concursos de saltos. A propósito do Concurso Nacional de Saltos B, que se realizou entre os dias 19 e 21 deste mês, Jorge Alexandre Ferreira lamentou a falta da execução do último troço da Variante. “Peço às autoridades responsáveis que ASSUMAM PUBLICAMENTE UM CALENDÁRIO DE EXECUÇÃO, pois eles não vão entender esta incongruência entre um grande investimento internacional e 10 Km de estrada impossível de circular com cavalos. A este investimento acrescem muitos outros a nível industrial de outros empresários que geram emprego em Arouca. As pessoas de Arouca têm URGÊNCIA nesta estrada”, escreveu no seu perfil pessoal de Facebook.

Rui Vilar apontou que o Governo já cumpriu a sua responsabilidade

Em resposta, Rui Vilar, do PSD Arouca, procurou esclarecer o tema com uma publicação no Facebook, onde começou por referir que o Governo “incluiu esta obra, com verba aberta, nos Orçamentos do Estado de 2025 e 2026”. Uma decisão em que “determina à Infraestruturas de Portugal, S. A., o estudo e concretização dos projetos rodoviários prioritários”.

Segundo o próprio, o Governo “já cumpriu a sua responsabilidade administrativa e política, encontrando-se agora o processo na alçada das Infraestruturas de Portugal, a quem compete desenvolver os estudos e as ações técnicas necessárias”, estando o processo “em curso, dentro dos prazos normais e depende do trabalho técnico da IP”. Até porque “a tutela governamental dos institutos públicos, garante orientação estratégica e legalidade, mas não interfere nas decisões técnicas, precisamente para assegurar independência e rigor na administração pública”.

Por fim, apontou também que “o PSD Arouca está, desde a primeira hora e independentemente da cor do Governo, a acompanhar este processo e a fazer chegar ao Governo e à IP as preocupações dos arouquenses”

Simão Duarte

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Discurso Direto
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