
No arranque da temporada 23/24, o ano em que os arouquenses se estrearam na Conference League, Daniel Ramos foi o primeiro timoneiro do FC Arouca, tendo sido posteriormente substituído por Daniel Sousa. Em entrevista ao zerozero, o agora treinador do Henan FC (Liga Chinesa) abordou a passagem pelos Lobos do Arouca, tendo lamentado a saída, mas deixando elogios rasgados à estrutura do clube.
“Vou ser muito sincero: foi um clube que lamento ter saído. Foi dos clubes, nos últimos anos, onde a equipa praticava melhor futebol. Nós jogávamos muito bem, só que a porra da bola não entrava. E quando é assim, é complicado porque… [tínhamos] qualidade de jogo, uma pré-época fantástica, num clube humilde. Vive quase tudo do presidente e do filho, que são figuras importantes que gerem o clube. Depois, tem um conjunto de profissionais também competentes, um clube que não tem muitos adeptos, mas são adeptos que gostam de futebol.”, começou por referir.
Dois dos seus primeiros jogos ao comando técnico do FCA foram as duas mãos da 3ª Eliminatória da Conference League. Se, no primeiro jogo, os arouquenses venceram por 2-1, mas podiam ter obtido uma vantagem mais larga, na ida à Noruega, não aguentaram o fator-casa do Brann, que deu a volta, ao vencer por 3-1 (4-3 no agregado). Jogos que Daniel Ramos recordou, a par com uma receção ao Estoril, na 1ª jornada do campeonato: “Voltando à qualidade de jogo, ela estava lá, estava patente. Arrancámos bem o campeonato, vencemos um jogo 4-3, com o jogador a menos. Virámos duas vezes o jogo e vencemos. Jogámos Conference League com uma equipa norueguesa muito boa [Brann], que devíamos ter goleado em casa e que acabámos por vencer 2-1.”
Ele que confessou, de seguida, o amargo de boca que ficou ao ver o FC Arouca ser eliminado na Conference, bem como os primeiros jogos do campeonato, nos quais os arouquenses não fizeram os pontos esperados: “Merecíamos muito mais na primeira mão. Foi um jogo para nós vencermos por mais de três golos, atendendo à qualidade de jogo, quantidade de oportunidades, volume de jogo que tivemos, e ao pouco que demos ao adversário. Eles foram eficazes e nós não o fomos nada. Num jogo fora difícil, num ambiente difícil, com 20 mil adeptos, um bocadinho à margem do campeonato chinês, um estádio à inglesa ali em cima. Estivemos próximos de perder por 3-2, o que nos dava prolongamento, tivemos chances para o fazer, tivemos possibilidade de marcar primeiro nesse jogo e acabámos eliminados. Olhando para essa eliminatória, deixou-me um amargo de boca. Fizemos por merecer mais. Temos várias expulsões nesse período, ficámos penalizados várias vezes também no arranque de campeonato e isto tudo somado retirou pontos à equipa, retirou capacidade da equipa a ser ainda mais competente pelas expulsões. Não só pelo próprio jogo da expulsão, mas o jogo a seguir, pelos jogadores que ficam de fora. Acabámos por não fazer os pontos que devíamos.”
Na sua passagem por terras de Santa Mafalda, Daniel Ramos teve o privilégio de trabalhar com o trio-maravilha de espanhóis, no ataque formado por Jason, pela direita, Mujica, ao centro, e Cristo, pela esquerda ou nas costas do ponta de lança. Estes recrutamentos também foram tema de conversa, inicialmente falando especificamente destes três jogadores.
“Bons jogadores, jogadores com experiência de II Ligas, com grande formação. Formação de Real Madrid, formação da Barcelona. Tinha jogadores que, quando se contrataram, achava que eles tinham capacidade para dar uma boa resposta aqui, mas acabaram por ser agradáveis surpresas. Fizeram mais do que aquilo que projetávamos. Estou a falar do Cristo, que já o conhecia, do Jason, que vi e aprovei a sua vinda. O Mujica já estava no clube e trouxemos outros jogadores espanhóis também e já estavam outros no clube. O Arouca tem sido um clube que tem apostado e bem, porque consegue fazer um bom recrutamento. Já tinha isso antes de eu chegar e isso facilitou a nossa tarefa quando precisávamos de contratar.”, comentou.
Por fim, quando solicitada a sua visão acerca da aposta dos arouquenses no mercado espanhol, Daniel Ramos elogiou essa estratégia: “O Arouca neste momento aposta muito no mercado espanhol. Acho que é um ótimo mercado de contratação. Existem clubes que veem outro tipo de mercados, o africano, o brasileiro, o sul-americano, México, Equador, Costa Rica… Outros apostam no mercado nórdico. Cada um tem um as suas apostas, mas o mercado espanhol, é um mercado que deve ser muito considerado, não só pela língua, pela qualidade futebolística e pela capacidade, neste momento, de contratarmos jogadores da II Liga espanhola. Temos essa capacidade, não todos, mas alguns. Existem muito bons jogadores, muito preparados, com grande formação.”.
Recorde-se que o treinador português comandou os arouquenses até à madrugada do dia 15 de novembro de 2023. Nos 17 jogos para todas as competições, venceu 5, empatou 3 e foi derrotado em 9 deles. Aquando da sua saída, os arouquenses estavam no fundo da tabela da Liga, muito graças a 7 derrotas seguidas.
Simão Duarte
Foto: Pedro Fontes – FCA

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