
Tal como em qualquer tipo de trabalho, ninguém gosta de trabalhar sob pressão e a ver que tudo nos corre mal, de uma hora para a outra, sem que possamos sequer esboçar uma reação para evitar isso. No desporto em geral e no futebol, não é diferente. O plantel do FC Arouca foi fustigado por 6 derrotas consecutivas, 5 das quais para a Liga Portugal e, na receção ao Alverca, regressou aos triunfos. Terá sido este o Grito do Ipiranga à moda arouquense, que obterá independência das derrotas e desencadeará uma sequência triunfante?
Com base no funcionamento habitual de um plantel e à boleia também das palavras e expressões do treinador Vasco Seabra, é seguro pensarmos que, antes da receção ao Alverca, a equipa arouquense sentia-se presa à tristeza. Tristeza de perder, várias vezes de seguida, com falhas próprias aliadas à Lei de Murphy que assolou a equipa: “Se algo pode dar errado, dará errado”.
Os acontecimentos foram-se sucedendo assim, visto que, por exemplo, as expulsões de jogadores arouquenses faziam-se acompanhar, logo de seguida, por um golo do adversário. E por muito que uma equipa queira ganhar e tentar reverter o rumo das coisas, até triunfar, terá sempre esse “bichinho” do insucesso a roê-la por dentro, que só desaparece com uma vitória.
Os Lobos de Arouca entraram aguerridos em campo, com vontade e iniciativa de ter bola e encaminhá-la na direção da baliza adversária. Apostaram numa circulação rápida da bola na frente de ataque, com Nandín e Trezza a combinarem bem nesse aspeto. Para isso, contribuíram e muito Pedro Santos e Espen van Ee, que efetuaram essa ligação. Defensivamente, primeiramente Puche, depois Trezza, baixaram para a defesa, formando uma linha de 5, com Esgaio a encostar-se aos centrais. Uma forma de, numericamente (por colocar mais um homem) e estrategicamente (devido à dinâmica defensiva de não dar espaço ao adversário), evitar que a bola chegasse à baliza de Nico Mantl. Desta vez, o guardião alemão teve pouco trabalho, no que a defesas diz respeito.
Depois de tanto tentar, Lee Lee Hjunju atirou a contar. O cruzamento milimétrico de Esgaio pela direita encontrou a cabeça do médio ofensivo que, já em queda, fez o golo de cabeça. Até ao final, apesar de alguma “tremideira” (inevitável, dado o momento recente da equipa), os arouquenses foram-se aguentando e, cinco jogos depois, regressaram aos triunfos na Liga.
No final, os sorrisos espalharam-se pelas bancadas do Municipal de Arouca e, no relvado, multiplicaram-se os abraços, com sorrisos de orelha a orelha, entre equipa técnica, staff e jogadores, com a transmissão televisiva a brindar os adeptos arouquenses com bonitas imagens do técnico Vasco Seabra a erguer Lee Hjunju, autor do golo, sendo que, de seguida, foi Danté a levantar no ar o próprio treinador.
Apesar da distância física, sentia-se claramente que todos afastaram tudo aqui que “estava cá dentro que precisava de sair”, como referiu, no final, o treinador dos arouquenses. Um alívio conquistado por uma equipa que trabalhou muito para merecê-lo no encontro em questão.
Esta vitória serviu também para ver uma boa exibição de cada individualidade, que culminou numa grande performance do coletivo. Na baliza, e como já referimos, Mantl teve pouquíssimo trabalho, contrastando com a deslocação à Amadora, onde foi muitas vezes solicitado e foi respondendo bem.
Na defesa, Esgaio fez um grande cruzamento como assistência no golo e esteve muito capaz ao desdobrar-se entre fechar junto dos centrais, no momento defensivo a cinco, bem como a aproximar-se da baliza adversária, aberto na faixa ou até mais por dentro, no espaço entrelinhas. Ligeiramente abaixo, mas, ainda assim, igualmente bem, esteve o seu companheiro da lateral oposta, Amadou Danté, que compensou algumas ações menos conseguidas com um estado de espírito capaz de elevar os próprios companheiros.
Puche, apesar de ser extremo, foi mais solicitado defensivamente do que ofensivamente, tendo sido maioritariamente lateral e na contenção. No centro da defesa, Popovic e Omar Fayed vão crescendo como dupla, com o primeiro a assumir-se como uma voz de comando e o segundo a demonstrar uma capacidade crescente em progredir com a bola no pé.
No meio campo, Pedro Santos esteve muito ativo no capítulo do passe, efetuando-o com conta, peso e medida, entregando-se de corpo e alma ao jogo. Ao seu lado, van Ee surpreendeu pela positiva, especialmente pela capacidade de recuperar a posse de bola, um pouco por todo o campo.
Por fim, no ataque, Trezza começou nas costas de Nandín, mas também abrindo na ala, onde é a sua casa tática de raiz. Passou para o lugar de Puche após a saída do espanhol e fez, de forma igualmente eficaz, as tarefas do companheiro, com a agressividade que o caracteriza. Combinou bem com Nandín várias vezes: este último, o ponta de lança, falhou um cabeceamento perigoso, mas, ao contrário do que vinha sucedendo, conseguiu criar perigo em concreto. Djouara, na faixa esquerda, foi quem mais disparou à baliza do Alverca e manteve-se solidário defensivamente, ainda que em menor intensidade que Puche, pois Djoaura, deliberadamente, fica mais disponível no ataque, por forma a ferir o adversário.
Lee Hjunju, médio da República da Coreia, foi a chave para desbloquear o cofre dos três pontos. Contratado ao Bayern de Munique por 1,5 milhões de euros, e com uma cláusula de rescisão de 7 milhões de euros, tem sido aposta regular, atingindo o 14º jogo pela equipa de terras de Santa Mafalda. Já havia registado uma assistência para golo, na 1ª jornada da Liga, contudo, ainda não havia assinado ele próprio um golo. Fê-lo agora pela primeira vez, ao aparecer no espaço aberto entre centrais e, em queda, a cabecear para o fundo das redes.
Este triunfo frente ao Alverca foi também uma feliz coincidência. Na época passada, Vasco Seabra somou o seu primeiro triunfo pelos Lobos de Arouca à 14ª jornada (receção ao Santa Clara), também por 1-0. Lee Hjunju, o autor do golo deste triunfo ao Alverca, estreou-se a marcar … ao 14º jogo pelo FCA, em todas as competições. Para além disso, foi o primeiro jogo desta época em que os arouquenses não sofreram qualquer golo.

Pedro Santos e Espen van Ee estiveram em evidência no centro do terreno, sendo o elo de ligação entre setores
Simão Duarte
Fotos: Pedro Fontes – FCA

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.