
Nas conferências de imprensa, é costume haver espaço para se falar verdadeiramente do jogo, colocando aos treinadores questões mais táticas, onde jornalistas, analistas, adeptos e todos os que acompanham futebol podem perceber melhor as ideias de um treinador e de uma equipa. Esta situação não foge à regra para com o FC Arouca e Vasco Seabra, na conferência de antevisão ao Estoril Praia x FC Arouca, respondeu a questões relacionadas com o papel de Trezza no ataque arouquense (e a capacidade que este tem na relação com o golo), bem como a postura dos Lobos de Arouca na 1ª fase de construção de jogo, onde se pode sair a jogar desde trás ou apostar no jogo mais direto, com um chutão para a frente.
“O primeiro momento logo de oportunidade de golo, aos três minutos, é exatamente isso. É o momento em que ele vem de fora para dentro, o Barbero faz um movimento em apoio e o Marcelo ou o Maracás, é atraído ao Barbero e o Trezza faz um movimento incrível, com o passe do David para a profundidade, e fica na cara. O primeiro toque foi bom, o segundo já não foi tão bom e que impediu a finalização.
São momentos que nós, com o Trezza, com as características que ele tem, que nós fazemos muitas vezes. Em termos de início da construção, concordo, nós estávamos com o Esgaio um pouco mais baixo para conseguirmos atrair um pouco mais o extremo do Moreirense, porque queríamos realmente abrir o espaço para o Lee e para o Trezza poderem depois, a seguir, ter espaço para conseguirem combinar. O momento para a bola entrar no Lee foi sempre muito criado, ou seja, ele teve sempre bastante espaço para conseguir receber, porque nós conseguíamos realmente atrair muito o extremo à frente e a bola entrava com alguma facilidade aí.
A verdade é que para isso tivemos que abrir o Trezza, mas imediatamente quando passávamos para a construção mais perto da baliza, que era esse o objetivo, já muitas das vezes aquilo que pretendíamos, e que aconteceu também, era que o Esgaio pudesse ir por fora e o Trezza se aproximasse novamente das zonas centrais.
Ele (Trezza) pode ter um ponto de partida exterior, mas a verdade é que, as características dele, nós queremos sempre aproximá-las mais. Ele acaba por ser um extremo que, connosco, se tornou um extremo mais de corredor central, ele sempre foi a vida toda um extremo de linha e de fora, nós acabamos, pelas características que ele tem, aproximá-lo daquilo que falou, porque também achamos que são as características que mais o valorizam.
Pode ter um ponto de partida inicial ali, mas sempre com esse intuito de conseguir ir buscar esses passos, porque sentimos que sim, que é um jogador que tem sempre esse momento de finalização, de chegada e de capacidade para rasgar e romper.”
“Sabe que foi uma pergunta que me fizeram no Estádio da Luz, fizeram-me essa pergunta. Porquê que nós jogamos sempre a construir a partir de trás? Eu acho que no Estádio da Luz foi o jogo que mais jogamos direto. Acho que só saímos de trás no Estádio da Luz na primeira parte, duas vezes, o resto jogamos sempre direto no Barbero.
Só que aquilo que nós já somos apelidados é de uma equipa de construção, e somos, somos uma equipa que gosta de atrair para conseguir explorar a seguir o adversário nas costas. Nós gostamos de jogar o jogo, e muitas das vezes o jogo, se nos vêm pressionar muito à frente, o espaço está muitas das vezes nas costas. Nós não gostamos é de chutar para a quinta, de chutar à toa.
Agora, nós procuramos muitas situações mais alongadas, mais frontais, para conseguirmos, de facto, explorar esses momentos de costas e de fragilidade também nas costas do adversário. Nem sempre sentimos é essa necessidade.
O pontapé de baliza passou a ser, pela mudança da regra, uma vantagem para quem ataca. Porque, o facto dos centrais poderem estar, ou quem está a sair com bola, poder estar dentro da área, e quem não está com bola ter que estar fora da área, garante-nos algum espaço, para que nós tenhamos essa possibilidade de atrair, e, se eles virem todos, nós conseguimos a seguir chegar lá à frente.
Este momento que eu falei há pouco (lance do Trezza, do início da pergunta acima), aos três minutos, foi uma jogada que nós iniciamos de pontapé de baliza e desbloqueamos o Moreirense em três corredores, e depois conseguimos atacar a profundidade e temos uma oportunidade de golo. Eu entendo a pergunta e não estou contra. Mas só para lhe dizer que, se a gente faz esse golo, que era exatamente a mesma coisa, era só a finalização ter sido boa, provavelmente estávamos a dizer que era uma jogada incrível, tínhamos ganho 1-0, e era o estilo de jogo do Arouca natural.
Eu mantenho-me equilibrado. Independentemente da derrota ou da vitória, eu creio que aquilo que nós passamos aos nossos jogadores, e aquilo que nós fazemos com eles todos os dias, é jogar. E jogar implica olhar, decidir. Nós não temos um jogo mecanizado, pelo contrário. Temos um jogo altamente livre para que os jogadores tenham intenções claras para jogar. Nós temos intenções de explorar determinados espaços. Mas que essa leitura dos jogadores esteja dentro do jogo, para que nós sintamos sempre onde é que o espaço está livre.
Se o adversário não nos vem pressionar, nós temos mais espaço e mais tempo para conseguirmos decidir. Se o adversário nos vem pressionar, nós queremos muitas vezes olhar para as costas. Por isso, respondendo-lhe de forma muito direta e frontal, nós, naturalmente, temos essa liberdade para poder fazer isso.”
Texto: Simão Duarte
Foto: Pixabay

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