Vasco Seabra: “A gente tem de valorizar o futebol português”

Técnico do FC Arouca criticou a postura do jogar adversário

Após um encontro cujo marcador não se alterou, apesar da criação de algumas oportunidades do FCA perante um Casa Pia robusto defensivamente e a aproveitar cada momento para gastar minutos no relógio, Vasco Seabra deixou críticas à postura do jogar adversário, esclareceu a confusão após o apito final (a qual culminou com as expulsões de Trezza e do seu adjunto Cláudio Botelho, bem como de Iyad Mohamed do Casa Pia) e também o porquê das alterações no onze titular, com destaque para a inclusão de João Valido nas escolhas.

Estas foram as questões colocadas ao técnico dos arouquenses:

Análise ao jogo e se o adversário mais difícil foi o anti-jogo?

“Sim, foi. O que me custa é nós andarmos todos a apelidar e a queixarmo-nos, dos árbitros, dos relvados, de tudo. Eu percebo que toda a gente tenha objetivos internos, eu também queria chegar aos 42 (pontos) e já não posso, já só posso chegar aos 40. A gente tem de valorizar o nosso jogo, o futebol português. Temos reuniões de treinadores com a Liga e falamos que o tempo de jogo tem de ser aumentado, toda a gente discute tudo.

E depois temos um jogo que tem 101 minutos e teve 49% de tempo útil, com duas equipas que, no grande objetivo da época, já o atingiram. Penso que temos de conseguir trazer mais pessoas ao estádio e, para isso, têm de ser três equipas a jogar, as duas que competem uma contra a outra e a outra que me deia o jogo.

Isso custa-me a aceitar. Eu dificilmente critico um colega, a outra equipa, cada um tem a sua forma de jogar, mas custa-me porque foi desde o primeiro minuto. Não foi quando ficaram com 10 (jogadores), foi desde o primeiro minuto. Uma equipa a querer jogar, nós propusemo-nos ao jogo, tivemos três grandes oportunidades na primeira parte. Na segunda, um jogo mais difícil, em que de cada vez que a gente criava um lance de perigo, nem era uma grande oportunidade, bastava ser um cruzamento e, se alguém caía, tinha de ser uma assistência, perder 30 segundos.

Tudo isso vai, naturalmente, criando ansiedade aos jogadores que querem ganhar, que jogam para ganhar, que têm paixão por ganhar. Essa é uma aprendizagem para nós, que não conseguimos, dentro desse momento do jogo, ter mais equilíbrio emocional e forçar mais coisas, para podermos criar situações de golo e conseguirmos marcar. Se tivéssemos marcado um golo, obrigávamos o Casa Pia a ter de jogar.

Muito orgulhoso da atitude dos meus jogadores e frustrados, porque não conseguimos vencer e agora temos de olhar para o jogo do Gil Vicente, com a ambição de irmos buscar os três pontos.”

A confusão no campo após o apito final

“Eu sou muito exigente com os meus jogadores. Quando chegamos aqui, eles sabem que têm de jogar para ganhar sempre. Eles estão habituados a treinar para ganhar, podemos perder, mas os outros têm de sentir que foram melhores que nós.

Naturalmente, quando nós queremos tanto ganhar e lutar por ganhar, quando sentimos que há uma equipa que não está preocupada em ganhar, que não há vontade, intenção de jogar o jogo, de competir, de defrontar olhos nos olhos. Por vezes, depois cria frustração e, no final do jogo, aquelas boquinhas de vai para aqui, vai para ali, acaba por, para estabilizar, dá-se um vermelho a cada um e pronto.

Acho que o Trezza não fez nada de mais, o adversário foi ter com ele e o Trezza acho que o empurra para não ser agredido. Depois, naturalmente, os dois bancos vão para defender os de cada um. Não foi nada de muito especial, foi mais o aparato do que outra coisa qualquer.”

O que motivaram as alterações no onze titular, nomeadamente a entrada do Valido para o lugar do titularíssimo Mantl?

“Teve a ver com opção técnica mesmo. Eu confio muito no Nico (Mantl), não teve nada a ver com o erro da semana passada e eu disse-lhe isso. Tem a ver essencialmente com o nível de treino e exigência que o João (Valido) tem tido também nas semanas. Já há algumas semanas vem a dividir o nível exibicional de treino e a energia que coloca no treino para poder entrar para a competição.

Com o Popovic a mesma coisa. Sentíamos que o Popovic tinha feito um excelente jogo na Luz (2-2 contra o Benfica), nós na altura quisemos regressar ao Chico (Lamba), mas sentíamos que o Popovic continuou a manter o mesmo nível de compromisso e, neste jogo, precisávamos daquela energia e descansar alguns jogadores. O Chico (Lamba), fizemo-lo descansar porque sabíamos que o Fontán, mais jogo menos jogo, ia levar amarelo e queríamos manter o Popovic num nível competitivo alto.”

Na próxima jornada, a penúltima, o FCA vai deslocar-se ao terreno do Gil Vicente, emblema contra o qual nunca perdeu. A partida vai-se disputar no Estádio Cidade de Barcelos, pelas 20h30 de sábado, dia 10 de maio.

Texto: Simão Duarte

Foto: Ana Margarida Alves

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Discurso Direto
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