No dia “Dia Mundial da Rádio” fomos ouvir uma das vozes mais conhecidas da Regional de Arouca

Tony Noites: “Gosto de fazer rádio e de tudo aquilo que vem agarrado a ela”

No passado dia 13 de fevereiro comemorou-se o Dia Mundial da Rádio, e, para não deixar passar “em branco” esta efeméride, o DD decidiu entrevistar uma das vozes mais conhecidas do concelho, Tony Noites. O locutor que está há mais de 25 anos na Radio Regional de Arouca, conversou um pouco com o nosso jornal, revelando vários pormenores sobre a sua história de vida, carreira e objetivos futuros.

DD- Tony qual foi o seu primeiro contacto com a rádio? Em que circunstâncias?

TN-Desde pequeno que sempre tive um fascínio pela rádio e comunicação em geral. O meu primeiro contato com a rádio aconteceu quando o meu irmão era colaborador na Rádio Regional de Arouca, e foi com ele que vi e percebi o que era realmente “fazer” rádio. Passado alguns anos, já com alguma experiência na área da música, fui convidado para fazer um programa semanal de 2 horas, às sextas feiras entre as 20h e as 22h. Fiquei, ganhei espaço na rádio e hoje faço da rádio minha profissão.

DD-Quando é que percebeu que tinha realmente jeito e que queria fazer da radiofonia a sua profissão?

TN-Com o passar do tempo fui-me apercebendo que era o que gostava de fazer, o feedback que recebia dos ouvintes eram muito positivos, e isso deu-me ainda mais força e vontade de investir na minha carreira profissional. É claro que houveram momentos em que coloquei em causa se era de facto o que eu queria para a minha vida, mas acho que é natural em algum momento da nossa vida duvidar de tudo, mas a vontade de fazer rádio foi mais forte.

DD-Desde quando exerce esta profissão? Já tinha feito rádio antes de estar na Rádio Regional de Arouca?

TN-A minha primeira emissão foi para o ar no dia 01 de agosto de 1997 e não, não tinha qualquer experiência na área da rádio. A música esteve sempre ligada à minha vida, venho de uma família de músicos, e como costumo dizer, a minha vida seguiu um curso quase natural, se não fosse na rádio teria que trabalhar numa área relacionada com música.

DD-O que gosta mais de fazer?  Informação, programas em que os ouvintes podem participar? Reportagens?

TN-Gosto de fazer rádio e de tudo aquilo que vem agarrado a ela… gosto das diferentes áreas por motivos diferentes… gosto da área da informação, dos espaços musicais, mas o que provavelmente gosto mais são os espaços interativos com ouvintes, porque sei que para a maioria dos ouvintes, eu vou ser a companhia deles nas próximas 2 horas e, aquilo que eles nos devolvem em palavras, é fantástico, no fim do dia pesas tudo isto e percebes porque gostas de fazer rádio, é o conjunto basicamente!!!

DD-Quantos anos de carreira tem?

TN-25 anos, a caminho dos 26!

DD-Quais foram as experiências de trabalho mais gratificantes durante o seu percurso como radialista? E aquelas que mais o marcaram?

TN-Experiências gratificantes foram felizmente muitas que colecionei ao longo destes 25 anos. Desde furos jornalísticos, exclusivos com músicos e políticos, mas acho que o momento mais marcante nestes 25 anos foi numa viagem ao Brasil, onde conheci muitos arouquenses emigrados há décadas, as suas profissões, as suas conquistas e acima de tudo o amor deles por Arouca. A forma viva e entusiasta como eles celebram Arouca e as suas tradições, e como o ouvir a Rádio Regional de Arouca lhes é importante para se sentirem mais próximos, perceber que todos os dias levamos este bocadinho de Arouca além-fronteiras, e sermos reconhecidos, por isso é uma sensação incrível.

DD-E quais foram os temas mais difíceis e sensíveis que teve de abordar?

TN- Se disser que foi o COVID-19 pode parecer cliché, mas a verdade é que foi mesmo. Neste período tive a oportunidade de entrevistar muita gente da chamada linha da frente, pessoas que perderam familiares para o COVID, uma das entrevistas que mais me marcou foi a de um rapaz que perdeu a mãe, e saber que ele próprio a tinha infetado. Este foi um relato carregado de emoção que não deixou ninguém indiferente, e muito menos a mim, pois é uma família que conheço desde criança.

DD-Durante todos estes anos acha que o número de ouvintes aumentou, se manteve ou diminuiu?

TN-Houve uma altura, com o aparecimento das redes sociais na internet que, a rádio em Portugal perdeu algum protagonismo, contudo tenho ideia que está a recuperar gradualmente. A Rádio Regional de Arouca, mantém-se como das mais ouvidas, fruto do trabalho diário que fazemos e, acima de tudo, porque mantemos a orientação original-aposta forte na música portuguesa, e programas feitos para os ouvintes. É assim desde que Adelino Pinho fundou a Rádio Regional de Arouca e, assim, se mantem até hoje.

DD-O que considera ser a característica da rádio que ainda hoje fascina tanto o público?

TN-Porque a rádio não te obriga a ficar preso a nada, podes perfeitamente estar a ouvir rádio, seja ouvir música, a ouvir algum programa temático, o que quer que seja. A rádio permite-nos continuar a nossa vida perfeitamente normal, sem estarmos obrigados a ficar parados a olhar. Depois é o facto de nos sentirmos acompanhados, se vamos de viagem ou estamos em casa, podíamos perfeitamente ouvir as nossas músicas favoritas, mas preferimos a rádio, porque há alguém do outro lado que está a trabalhar para nos fazer companhia, porque é na rádio que a informação surge mais depressa, onde ouvimos pela primeira vez aquela que é a nossa nova música favorita, acho que são inúmeros os motivos que mantem viva até hoje a magia da rádio.

DD- Atualmente estamos numa altura em que a internet absorve muito as pessoas. Muitas vezes são espalhadas informações falsas e toda a gente quer dar a sua opinião, mas não quer ouvir. Na sua opinião qual o papel do jornalismo, no seu caso do jornalismo radiofónico, na formação e futuro do espaço público?

TN-Essa é uma daquelas questões que dá pano para mangas, mas que infelizmente é verdade. Temos de fazer o que nos compete, informar os nossos ouvintes de forma clara, direta e objetiva e, acima de tudo, de forma isenta. A verdade é que com a internet, a velocidade com que surgem notícias é verdadeiramente alucinante e, infelizmente, há muito quem se aproveite desse facto para desinformar o público, e que acabam por escamotear os verdadeiros problemas da nossa sociedade.

DD-O que gostaria de concretizar mais a nível profissional? Refiro-me a talvez dirigir um projeto radiofónico diferente dos que se praticam hoje na radio regional de Arouca, mais a ver com cultura, desporto, viagens (por exemplo) ou outro tema?

TN-Esses projetos acabam por surgir naturalmente, são aliás trunfos para que as audiências aumentem, é uma forma de agarrar a atenção do ouvinte. Tenho algumas ideias para este ano, que pretendo implementar em breve, ligados à área da cultura, mas como disse, são projetos necessários para o bom funcionamento das rádios.

Texto: Ana Castro

Fotos: Carlos Pinho

*para ler a entrevista completa adquira a nossa edição impressa já nas bancas

sobre o autor
Ana Isabel Castro
Discurso Direto
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