
Após longos meses de ensaios e de árduo trabalho, no passado dia 5 de julho, os Queen Symphonic & Mercury Falls Band, em parceria com a Academia de Música de Arouca, Município e associativismo local apresentaram numa sala Suggia esgotada, um concerto inserido no Festival de Música de Arouca (5ª edição)
O Festival de Música de Arouca nasceu de uma proposta do Conselho Pedagógico da Academia de Música de Arouca feita ao Município para se promover a uma formação adicional aos músicos do concelho, sendo que o resultado, deste ano, foi algo de transcendente, devido à onda de feedback positivo após o evento. Durante 8 dias, cerca de 40 técnicos, maestros, professores e auxiliares estiveram com 200 jovens músicos, cantores e bailarinos a preparar esta noite, que teve orientação do maestro Cristiano Silva. Já no passado dia 1 o concerto de Arouca esteve lotado, e 5 dias depois o cenário repetiu-se no Porto numa experiência que nenhum dos artistas ou presentes jamais irão esquecer.
Sérgio Carvalho Diretor Pedagógico e Edgar Soares Presidente da Direção da Academia
Sérgio Carvalho iniciou a entrevista por referir que a escolha sobre Queen recaiu devido à vontade de realizar um grande “momento temático, com um grande público e uma grande envolvência”. Desse modo recorreram ao maestro Cristiano Silva e aos “míticos Queen”, e com a presença de músicos, coros e dança “decidimos apresentar esta versão sinfónica”.
Por sua vez Edgar Soares, Presidente da Direção da Academia, quando questionado sobre o legado da Banda Queen e a sua influência no público e nos jovens referiu que, “quem viveu a época do apogeu da Banda Queen, com as suas melodias e ritmos tão fortes, também pela riqueza das mensagens abordadas, magistralmente interpretadas e sentidas pelos seus intérpretes, jamais deixarão de se sentir tocados por uma imensa saudade daquela Banda, imemorial, que não deixa de tocar as gerações mais jovens.”
A preparação e feedback
A preparação deste evento iniciou, tal como nos contou SC, muito cedo. “Iniciados os contactos, as necessidades e a resolução de problemas fizeram parte do processo”. Durante a semana de festival a Academia teve o apoio do Município, dos agrupamentos de escolas, sendo que a Academia de Música “mobilizou toda a sua capacidade para que o evento decorresse.”
O Município e os seus funcionários, segundo SC colaboraram na criação do espaço de ensaios, e do primeiro concerto. “Foram dois grandes dias, uma vez que esgotamos os dois concertos. Penso que excedeu as expectativas.”
Muitas pessoas já perguntaram à direção da Academia de Música de Arouca como é que conseguiram esgotar a Casa da Música, e SC só tem uma resposta “em Arouca somos capazes de muito. E que este concerto não foi “tudo” …”.
“Este concerto inscreve o nosso concelho, Arouca, na lista dos mais prometedores, em oferta artística, apesar de menos capacitados logisticamente, no que alguns se deverão penitenciar…”, confessou Edgar Soares. O Presidente mais informou que a educação musical, ainda é vista em muitos setores da nossa sociedade política como o parente pobre que tem de viver pelos seus próprios meios e recursos, “onde nem todos têm acesso justo, em termos de igualdade de oportunidades. E que em muitos casos só quem tem dinheiro segue em frente. Todavia, para Edgar Soares, há que “deixar, sobretudo os nossos jovens, seguir esse percurso de sonho, até que um dia todos possamos acordar com uma realidade bem mais concreta e definida, a contento e louvor de todos e para todos”.
Maestro Cristiano J. Silva
Cristiano J.Silva, maestro encarregue do projeto, confessou que a relação de proximidade com a Academia de Música de Arouca iniciou-se na altura em que andava no mesmo curso que o então Diretor Pedagógico. Posteriormente, foi-lhe proposto pelo Professor Adriano Sabença lançar uma proposta para dirigir um estágio, sendo que o maestro, dos vários concertos que tem para estágio, decidiu apresentar proposta para os Queen, com a sua Banda Mercury Falls, juntamente com mais dois cantores amigos. O espetáculo já estava programado antes da pandemia.
O maestro que está habituado a dirigir orquestras com um grande número de pessoas (record 270), revelou que o mais difícil é encontrar o equilíbrio para poder trabalhar. “Porque toda a gente tem dificuldades e toda a gente vai falhar. A dificuldade é tentar fazê-los perceber que todos vão ter estas falhas, mas precisamos de as encarar e trabalhar com profissionalismo e com um sorriso. A Música é uma bênção e temos de pensar que quando a tocamos ou temos o prazer de a tocar, não pode ser em nada enfadonho”.
O trabalho de preparação para o grande dia foi bastante exaustivo, segundo CS, visto que até houve um dia que começaram às 10h da manhã e terminaram às 23h30.
Outra revelação que fez ao DD foi que apesar de ser maestro no maior projeto de tributo do mundo aos Queen-Banda Dios Salve a la Reina, e de ter tocado alguns temas com a orquestra Nacional de Jovens, nada disso teve a proporção dos concertos com os músicos de Arouca. “Fazer este projeto de uma ponta à outra com jovens foi a primeira vez.”
É convicção do músico igualmente que a Banda Queen se vai transportar eternamente, pois “têm Magia, vão ser imortais!”.
Relativamente a como se procedeu aos ensaios com tantas pessoas, reforçou que apesar de ser ele que aparece no centro dos concertos, “há sempre um conjunto de professores e técnicos que fazem um trabalho de fundo, mais massudo, mas têm muito mérito, pois permitem que eu venha e consiga juntar tudo”.
Cristino J. Silva terminou confessando que prefere trabalhar com jovens, e que o concerto em Arouca e na Casa da Música no Porto “foram momentos que eu nunca mais vou esquecer”.
Paulinho Silva-Voz
“A minha ligação com a música começou muito cedo através do meu pai, que era um comerciante apaixonado por música!”, começou por proferir Paulinho Silva uma das vozes principais do Concerto. Na sua apresentação referiu que começou a cantar “de uma forma séria” relativamente tarde, com 18/ 19 anos, pois descobriu que tinha uma grande facilidade, sem precisar de estudar técnicas vocais.
Antes de cantar era percussionista. Começou a estudar na Tuna Musical de Fiães, com apenas 6 anos de idade, instrumento que estudou durante 17 anos.
Revelou ao DD que quem o convidou para este projeto foi o Maestro Cristiano Silva, de quem é o melhor amigo, há mais de 26 anos.
Foi crescendo a ouvir Queen, e considera que Freddy Mercury era um artista com uma voz única, desse modo, imitações são impossíveis, “cabe a nós tentar ser o mais fiel possível à sua música e ao legado que deixou”.
Paulinho Silva acredita que este concerto foi especial, devido ao elevado nível de exigência do programa, tendo sido, a nível pessoal, uma prova de fogo. Remata reiterando que Arouca sempre teve um lugar muito especial no seu coração, assim como as suas gentes.
No que toca a surpresas, para o futuro, Paulinho Silva revelou que vão estar novamente em palco com este programa, mas na Figueira da Foz, no âmbito da Orquestra Nacional de Jovens, integrado no Festival de Música da Figueira da Foz, e, posteriormente, no Festival de Música de Câmara de Lobos.
Mara Martins Estudante do ensino articulado
A estudante de Escariz tem 14 anos e começou a estudar música há 4 anos, no 5º ano, com as aulas do ensino articulado na Escola Básica e Secundária de Escariz, ligada à Academia de Música de Arouca, e frequenta, desde a mesma, altura a Banda Marcial do Vale.
O seu instrumento é o clarinete e sente-se bem com ele, tal como referiu. Apesar dos ensaios terem sido desgastantes por ter de ir de Escariz para Arouca todos os dias, esta foi também, segundo a jovem, uma experiência única na qual se divertiu juntamente com grandes profissionais da música.
Mara revelou que se sentiu à vontade, e que já tinha realizado um concerto do género com os Quinta do Bill, afirmando que a sua música preferida é a Radio Ga Ga.
“Senti um orgulho enorme na música porque é nestes momentos que eu sinto o quão eu gosto do mundo da música”, admitiu, salientando que maestro e restantes profissionais, “passaram muito bem a mensagem e prepararam-nos muito bem. Foram dias que nunca esquecerei e espero voltar a repetir!”.
Texto: Ana Castro
Foto: Ricardo Dias



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