A cultura da resposta imediata está a adoecer a nossa comunicação?

Vivemos em uma época em que estar disponível parece ter-se tornado sinónimo de ser competente.

Uma mensagem chega, resspondemos.

Um e-mail entra, interrompemos o que estamos a fazer.

Uma notificação aparece, paramos.

Uma reunião termina, outra começa.

E, pouco a pouco, criámos uma cultura em que responder depressa parece mais importante do que responder bem.

Mas será?

A velocidade tornou-se um valor. A resposta imediata passou a ser confundida com eficiência, compromisso e profissionalismo.

Só que nem toda urgência é real.

E nem toda resposta precisa de ser imediata.

Existe uma diferença entre estar disponível e estar acessível a qualquer momento.

Existe uma diferença entre ser ágil e viver em estado de alerta.

E existe, sobretudo, uma diferença entre comunicar e reagir.

Quando respondemos constantemente sob pressão, reduzimos o espaço necessário para pensar, interpretar e escolher as palavras.

E uma comunicação feita no impulso pode resolver uma tarefa, mas também pode criar um conflito.

Por isso, talvez precisemos de recuperar uma competência que parece simples, mas se tornou cada vez mais rara: saber fazer uma pausa antes de responder.

Uma pausa não é falta de produtividade.

É, muitas vezes, inteligência comportamental.

É nesse pequeno intervalo que podemos perguntar:

Preciso de responder agora?

O que está, realmente, a ser pedido?

Qual é a minha prioridade neste momento?

Estou a responder com clareza ou apenas a reagir à pressão?

A comunicação assertiva começa exatamente aí: quando deixamos de responder apenas ao estímulo e passamos a escolher, conscientemente, a resposta.

Talvez o verdadeiro sinal de profissionalismo não seja responder a tudo imediatamente, seja saber quando responder, como responder e quando dizer: “Preciso de tempo para analisar isto.”

Porque, em uma sociedade cada vez mais rápida, pensar antes de responder pode tornar-se uma das formas mais sofisticadas de comunicação.

E se substituíssemos a pergunta:

“Porque ainda não respondeu?”

Por:

“Será que tudo aquilo que exige uma resposta exige uma resposta imediata?”

Cuide de Si.

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