Quando o Mundo Dança em Arouca!

O Festival Internacional de Folclore está de volta para transformar a vila de Arouca num momento de festa e encontro de culturas, dia 15 de Agosto, na Praça Brandão de Vasconcelos o folclore mostra mais uma vez que os povos cantarão sempre a sua história.

Para a organização do Festival Internacional o Grupo Etnográfico de Moldes tem o apoio da Câmara de Arouca e da Freguesia de Moldes, o dinheiro que recebem é para pagar as deslocações dos grupos que vêm actuar a Arouca. Este ano vem um grupo da Polónia, outro de Espanha e mais um de Portugal que serão mais uma vez bafejados pela hospitalidade local. A Praça Brandão de Vasconcelos costuma encher e o palco e o som têm boas condições que ajudam ao sucesso do evento.

Mais do que Tradição, uma Festa Viva

O Festival Internacional é organizado pelo Grupo Etnográfico de Moldes que já faz parte da história do concelho, fundado em 1945, é conhecido e reconhecido pela recolha de tradições e pelos tradicionais Cramóis. Criado já no final da segunda Guerra Mundial, tem resistido aos tempos e às mudanças sociais, económicas e políticas. Está ligado às primeiras edições da tradicional Feira das Colheitas e é membro fundador da Federação de Folclore Português. Tem tido um papel fundamental na preservação e promoção do canto popular polifónico.

Isidro Castro é o homem que tem estado ao leme do Grupo Etnográfico de moldes, actualmente já não está na presidência mas continua ligado à direcção, à organização do Festival e ao dia a dia do Grupo, em conversa com o Discurso Directo faz questão de destacar a importância que as Cantadeiras de Moldes têm tido na divulgação do canto polifónico, foram elas que começaram a ir às escolas primárias ensinar as crianças a “ Botar Canto”, há cerca de três anos, numa iniciativa do Grupo, da junta de freguesia e do Museu de Arouca.

Sobre o Grupo Etnográfico de Moldes, Isidro Castro explica-nos que têm sobrevivido aos tempos enquanto outros ficaram pelo caminho e no geral o grupo já está de tal forma treinado nestas iniciativas que todos ajudam na organização de eventos “no total somos cerca de quarenta e tal pessoas de todas as idades, a tendência é para sermos mais velhos do que mais novos, temos pessoas dos oitenta aos quarenta anos”.

O cancioneiro do grupo é tradicional, dele fazem parte cantas e dança da terra, muitos já as conhecem de ”cor e salteado”, mesmo assim é preciso ensaiar “ensaiamos sempre antes das actuações mas o normal é ensaiar de 15 em 15 dias, o grupo já se conhece bem”.

“Todos colaboram e ajudam na organização dos eventos”

Na Direcção desta Associação estão nove pessoas sendo que a presidência pertencente actualmente a Tânia Duarte, mas no trabalho todos ajudam e colaboram “até nas refeições que costumamos oferecer aos Grupos convidados contamos com a ajuda de todos, é um trabalho de continuidade mas começa quase um anos antes do Festival, temos que garantir os melhores grupos e esses, já se sabe, são contratados com muita antecedência têm sempre agenda cheia”.

O Grupo de Moldes também é muito requisitado, já não podem aceitar espectáculos todas as semanas porque estão ocupados o ano inteiro. Isidro Castro está no grupo da tocata com o seu cavaquinho e começou nestas andanças muito cedo, desde o início do festival que já vai na 41ª edição. Durante o período da Pandemia Covid 19 não houve festival durante 3 anos.

O Festival realiza-se em Agosto, um mês em que as temperaturas costumam ser elevadas mas isso não constitui um problema “os trajes não são muito quentes, são feitos em tecidos frescos e leves, as actuações costumam ter 20 a 30 minutos, não precisamos de treinos e  avançam  os que estão mais capazes. Começamos sempre com danças mais simples que servem de aquecimento”.

Os povos cantarão sempre a sua história

O Festival Internacional de Folclore assume um papel duplo de extrema importância: por um lado o intercâmbio cultural que traz a Arouca grupos folclóricos de vários continentes, promovendo a partilha de tradições, ritmos e trajes de todo o mundo, por outro a promoção turística que atrai centenas de visitantes à região, dinamizando a economia local e valorizando o património imaterial arouquense à escala internacional.

Margarida Ferreierinha

sobre o autor
Margarida Ferreirinha Loureiro
Discurso Direto
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