
Nas últimas semanas, o Discurso Directo recebeu várias queixas sobre o estado de estradas em diferentes pontos do concelho de Arouca. Fomos aos locais indicados para perceber em que condições se encontravam e ouvimos os presidentes das respetivas juntas. Nesta reportagem, reunimos os casos de Santa Eulália, Moldes, São Miguel do Mato e Chave.
Em Santa Eulália, as queixas diziam respeito aos acessos a Mouras, Parada e Anterronde. Quando fomos ao local, encontrámos troços em que a estrada estava praticamente destruída, coberta de terra e pedras. Junto a algumas casas, entrar ou sair de carro tornava-se difícil.
Um dos relatos recebidos dizia que as estradas ficaram naquele estado depois do início das obras de saneamento. Segundo esse testemunho, a passagem dos camiões “deu cabo da estrada toda”, desde o corte para Parada até à zona da antiga escola, afetando também o acesso a Mouras. Na altura, foi ainda referido que o saneamento não estava ligado e que estavam apenas a ser feitos alguns remendos. “O problema está na estrada toda. Só visto”, resumiu.
Noutro testemunho, foi-nos dito que a população esperava que as estradas fossem novamente alcatroadas depois do saneamento. Mais tarde, os habitantes terão sido informados de que seriam apenas recolocados os paralelos e feitos remendos nas zonas anteriormente alcatroadas. “Estamos cansados. É um lugar esquecido e abandonado”, pode ler-se no relato.
Quem falou com o jornal contou também que chegou a não conseguir entrar em casa com o carro. Noutra ocasião, o automóvel de um morador que tinha de ir a uma consulta urgente ficou preso num buraco e foi necessário empurrá-lo para o conseguir tirar dali.
O presidente da Junta de Santa Eulália, Rui Fernandes, confirmou que as obras começaram entre 8 e 10 de dezembro de 2025. Segundo explicou, os trabalhos foram atrasados pelo inverno rigoroso. Como a zona tem bastante inclinação, a chuva acabava por arrastar estrada abaixo o material que era colocado. O autarca reconheceu que a obra avançou “mais lentamente do que deveria”.
Rui Fernandes afirmou que os trabalhos estão agora na fase final. Nos troços em paralelos, estes estão a ser novamente colocados. Nas zonas alcatroadas, estão a ser tapadas as partes abertas para a passagem do saneamento.
Os moradores dizem que lhes tinha sido prometida a colocação de alcatrão novo. O presidente explicou, porém, que o projeto prevê apenas a reposição do que existia antes da obra. Em Parada, está ainda prevista uma intervenção na canalização da água, pelo que uma melhoria mais profunda da estrada só deverá acontecer depois. Para já, não há um prazo.
Rui Fernandes lembrou ainda que a Junta não dirige a obra e que as decisões dependem do grupo Águas de Portugal, da Câmara Municipal e do empreiteiro. Ainda assim, assumiu que cabe à Junta ouvir o descontentamento da população. “Nós temos de aceitar as reclamações. É para isso que fomos eleitos”, afirmou. O presidente da Junta de Santa Eulália considerou que, apesar da demora, o resultado final da obra será bom.
O Discurso Directo continuará a acompanhar estes casos e a verificar se as intervenções anunciadas avançam. Quem tiver uma situação que considere importante relatar, pode contactar o nosso jornal.
Pedro Gonçalves
Fotos: Simão Duarte

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.