A época 16/17, de má memória para o FC Arouca, faz 10 anos: o princípio do desastroso final

Quarto artigo da sequência destes que o Discurso Directo preparou referentes aos jogos da temporada 2016/17

A temporada desportiva 2026/27 está aí, com a estreia do FC Arouca a poucos dias de se proporcionar e a grande generalidade dos adeptos está ansiosa por ver a sua equipa entrar em campo na 1ª jornada. Em Arouca, com certeza, não será diferente. Os olhos estão postos no futuro, após a conquista da permanência, e no que o atual plantel será capaz de alcançar, mas, como disse certa vez Confúcio, pensador chinês, «se queres prever o futuro, estuda o passado».

Esta época, fazem 10 anos desde que, na época 2016/17, o FC Arouca jogou a fase de qualificação da Liga Europa, tendo lutado até à última por um lugar na fase de grupos, mas, no final da temporada, desceu de divisão… pela diferença de um golo. Condições, no mínimo, bizarras e, como o estimado leitor vai perceber com estas lembranças dessa época, o panorama global não foi tão caótico ou desastroso quanto a memória nos quer fazer ver. Como em qualquer história, vamos começar pelo início, e estes artigos de retrospetiva da temporada como um todo vão seguir esta ordem:

Primeiro artigo: Jornadas 1-4 e os encontros da qualificação da Liga Europa

Segundo artigo: Jornadas 5-10 e jogos das Taças (Portugal e da Liga)

Terceiro artigo: Jornadas 11-17 (Fim da 1ª volta da Liga) e jogos da Taça da Liga

Quarto artigo (este): Jornadas 18-23

Quinto artigo: Jornadas 24-29

Sexto e último artigo: Jornadas 30-34 (Fim do campeonato)

18ª Jornada – FC Arouca 1-2 Boavista. Sábado, 21 de janeiro de 2017, 20h30

No arranque da 2ª volta, o objetivo era claríssimo: vencer, para poder manter a pressão sobre as equipas acima, dado que, apesar de estar no 9º lugar, o FC Arouca tinha 23 pontos e estava a apenas 3 do Marítimo, 5º classificado. A receção ao Boavista, numa das noites frias do inverno arouquense, começou com uma bala a ferver de Tomané, que colocou o FC Arouca em vantagem ao minuto 8. Estreia a marcar do ponta de lança, na 1ª titularidade.

A vantagem durou pouco, já que, tal como no duelo da 1ª jornada, Idris, ex-FC Arouca, voltou a marcar. Num canto pela esquerda, o médio colocou-se na zona do 2º poste e voou para cabecear para o 1-1. Anderson Luís ainda tentou afastar o esférico em cima da linha de golo, mas o árbitro deu golo, apesar dos protestos do treinador Lito Vidigal. Até ao intervalo, nota para um forte disparo de Fábio Espinho para excelente defesa de Rui Sacramento. Voltou a destacar-se no arranque do 2º tempo, depois de um remate fatiado de Renato Santos (48’), mas não conseguiu evitar o 1-2 final, marcado por Iuri Medeiros aos 62’, também ele ex-FC Arouca que, ao contrário de, por exemplo, André Claro, o extremo do Boavista não festejou o golo.

O FC Arouca desceu um posto, para o 11º lugar, mantendo os 23 pontos.

Onze titular: Rui Sacramento (GR), Anderson Luís, Jubal, Nelsinho, André Santos, Nuno Coelho, Adilson Goiano, Artur, Tomané, Jorginho e Mateus

Substituições:

65 – Saiu Jorginho, entrou Kuca

74 – Saiu Artur, entrou Walter González

88 – Saiu Adilson Goiano, entrou Crivellaro

Suplentes não utilizados: Igor Rocha (GR), Velázquez, Vítor Costa e Zequinha

19ª Jornada – Nacional 1-1 FC Arouca. Sábado, 28 de janeiro de 2017, 16h00

Na sempre exigente deslocação à Choupana, o FC Arouca entrou em campo ao ataque, com Mateus a cruzar para Tomané aos 9’, mas a má definição do avançado no penálti em andamento retirou todo o enorme perigo à ocasião. Se no jogo passado havia marcado com um potente remate, neste lance frente ao Nacional, faltou-lhe força e melhor técnica para acertar na bola. O Nacional deu o troco aos 34’, com um remate de Tiago Rodrigues, e também aos 41’, de Salvador Agra. Ainda antes do descanso, Jorginho atirou por cima da trave da baliza dos da casa.

Dos 46’ até à hora de jogo, o Nacional ensaiou duas boas chances, ambas travadas com destreza por Sacramento. O FCA respondeu por Kuca, aos 68’, cujo remate saiu desenquadrado. Depois de nova defesa de Sacramento, aos 72’, o FC Arouca colocou-se na frente do marcador aos 83’. Canto cobrado por Artur na direita do ataque, para a zona do 1º poste, onde Walter González cabeceou para a zona do 2º poste, com o capitão Nuno Coelho a atirar-se para encostar a bola.

Mas o resultado ainda não estava decidido: quando faltava sensivelmente um minuto para o fim da partida, Sacramento viu 2º amarelo por uma falta sobre Agra que, vistas as imagens, é inexistente, com o extremo a conseguir sacar a falta (naquela altura, não havia VAR). Dado que Lito Vidigal já tinha esgotado as substituições, foi Walter González quem foi à baliza para tentar defender o penálti. E o avançado ainda adivinhou o lado escolhido por Agra, mas não conseguiu defender a bola. No final, enormes protestos da comitiva arouquense.

Apesar do ponto conquistado, somando agora 24 no total, o FC Arouca manteve-se no 11º lugar.

Onze titular: Rui Sacramento (GR), Anderson Luís, Jubal, Nelsinho, André Santos, Nuno Coelho, Adilson Goiano, Artur, Tomané, Jorginho e Mateus

Substituições:

56 – Saiu Mateus, entrou Kuca

74 – Saiu Jorginho, entrou Walter González

90+1 – Saiu Artur, entrou Velázquez

Suplentes não utilizados: Igor Rocha (GR), Vítor Costa, Zequinha e Keirrison


Antes de passarmos para a jornada 20, é importante referir as várias mudanças efetuadas no plantel no mercado de inverno. Bracali, apesar do interesse assumido da Chapecoense, acabou por ficar em Arouca, mas não fez muitos jogos na 2ª volta: apenas 2, em março, tendo-se lesionado na Madeira e não voltou a jogar depois disso.

Chegaram vários jogadores, como o guarda redes Bolat, o defesa Jeffre Vargas, o médio Gilson Costa e os avançados Tomané, Keirrison e Sami. Mas também saíram muitos, como Gégé, o herói da saga europeia, e os avançados Zequinha, Bruno Lopes, Marlon e Jorginho, este último numa venda milionária aos franceses do Saint-Étienne por 1,3 milhões de euros.


20ª Jornada – FC Arouca 2-1 V.Setúbal. Domingo, 5 de fevereiro de 2017, 16h00

No 1º jogo após o fecho do mercado, a prata da casa, que já lá se encontrava desde o arranque da época, foi quem mais mostrou serviço, especialmente Kuca, que viveu na sombra de Mateus, Jorginho e Walter González, principalmente. Neste jogo, o cabo-verdiano deu uma prova do seu valor, mas antes disso, ao minuto 2’ da partida, Tomané já estava a marcar, mas o lance acabou anulado por fora de jogo. Só Kuca fez balançar as redes legalmente, aos 18’ e aos 36’, levando o FCA para o intervalo em vantagem. Aos 18’, enviou um petardo para o canto superior esquerdo, um remate indefensável. Já aos 36’, assistido por Mateus, cabeceou cruzado.

O Vitória de Setúbal ainda reduziu no final do 1º tempo, depois de Mikel Agu cair na área, um lance duvidoso. Na conversão do castigo máximo, Edinho fez o 2-1 aos 45+3’. No 2º tempo, o Vitória ameaçou e esteve particularmente perto do golo ao minuto 86’, com Nuno Santos a obrigar Bolat a uma defesa apertada.

Com o triunfo, o FC Arouca regressou ao 10º lugar, tendo 27 pontos e uma distância de apenas 4 para os lugares europeus.

Onze titular: Sinan Bolat (GR), Anderson Luís, Velázquez, Nelsinho, André Santos, Nuno Coelho, Adilson Goiano, Artur, Tomané, Kuca e Mateus

Substituições:

28 – Saiu Artur, entrou Crivellaro

72 – Saiu Mateus, entrou Walter González

90 – Saiu Walter González, entrou Keirrison

Suplentes não utilizados: Bracali (GR), Hugo Basto, Vítor Costa e Sancidino

21ª Jornada – Benfica 3-0 FC Arouca. Sexta, 10 de fevereiro de 2017, 20h30

Partida inaugural da jornada 21, com o FCA a deslocar-se à Luz para defrontar o líder Benfica. E foram os arouquenses a protagonizar a 1ª boa chance, quando Mateus, aos 8’, serviu Tomané que trabalhou bem a bola e obrigou Ederson a defesa apertada. Aos 17 minutos, um desvio de cabeça de Nuno Coelho acabou por embater na trave da baliza de Bolat. O Benfica revelava-se ameaçador, mas multiplicavam-se os chamados “casos e casinhos” de arbitragem, com os encarnados a protestarem alguns lances na área arouquense.

Aos 22’, Mitroglou marcou, mas o lance foi anulado por fora de jogo. 3 minutos depois, voltou a fazer o mesmo e, dessa vez, inaugurou mesmo o marcador, ao aparecer solto no meio da defensiva para cabecear. Era o grego quem protagonizava os lances e, depois de nova ameaça aos 26’, acabou mesmo por bisar ao minuto 35’. Desenhada pela esquerda, a jogada terminou com uma má abordagem de Jubal, que levou a que Eliseu rompesse e Bolat saísse dos postes, com o lateral a conseguir tocar para Mitroglou, que encostou.

A vida não foi sempre fácil para o Benfica neste jogo, especialmente depois do 0-2, porque Mateus, aos 38’, aqueceu as luvas a Ederson e o guarda redes do Benfica acabou por ser expulso ao minuto 41’, depois de sair dos postes para travar o extremo arouquense, que corria na direção da baliza. Mesmo com menos um homem em campo, o Benfica fechou as contas do marcador ao minuto 49’, por Carrillo, com um chapéu. Mateus caiu na área aos 55’, mas nada foi assinalado, e Kuca, aos 62’, protagonizou o último lance de perigo dos arouquenses, com um cabeceamento que mereceu defesa apertada de Júlio César.

Apesar do desaire, o FC Arouca manteve-se no 10º lugar, tendo 27 pontos e uma distância de 5 para os lugares europeus.

Onze titular: Sinan Bolat (GR), Jefre Vargas, Jubal, Velázquez, Nelsinho, André Santos, Nuno Coelho, Adilson Goiano, Mateus, Tomané e Kuca

Substituições:

44 – Saiu Adilson Goiano, entrou Crivellaro

64 – Saiu Mateus, entrou Walter González

80 – Saiu Jubal, entrou Nuno Valente

Suplentes não utilizados: Rui Sacramento (GR), Hugo Basto, Keirrison e Sancidino


Antes de passarmos para a jornada 22, há um ponto-chave que aconteceu entre o jogo anterior e o próximo e que os arouquenses, até aos dias de hoje, apontam como um dos fatores decisivos pelo desfecho da época: a saída de Lito Vidigal do posto de treinador principal. Os números jogam a favor desta opinião, dado que, após a saída do técnico, o FCA só venceu um único jogo, empatou 2 e perdeu os restantes 10.

Apesar do contrato até 2019, a imprensa desportiva afirmou que o técnico tinha à sua espera em Israel uma proposta irrecusável. Certo é que a saída consumou-se, depois da ida à Luz e Lito Vidigal foi substituído por Manuel Machado, um técnico com um currículo longo no futebol nacional e que, na conferência de imprensa de apresentação, apontou como meta lutar pela Europa, pois «a manutenção na Liga está praticamente assegurada».

Pondo de parte o que aconteceu depois (já lá vamos), a ambição era justificada, pois, no final da jornada 21, o FC Arouca tinha 27 pontos e estava a apenas 5 dos lugares europeus. Mas o período de Manuel Machado no FC Arouca, que se queria dourado, acabou manchado pela escuridão.


22ª Jornada – Chaves 2-0 FC Arouca. Sábado, 18 de fevereiro de 2017, 16h00

A estreia de Manuel Machado no FC Arouca foi em Chaves e não podia começar de pior maneira: ao minuto 8’, Bressan, especialista nas bolas paradas, fez o 1-0 de livre. O FCA carregou e Tomané, aos 31’, aqueceu e de que maneira as luvas a António Filipe. Este voltou a tentar aos 34’, e Mateus fez o mesmo, aos 42’, mas ambos os lances foram travados pelo guardião.

No início da 2ª parte, Tomané e António Filipe voltaram a digladiar-se mas, desta vez, não há margem para dúvidas ao ver e rever as imagens: ficou por marcar um penálti claríssimo ao minuto 50’, quando António Filipe, ao tentar disputar a bola com Tomané, não chegou primeiro à bola e acabou a prender a perna direita do avançado dos arouquenses, levando à queda do mesmo na área.

Nada foi assinalado e, daí em diante, surgiram várias chances para os dois conjuntos, a grande maioria delas travadas pelos guarda redes. Mas aos 80’, com um remate colocadíssimo, Fábio Martins fez o 2-0 final. Um jogo que, pela quantidade e qualidade das chances, podia ter caído para qualquer lado, mas o penálti sobre Tomané, caso tivesse sido justamente assinalado, poderia ter alterado o rumo das coisas.

Novo desaire, o 2º consecutivo, com o FC Arouca a cair para o 11º lugar, tendo os mesmos 27 pontos e uma distância agora de 7 para os lugares europeus. A vantagem para os lugares de descida era ainda bem folgada, de 12 pontos.

Onze titular: Sinan Bolat (GR), Anderson Luís, Jubal, Velázquez, Nelsinho, Nuno Coelho, Adilson Goiano, Nuno Valente, Tomané, Kuca e Mateus

Substituições:

Intervalo – Saiu Adilson Goiano, entrou Walter González

76 – Saiu Mateus, entrou Sami

Suplentes não utilizados: Bracali (GR), Hugo Basto, André Santos, Crivellaro e Sancidino

23ª Jornada – FC Arouca 1-2 Belenenses. Segunda, 27 de fevereiro de 2017, 20h00

Mais uma noite fria em Arouca, mais uma vez a «lei do ex» a concretizar-se. No 1º tempo, Tomané fez o gosto ao pé, mesmo tendo sido inadvertidamente, mas o FC Arouca foi para o intervalo a vencer por 1-0. E no arranque da 2ª parte, podia ter surgido o 2-0, caso o forte remate de Kuca ao minuto 46’ não tivesse sido travado pelo guardião Cristiano Figueiredo.

Mas lá surgiu a lei do ex e com toda a força: num espaço de 4 minutos, Maurides, que tinha jogado no FCA na época passada (15/16), bisou na partida, ao marcar na sequência de dois cantos pela direita (primeiro, marcou de cabeça, depois com um pontapé de pé esquerdo).

E, com isto, a 3ª derrota consecutiva, com o FC Arouca a cair para o 12º lugar, tendo os mesmos 27 pontos e a mesma distância de 7 para os lugares europeus. A vantagem para os lugares de descida era ainda bem folgada, de 11 pontos.

Onze titular: Sinan Bolat (GR), Anderson Luís, Jubal, Velázquez, Nelsinho, André Santos, Nuno Coelho, Nuno Valente, Tomané, Kuca e Mateus

Substituições:

18 – Saiu Nuno Coelho, entrou Adilson Goiano

64 – Saiu Adilson Goiano, entrou Walter González

74 – Saiu Kuca, entrou Sami

Suplentes não utilizados: Rui Sacramento (GR), Hugo Basto, Vítor Costa e Crivellaro

Simão Duarte

Fotos: FC Arouca, Arquivo DD, Vsports e redes sociais dos clubes referidos

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Simão Duarte
Discurso Direto
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