
Quando as chamas deixam de ser visíveis, muitos acreditam que o incêndio terminou. A realidade é bem diferente. É precisamente nesse momento que começa uma das fases mais exigentes e determinantes de toda a operação: o rescaldo e a vigilância. O rescaldo é um trabalho meticuloso, físico e de enorme responsabilidade. Cada foco de calor tem de ser localizado e eliminado para evitar qualquer reacendimento. Para isso, recorremos ao trabalho conjunto dos bombeiros no terreno, utilizando ferramentas manuais, como enxadas, ancinhos e pás, preferencialmente complementadas pelo apoio de máquinas pesadas. Estas revelam-se fundamentais para revolver o solo, desmontar cepos e raízes, remover material combustível e garantir que o fogo não permanece oculto no subsolo ou na matéria vegetal. Nos últimos tempos, temos contado com um novo e importante aliado: os drones do Serviço Municipal de Proteção Civil. Equipados com câmaras térmicas, permitem identificar com precisão os pontos quentes ainda existentes no terreno, orientando os trabalhos de rescaldo para os locais onde são verdadeiramente necessários. Além disso, constituem uma ferramenta de enorme valor na vigilância ativa, permitindo uma monitorização mais eficaz da área ardida e uma deteção precoce de eventuais reacendimentos. É um trabalho muitas vezes invisível para quem observa de fora, mas absolutamente decisivo para o sucesso da missão.
Um rescaldo bem executado é determinante para consolidar o sucesso da operação, pois um único foco de calor não eliminado pode comprometer horas ou até dias de combate e voltar a colocar em risco pessoas, bens e o património florestal. Concluído o rescaldo, segue-se outra fase igualmente importante: a vigilância ativa. Durante este período, mantêm-se meios no terreno, atentos a qualquer sinal de reativação. As temperaturas elevadas, a ação do vento ou a existência de pontos quentes ocultos podem fazer renascer o incêndio quando tudo parecia resolvido. Enquanto Comandante, faço questão de reforçar que o combate a um incêndio não termina quando deixam de existir chamas. Termina apenas quando temos a certeza de que o último foco de calor foi extinto e que toda a área se encontra verdadeiramente em segurança. Naturalmente, todo o trabalho de extinção de um incêndio é intenso, exigente e profundamente desgastante, quer do ponto de vista físico, quer emocional. Por isso, não posso deixar de expressar uma palavra de profundo agradecimento a todos os operacionais envolvidos no combate aos incêndios que têm assolado a nossa área de atuação.
Uma palavra muito especial aos Bombeiros Voluntários de Arouca, que, uma vez mais, têm demonstrado uma fibra extraordinária, uma dedicação inabalável e um espírito de missão que muito nos honra. O empenho, a coragem e a resiliência que diariamente demonstram são motivo de enorme orgulho para todos nós. É nos momentos mais difíceis que se revela a verdadeira grandeza de quem veste esta farda e serve, de forma altruísta e incansável, a nossa população. Porque proteger não é apenas apagar o fogo; é garantir que ele não volta.
Texto e fotos de Sérgio Azevedo, Comandante dos B.V.A.

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