Vasco Seabra em entrevista ao jornal O’Jogo: «Unidos percebemos que podíamos reverter a situação»

Poucos dias após a entrevista ao jornal «Record», Vasco Seabra esteve na redação do jornal «O’Jogo» para nova entrevista sobre a época desportiva, a sua carreira, a maneira como pensa o jogo, entre outros temas.

Vasco Seabra começou por efetuar um balanço da temporada: «Se me falassem o que preferia, diria que uma 1ª volta correspondente à 2ª. Que nos renderia mais pontos. Ficou demonstrada nessa recuperação a capacidade de resiliência que o grupo manteve, a qualidade de construção, conseguindo a equipa nunca se desfazer da sua ideia. Os resultados foram muito diferentes, fomos de antepenúltimo para o 8º lugar. Seríamos 6º pelos pontos da 2ª volta, além de uma mudança radical entre golos marcados e sofridos, com diferencial positivo de 29 para 22. Conseguir isso numa equipa intermédia demonstra a capacidade do FC Arouca competir».

Sobre o período difícil da época, no qual surgiram relatos de que poderia estar de saída, Vasco Seabra salientou a confiança que sentiu por parte do presidente Carlos Pinho e do diretor geral, Joel Pinho. «As pessoas sentiram que tudo o que tínhamos feito de bem na época anterior se mantinha, faltavam apenas os resultados. Unidos percebemos que podíamos reverter a situação e isso ficou explícito numa conversa a 3. Sabíamos quem tínhamos dentro de portas e tínhamos as nossas convicções. Foi vital a nossa tranquilidade e confiança. Nem sempre é necessária a mudança de treinador, quando há valores alinhados. O grupo esteve sempre connosco e a força nasceu aí», referiu.

Questionado acerca do projeto levado a cabo em Arouca há um ano e 8 meses, com duas renovações de contrato, o técnico mostrou-se orgulhoso: «É muito tempo na Liga, foi aqui que bati o meu recorde de jogos por um emblema. Sinto orgulho, havendo um mérito que se reparte entre a Direção e a equipa técnica. Há um conjugação de fatores e diversas coisas foram acontecendo para explicarem esta relação, num clube que está a crescer e a redimensionar-se. Temos visto condições satisfeitas, que passam até por remodelações no estádio. Não vemos o clube como um lugar de passagem, estamos a procurar fazê-lo crescer com uma ideia de jogo apelativa que valorize jogadores».

Sobre o jogar, uma das perguntas feitas ao técnico dos arouquense é se encontrou um equilíbrio na ideia de jogo, dado que começou como tendo um cariz muito ofensivo. «Sou muito apaixonado pela criatividade e isso resulta num jogo ofensivo que implica mais riscos. Mas o meu crescimento passa mais por uma exigência no momento da perda, ao nível da intensidade que deve ser metida em cada ação. Essa foi a maior transformação. Adoro de igual forma o jogador criativo como aquela que se dedica à recuperação. Daí o prazer em Fukui, que se fez o jogador com mais interceções na Liga, sendo ele um talento absurdo», explicou.

Acerca de Taichi Fukui, um dos atletas dos arouquenses mais cobiçados, Vasco Seabra detalhou que existiu um trabalho particular com o médio nipónico, para melhorar no momento defensivo. «Já era tecnicamente soberbo com uma decisão acima da média. Faltava-lhe consistência e presença defensiva. Esse foi o desafio! Não ia crescer ou ganhar 10 quilos, mas podia ser mais agressivo e ter maior abrangência física. Ele conseguiu isso, aumentou a capacidade de deslocamentos e passou a chegar mais depressa. Pelo ChatGPT, mostrei-lhe dados de duelos que precisava que ganhasse. Deu um salto incrível nestes 35 jogos», revelou, perspetivando também que «deve ficar connosco e que 10 milhões são curtos para o valor dele. Vai ser jogador de liga europeia altíssima e capaz de jogar para ser campeão. Quem o contratar, vai quadruplicar o valor na sua venda».

O técnico falou ainda de outros jogadores, tais como:

Arruabarrena – «Já estava adaptado, quando chegou, todos se sentiram confiantes. No 1º treino, viu-se uma aura gigante à volta dele, todos perceberam o que ele podia trazer ao nível de liderança, coragem e agressividade»

Fontán – «Fez uma 2ª volta incrível, tivemos com ele um gatilho de saída fantástico, porque descobre muita coisa e no aspeto defensivo foi altamente competitivo. Está prontíssimo para níveis superiores»

Espen van Ee – «Foi uma descoberta do clube, mostrou-nos uma abrangência fabulosa e estabilizou a equipa com muita energia. Pode ser ainda mais falado, vendo que tem 22 anos»

Lee Hyunju – «Chegou-nos como um talento e transformou-se ao longo da época, muito criativo, mas, defensivamente, passou a lidar melhor com exigências competitivas. Está mais completo e pode melhorar nas aproximações à baliza»

Ainda a este propósito, Vasco Seabra salientou «a consolidação do Trezza e do Djouahra e o Barbero, que também se reencontrou».

Simão Duarte

Foto: Instagram Vasco Seabra

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