
Na edição da Revista Lobos dos meses de março a maio, Cristo González foi o escolhido para a rubrica «Regresso ao Passado» que, tal como o nome dá a entender, é entrevistada uma figura do passado que tenha passado pelo FC Arouca.
O avançado espanhol começou por apontar que a equipa de terras de Santa Mafalda foi um ponto de viragem na sua carreira: «O FC Arouca foi o clube onde consegui atingir o meu nível mais elevado. Deram-me liberdade para jogar o meu futebol e ser feliz. Sinto que tenho uma carreira antes e depois do FC Arouca, onde a tristeza e a incerteza desapareceram e deram lugar à confiança e à vontade».
Confessou, de seguida, que a vinda para o FC Arouca não era algo que tinha em mente. «Lembro-me que o meu agente referir a ideia de jogar numa competição europeia (Liga Conferência). Estaria a mentir se não dissesse que o FC Arouca não era o passo que tinha pensado quando iniciei a minha carreira. Uma pessoa precisa de se mentalizar que nem sempre vamos conseguir estar ao nível mais alto e, depois de passar num clube como o Real Madrid, a mudança será sempre na horizontal ou para baixo. Foi nesse sentido a ida para a Udinese. As coisas não correram como previsto e apareceu o FC Arouca, com a possibilidade de jogar não só o campeonato português como a Liga Conferência. Sem dúvida que, inicialmente, esse foi um dos principais motivos para escolher o FC Arouca», apontou.
A mudança para o fundo do vale arouquense fez-se também como forma de melhorar os registos, dado que, antes disso, havia feito apenas 6 golos no Sporting Gijón, no 4º empréstimo que a Udinese fez a clubes espanhóis. «Entrei com a ideia de fazer grandes números, mas não imaginava que fosse tão bons. A verdade é que as coisas foram fluindo e os resultados foram aparecendo», comentou. E, por falar em resultados, o avançado considerou sentir pena pelo arranque da época, dado que o plantel «tinha qualidade para almejar ainda mais alto».
«Jogávamos com confiança e alegria e os adversários já sabiam que o jogo contra o FC Arouca seria sempre complicado e que a vitória poderia cair para qualquer um dos lados, independentemente da posição na tabela. Tivemos jogos memoráveis, desde goleadas como naquela noite fria em Chaves, a resultados imprevisíveis, como fazermos 4 pontos em 6 possíveis contra o Porto. O entendimento era muito grande e a qualidade do nosso jogo era reconhecida por isso», prosseguiu.
O «ambiente familiar e o grande grupo» contribuíram imenso para o sucesso do atleta e de toda uma frente de ataque que permanecerá na memória dos arouquenses: Cristo González nas costas do ponta de lança Rafa Mujica, Jason Remeseiro pela direita e, na faixa esquerda, Morlaye Sylla formaram a armada espanhola, como o treinador à data, Daniel Sousa, apelidou, no final de um triunfo em casa frente ao Famalicão (3-2).
Ao recordar isto, Cristo deixou elogios a Trezza, que também chegou a Arouca nessa época, mas viveu sempre na sombra de Jason e, agora, está num crescimento fulgurante, tendo sido o melhor marcador da equipa na temporada 25726: «Estávamos bem em campo e era difícil alterar peças. Isso era ingrato para os outros jogadores com menos minutos. O Trezza era um desses, mas nunca o vi desistir ou deixar de treinar a alto nível. Ele merece todo o reconhecimento que está a ter e merece também ter o seu nome marcado no clube, depois de tudo o que fez este ano».
Não escondeu que mantém carinho pelo clube, não descartando um regresso, seja para jogar, seja para visitar. «Foi um lugar onde fui muito feliz e onde demonstrei o meu futebol ao mais alto nível. O clube deu-me muito e eu dei o melhor de mim, penso que foi uma união certeira e perfeita para ambas as partes. Parte de mim ficou em Arouca e tento acompanhar o clube e o campeonato sempre que posso», referiu, concluindo a entrevista com uma mensagem para os arouquenses: «Agradeço o carinho que têm por mim e por também nunca me fazerem sentir esquecido».
Cristo encantou os arouquenses e adeptos de futebol no geral na temporada 23/24, onde contribuiu com 18 golos e 10 assistências nos 42 jogos que realizou. No arranque da época seguinte (24/25), deixou o clube para se reencontrar com o parceiro Rafa Mujica no Al Saad do Catar, um negócio que deixou nos cofres arouquenses pouco mais de 9 milhões de euros, 3 dos quais em objetivos acessíveis, conforme adiantou à data a imprensa desportiva nacional. Ele que, em 2025, recordou a passagem pelos arouquenses ao jornal espanhol «Marca», tendo referido que esteve bastante próximo de rumar ao Sporting.
Simão Duarte
Foto: Pedro Fontes – FCA

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