
Durante muitos anos, era frequente a situação em que um arouquense, de viagem a terras distantes das de Santa Mafalda, ao dizer que era de Arouca, fosse confundido como sendo de Tarouca, cidade pertencente a Viseu, à distância de cerca de 1h40 minutos de Arouca. E se lhe dissermos que há, de facto, uma outra Arouca? Pode parecer mentira, mas acredite, é mesmo verdade.
À distância de um voo de 14 horas, o equivalente a cerca de 12 a 14 mil quilómetros de distância, encontramos uma terra de seu nome Arouca em Trinidad e Tobago. Não há muita informação sobre esta terra, sendo esta a pouca existente, essencialmente na Wikipédia: durante a colonização espanhola de Trinidad e Tobago, chamava-se «San Agustín de Arouca». Já sob colonização francesa, foi uma região de forte aposta em plantações e indústrias (açúcar, café, rum), tornando-se à época um local importante. Depois da abolição da escravatura, Arouca registou uma enorme chegada de antigos escravos, fazendo crescer a população e a localidade. Mas, no final do século XIX, a expansão das linhas de ferro até Sangre Grande, a maior cidade da zona nordeste de Trinidad e Tobago, levou a que muitas pessoas deixassem Arouca. Na 2ª Guerra Mundial, eram um local próximo de uma base aérea americana, o que trouxe novas pessoas e desenvolvimentos na região de estradas e a construção de infraestruturas.
O nome Arouca vem precisamente dessa altura, dado que era uma região onde se encontravam os ameríndios, especificamente os Aruaques, sendo que uma das designações era «Arauca», em tudo igual à atual, com a única diferença a ser a substituição de um «a» por um «o».
Em 2011, tinha uma população de 10,869 pessoas, sensivelmente metade do concelho arouquense, que vem tendo pouco mais de 20 mil. Sabe-se que, à imagem do país, também Arouca tem um misto populacional de pessoas oriundas da Índia (Indo-Trinidadian) e de África (Afro-Trinidadian), bem como uma franja da população que descende de ambas (Dougla).
Diz-se que, atualmente, tem tudo o que se espera que uma vila tenha: escolas, mercados, oficinas, igrejas, bares, parques, lojas, entre outros. Em comparação com a Arouca que bem conhecemos, há algumas nuances: a primeira é a existência de um KFC, a famosa cadeia de fast-food americana especializada no frango frito. Uma Casa Testinha à americana, digamos assim. Mas a principal nuance é a existência de um campo de golfe e de, pelo menos, quatro cadeias e um centro de correção. Até porque as principais notícias que nos apareceram da Arouca de Trinidad e Tobago estão relacionadas com crimes, desde assaltos a contrabando dentro das prisões.
No Google Maps, são muito poucos os locais que têm o nome de Arouca, menos ainda os locais que possuem fotografias ou redes sociais. Conseguimos encontrar um que preencheu ambos os requisitos: a Escola Primária Pública de Arouca («Arouca Government Primary School»), da qual conseguimos obter uma fotografia de uma fachada.
Conseguimos encontrar também cinco figuras de renome:
No que toca a localidades, não há, pelo menos do que pudemos pesquisar, uma terceira Arouca. Sabemos, contudo, que há uma ilha de Arouça/Arousa, na Galiza, com nome muito idêntico.
Claro está que, se fizermos este mesmo exercício de pesquisa quanto a pessoas com nome/apelido Arouca, temos muitas mais Aroucas, como, por exemplo, o médico e político brasileiro Antônio Arouca (1941-2003), Humberto da Silva Frias (nascido em 1951), apelidado de Arouca por ter nascido em terras de Santa Mafalda antes de imigrar para o Brasil (Santos) e ainda o antigo futebolista Marcos Arouca da Silva, que se destacou precisamente no Santos, entre outros tantos.
Simão Duarte
Fotos: Trinidad Now, Google Maps e Arouca Government Primary School

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