FC Arouca recebe o Sporting ao final da tarde, um duelo de Liga dos Campeões

Após a deslocação à Vila das Aves, na qual os arouquenses trouxeram os três pontos na bagagem, a exigência aumenta exponencialmente este fim de semana, já que o FC Arouca vai receber o Sporting CP, 2º classificado da Liga Portugal e que, a meio da semana, venceu o poderoso PSG. Em terras de Santa Mafalda, o duelo entre Lobos e Leões será de Liga dos Campeões, como Rui Borges, treinador dos leoninos, afirmou.

O histórico de confrontos entre as duas equipas está claramente a pender para o lado visitante, com o Sporting a registar 14 vitórias nos 17 duelos para a Liga. As exceções à regra, digamos assim, são dois empates (ambos em Alvalade) e uma vitória do FCA, em casa, na época 2022/23. Arruabarrena, de regresso ao clube e sendo praticamente certa a sua titularidade, bem como Tiago Esgaio, foram titulares nesse encontro, podendo ser hoje também os “amuletos da sorte” para a equipa de terras de Santa Mafalda.

No Sporting, são várias as ausências a registar, contudo, do lado arouquense, são apenas duas: Pedro Santos e Dylan Nandín, ambos por lesão, não vão a jogo hoje. Bas Kuipers vai manter-se em dúvida até ao apito inicial.

Vasco Seabra: “Não podemos jogar com medo, nós temos que lidar com ele”

Na conferência de antevisão ao duelo, Vasco Seabra, treinador dos arouquenses, efetuou a sua análise ao adversário, explicando as diferentes possibilidades em termos táticos e de ideia de jogo que as duas equipas poderão implementar, e abordou também a saída de David Simão. Estas foram algumas das questões colocadas ao técnico.

  • Taticamente falando, quais são as armas do FCA para contrariar o poderio adversário e, mais do que isso, poderem também ser dominantes, como se espera que o Sporting seja?

“A expectativa é sempre nós conseguirmos contrariar o poderio do Sporting, e obviamente transformarmo-nos em protagonistas também, pela forma como somos agressivos a pressionar, como temos a capacidade de, na melhor versão do Sporting, colocarmos a nossa melhor versão e as nossas maiores forças. E naquilo que é o plano de jogo também, procurarmos as nossas estratégias e as nossas fugas para conseguirmos, dentro do nosso padrão e da nossa ideia de jogo, sermos fiéis a ela com uma certeza muito grande que temos que competir acima de qualquer outra coisa.

Passa sempre por competir, por ser altamente agressivo no jogo, tanto defensiva como ofensivamente, para conseguirmos, quanto maior é o desafio também, maior é a oportunidade da gente poder lidar com ele. Portanto, se nós nos queremos desafiar sempre a estar em momentos bons…. Tínhamo-lo dito no final da primeira volta, ou no final dos jogos ditos grandes, que tínhamos um desafio para a segunda volta, que tínhamos que fazer diferente daquilo que fizemos na primeira.

Essa é a sequência para este início de segunda volta. Iniciámo-la bem, iniciámo-la também com um final de primeira volta positivo, em que, em 5 jogos fizemos 8 pontos, nesses 5 tivemos 3 vezes a baliza a zeros. Tudo marcas também de crescimento e de sustentabilidade da equipa.

Reforçando o último jogo, primeira parte muito completa, segunda parte não tão completa. Criando esse frisson para este jogo, da necessidade de sermos altamente consistentes contra um adversário que, como falou, tem muita qualidade individual e coletiva. Uma equipa que joga com muita variabilidade na forma de jogar, tanto defensiva como ofensivamente, tem muito talento individual, um treinador que também venceu o ano passado a Liga, venceu agora o jogo da Liga dos Campeões contra o vencedor da Liga dos Campeões. Portanto, uma equipa altamente motivada.”

  • FCA sofreu goleadas frente aos grandes esta época. Teme que uma nova goleada possa ser uma machadada para a equipa?

“Não olho para essa parte, olho como desafio. É verdade que não estivemos completos e tão bem quanto nos é habitual nos jogos grandes. Nós sabemos que, quando jogamos contra equipas grandes, se as coisas descambam um pouco, podem acontecer esse tipo de infortúnios. Mas mais do que sorte ou azar, tem a ver com aquilo que nós fazemos em campo.

Temos que nos predispor para sermos altamente competitivos para que isso não possa acontecer. Mas, mais do que termos medo disso, não podemos jogar com medo, nós temos que lidar com ele.

A ansiedade natural do jogo é natural, seja este jogo, seja outro qualquer. Lidar com essa ansiedade para o momento positivo, entrarmos nesse estado emocional que nos permite competir, enfrentar o adversário que tem muita valia, mas olhar-nos ao espelho e também sentirmos que temos a capacidade de competir, de sermos fortes naquilo que são as nossas virtudes e naquilo que são as nossas coisas menos boas, transformando-as e sendo altamente capazes nesses momentos.”

  • É esperada uma abordagem mais defensiva do FC Arouca, outra pele, tal como o Sporting fez frente ao PSG?

“Eu acho que se perguntarmos ao Rui Borges, ele queria também dominar o jogo contra o PSG. A vontade dele e dos próprios jogadores seria também a de dominar o jogo, de ter mais vezes a bola do que aquilo que teve e a de conseguir pressionar um pouco mais à frente do que aquilo que conseguiu. E é um bocadinho transversal aquilo que nós também procuramos fazer.

Por vezes, a diferença das equipas acaba por nos empurrar para trás uma ou outra vez, em alguns momentos do jogo. Nós sabemos que vamos ter muitas fases do jogo difíceis, em que o adversário vai ser dominador e, utilizando as suas palavras, nós temos que ser capazes de vestir as diversas capas que temos que vestir dentro do próprio jogo, estando confortáveis nelas. Se tivermos que vestir o fato macaco para defendermos durante muito tempo, mas juntos, competitivos, a sabermos o que temos que fazer, temos que estar preparados para isso e sabemos defender nas três zonas do campo. Na defesa da baliza, mais perto, em bloco intermédio ou em bloco mais alto, a equipa tem que ser capaz de responder a esses três padrões em termos de campo e também tem que ser capaz de sair a jogar curto, mas também sair a jogar longo, se assim o jogo o indicar. Porque, por vezes, o espaço está nas costas, não está perto de nós. Outras vezes, não está longe de nós, está perto de nós.

Temos que saber olhar para o jogo, jogá-lo, mas sendo fiéis a princípios que são altamente determinantes da nossa equipa. Não é por jogarmos um jogo destes que mudamos a nossa filosofia, mas, obviamente, que temos considerações que temos que fazer em função daquilo que é o poderio do adversário.”

  • Saída do David Simão

“Foi uma decisão nossa, de clube. O David teve uma história muito bonita no Arouca, deu muita coisa ao clube. É o jogador com mais jogos (profissionais) na história. Portanto, tivemos todas a oportunidade de privar com ele durante muitos jogos. O David também teve a possibilidade de voltar à 1ª Liga Portuguesa através do Arouca, num momento de fragilidade da vida dele. Portanto, foram duas histórias que se uniram num momento importante para ambas. E, neste momento, acabou por ser uma decisão de saída.

Eu, enquanto treinador, tive o privilégio de lidar com ele e com a qualidade que ele tem. E, portanto, o clube, eu, a título particular e a título também profissional, obviamente, desejo-lhe as melhores felicidades e espero que ele tenha sucesso nas diferentes coisas que vai encontrar pela vida dele.”

Onzes prováveis de FC Arouca e Sporting CP

Simão Duarte

Foto: Simão Duarte

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Simão Duarte
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