Agricultura, agricultura de subsistência e os riscos de extinção

José Casemiro, Presidente da Associação de Agricultores

O testemunho de arouquenses que resistem: José Casemiro e Óscar Rita

Foi assinalado no dia 15 de maio o dia o agricultor, uma profissão que em Portugal está cada vez mais perto da extinção, com a idade média dos trabalhadores cada vez mais elevada e sem apoios.

O DD falou com duas pessoas da área que nos ajudaram a perceber os problemas, a motivação e o que poderia mudar para atrasar o desaparecimento desta atividade.

Óscar Gomes, é agricultor em Arouca e atualmente trabalha mais com a produção de hortícolas e frutas, mas já passou por várias áreas na tentativa de sobreviver nesta atividade. É um trabalho que faz por gosto, mas que atualmente não chega para sobreviver, “eu tive que ir trabalhar e atrás de mim, vão os outros todos”, contou.

Falando das dificuldades da agricultura explica que “a primeira questão é a falta de organização das entidades” que os podiam apoiar refere, e ainda a idade média dos praticantes da atividade, apelando aos apoios que estes necessitam, “a média da idade dos agricultores de Portugal é 64 anos. E acho que 53% ou mais são mulheres. Essas pessoas precisam ser apoiadas.”

Ainda no tema de apoios, contou que esteve em associações, a associação de agricultores de Arouca e a cooperativa, mudando sempre consoante os apoios que necessitava e na procura de melhor, por não receber esses mesmos apoios e por sentir que não zelavam pelos seus interesses.

“Não é falta de dinheiro. É uma opção”

Introduzindo o tema da qualidade de produto e da procura por essa qualidade, Óscar contou “eu tenho produtos que são de uma qualidade totalmente diferente, muito melhor, o que vem de fora não tem qualidade, vem um preço que eu não percebo como é possível vir a centenas de quilómetros chegar aqui a um preço mais barato que o nosso”, referiu. Paralelamente destacou ainda que “as pessoas procuram o barato não é porque não gostam do caro, mas preferem gastar o seu dinheiro em bens materiais, do que em bens para o sustento da boca, que são melhor para a saúde.”

Ao falar da qualidade alimentar e da saúde, um tema de importância é a alimentação das crianças, o agricultor revela uma especial preocupação nesse parâmetro e sugere a possibilidade de implementação de melhores produtos nas escolas, “a trabalhar com a associação de pais, as crianças podiam comer muito bem. Pode ser mais caro, mas ir para a farmácia é mais barato?” deixa a questão completando, “estas escolhas são coisas que se pagam a longo prazo”.

“A agricultura é um setor pobre porque nunca se consegue dar o valor que a ela merece”

José Casimiro, presidente da Associação de Agricultores de Arouca, já trabalhou em algumas das vertentes agrícolas, focando-se muito tempo no setor leiteiro, atualmente está mais virado para área florestal.

“As dificuldades começam sempre na parte superior, portanto, o encaminhamento da agricultura vai por aquilo que os nossos governantes interagem, ou não, com a agricultura”, contou ao DD.

Abordando o caso específico de Arouca, o dirigente revela que “a agricultura na nossa zona não é rentável. Os únicos que conseguem algum sustento são os produtores florestais, com áreas boas, e que por aluguer ou por exploração direta conseguem desenvolver melhor a parte da floresta.” Na agricultura convencional de dia-a-dia “o setor leiteiro, já esta quase a desaparecer”, revelou.

Para tudo funcionar, “é preciso que o agricultor esteja presente duas vez por dia durante algumas horas, na vacaria, e 365 dias por ano, o que para compensar teriam de ter um bom ordenado. Falamos em 800€ de ordenado mínimo, e os agricultores não conseguem tirar isso”, notou.

Ao dialogar sobre estas dificuldades, o entrevistado explicou que a grande motivação para continuar na atividade é a independência, “o agricultor sente-se de certa maneira um industrial, não é dependente de ninguém, é o seu próprio patrão”, além de que os agricultores da atualidade “são pessoas que herdaram a atividade dos pais, e depois custa-lhes deixar os terrenos a monte.”

*Reportagem completa na edição impressa já nas bancas;

 

Óscar Gomes (Rita)-Agricultor

sobre o autor
Ana Margarida Alves
Discurso Direto
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