
Castelo de Paiva lidera o ranking de qualidade de vida da plataforma Analisa.pt, com 77 pontos em 100, numa avaliação que abrange os 308 municípios portugueses. Arouca e Vale de Cambra partilham o 47.º lugar, com 70 pontos, enquanto Cinfães surge na 70.ª posição, com 69. Os quatro concelhos recebem a classificação de «Bom», embora a análise dos indicadores revele diferenças nos rendimentos, na habitação, na segurança e nas condições de acesso a serviços.
A liderança paivense estende-se ao distrito de Aveiro, onde Arouca e Vale de Cambra partilham o sétimo lugar. Cinfães ocupa a 17.ª posição entre os 24 municípios do distrito de Viseu. Apesar de ficar atrás dos outros três concelhos, a distância para Arouca e Vale de Cambra é de apenas um ponto. É nos indicadores económicos que as diferenças se tornam mais evidentes.
Com um rendimento bruto mediano declarado de 9.193 euros anuais, em 2024, Cinfães apresenta o valor mais baixo deste grupo. Em Castelo de Paiva, o indicador atinge 10.693 euros, em Arouca 11.177 euros e em Vale de Cambra 12.274 euros. A diferença entre os concelhos cinfanense e valecambrense supera, assim, os três mil euros por ano.
O poder de compra segue a mesma ordem. Vale de Cambra apresenta um índice de 86,5, Arouca de 75,5 e Castelo de Paiva de 71,2, enquanto Cinfães fica nos 65,6. Na avaliação temática da economia, o concelho cinfanense obtém 32 pontos, abaixo dos 38 atribuídos a Castelo de Paiva e Arouca e dos 40 de Vale de Cambra.
Comprar casa custa menos em Cinfães, mas foi também neste concelho que os preços mais subiram no período de cinco anos indicado pela plataforma. No segundo trimestre de 2026, o valor apresentado era de 772 euros por metro quadrado, uma subida de 63,2%. Em Arouca, o aumento foi de 55%, em Vale de Cambra de 45,1% e em Castelo de Paiva de 36,3%.
Cinfães reúne, portanto, o rendimento mais baixo e a subida mais acentuada do preço de compra entre os quatro territórios. O valor das casas mantém-se inferior ao dos restantes concelhos, mas a leitura dessa diferença exige também considerar os recursos de quem ali vive.
Em Castelo de Paiva, a compra da habitação surge nos 909 euros por metro quadrado, em Arouca nos 1.051 euros e em Vale de Cambra nos 1.200 euros. Para quem arrenda, Castelo de Paiva apresenta o menor valor, de 4,20 euros por metro quadrado, muito próximo dos 4,24 euros de Cinfães. Arouca regista 5,28 euros e Vale de Cambra 5,84 euros. As rendas também aumentaram nos quatro concelhos em cinco anos: 38,6% em Castelo de Paiva, 43,7% em Cinfães, 65,5% em Arouca e 63,6% em Vale de Cambra.
A segurança é um dos resultados mais favoráveis de Castelo de Paiva. O concelho soma 88 pontos nesta área e apresenta uma criminalidade total de 14,3 crimes por mil habitantes, em 2025. Arouca regista 19,3, Vale de Cambra 23,8 e Cinfães 24,2. Todos ficam abaixo da mediana dos municípios portugueses, de 26,9 crimes por mil habitantes.
A evolução recente distingue, contudo, os territórios. Entre 2021 e 2025, a taxa de criminalidade total diminuiu cerca de 15% em Castelo de Paiva e 5,9% em Arouca, enquanto cresceu 38% em Vale de Cambra e 12% em Cinfães. Nos crimes contra o património, Castelo de Paiva apresenta 4,7 ocorrências por mil habitantes, Arouca 5,4, Cinfães 6,7 e Vale de Cambra 9,4.
A educação oferece um retrato mais favorável de Cinfães. A taxa de transição e conclusão atingia 98,5% em 2024/2025, o melhor resultado dos quatro concelhos, seguindo-se Castelo de Paiva, com 97,7%, Vale de Cambra, com 96,6%, e Arouca, com 95,4%. As taxas de retenção e abandono também ficam abaixo da mediana municipal de 3,2%: Castelo de Paiva apresenta 1,1%, Arouca e Cinfães 1,3% e Vale de Cambra 1,7%.
Estes resultados coexistem com notas temáticas da educação entre 35 e 38 pontos. A avaliação reúne também indicadores de oferta e acesso ao ensino, pelo que a pontuação desta área não deve ser confundida com uma classificação dos resultados dos alunos.
Vale de Cambra obtém a melhor avaliação do grupo na saúde, com 60 pontos, seguido de Castelo de Paiva, com 58, Cinfães, com 56, e Arouca, com 54. No indicador de utentes do SNS com médico de família, as fichas apresentam 100% para Castelo de Paiva e Cinfães e 98,1% para Arouca e Vale de Cambra, com referência a junho de 2026.
As pontuações das infraestruturas variam entre 65 e 70 pontos, mas os acessos fixos à Internet mostram uma diferença entre Vale de Cambra, com 38,5 por cada 100 habitantes, e Cinfães, com 30,6. Castelo de Paiva regista 33 e Arouca 32,8, nos dados de 2025. Trata-se de um indicador do número de acessos, distinto da percentagem de população com ligação à Internet.
O envelhecimento é outro desafio partilhado. Em 2025, Vale de Cambra apresentava 269 idosos por cada 100 jovens, Cinfães 256, Arouca 226 e Castelo de Paiva 222. Os quatro concelhos registaram mais mortes do que nascimentos, com saldos naturais negativos de 167 pessoas em Vale de Cambra, 148 em Cinfães, 131 em Arouca e 55 em Castelo de Paiva.
Os indicadores ambientais combinam clima, qualidade do ar, água e resíduos. Vale de Cambra recebe 47 pontos nesta área, Arouca e Cinfães 45 e Castelo de Paiva 41. Na água segura, Cinfães apresenta 100% e Castelo de Paiva 99,7%, com dados de 2024.
No alojamento turístico, Arouca dispõe da maior capacidade deste grupo, com 311 camas, seguindo-se Cinfães, com 245, Castelo de Paiva, com 222, e Vale de Cambra, com 155. A taxa de ocupação total indicada para 2025 é, porém, mais elevada em Castelo de Paiva, com 39%. Cinfães regista 27,5%, Arouca 22,5% e Vale de Cambra 18,7%. São indicadores da atividade de alojamento, que não medem, por si só, a atratividade turística dos concelhos.
As contas municipais acrescentam diferenças à comparação. Cinfães apresenta o maior investimento por habitante, de 298 euros em 2024, à frente de Castelo de Paiva, com 253 euros, Arouca, com 234 euros, e Vale de Cambra, com 146 euros. No prazo médio de pagamento indicado para 2025, a ordem altera-se: Vale de Cambra regista cinco dias, Castelo de Paiva oito, Arouca 12 e Cinfães 15.
A classificação global exige, ainda assim, um enquadramento. Os resultados correspondem ao perfil «Explorador», a configuração inicial do Analisa.pt, com 33 indicadores ativos numa base que disponibiliza 232. A criminalidade e os esforços de compra e arrendamento estão entre os indicadores com maior peso. O rendimento declarado, o poder de compra, as finanças municipais, o turismo e a proteção social constam das fichas, mas não entram diretamente como indicadores ativos nesse perfil.
A plataforma recorre a fontes como INE, PORDATA, SNS, IEFP, DGAL, ERSAR e ANACOM, além de informação geográfica do OpenStreetMap. As fichas assinalam atualização a 28 de outubro de 2026, embora os dados correspondam a anos e períodos diferentes. As posições resultam dos critérios e pesos definidos pelo Analisa.pt e podem mudar com o perfil escolhido. Trata-se de uma classificação da plataforma, não de um ranking oficial atribuído pelas entidades estatísticas.
Fonte: Analisa.pt
Pedro Gonçalves

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