Vítor Severino, treinador do FC Arouca: «Estou extremamente feliz, tenho um grupo feliz e motivado para o que vem»

As palavras do treinador dos arouquenses depois do triunfo em Alverca

Vítor Severino cumpriu o seu 3º jogo no comando técnico dos arouquenses e conquistou a 3ª vitória pelo FC Arouca. Após o triunfo, pela margem mínima (0-1) no terreno do Alverca, o técnico abordou os pormenores da partida na conferência de imprensa pós-jogo.

Estes foram os temas abordados:

  • Análise à partida

«Em primeiro lugar, destacar o espírito da minha equipa, por tudo o que fez durante a semana, a forma como preparou o jogo, como entendeu a mensagem e conseguiu chegar aqui e ganhar um jogo extremamente difícil»

«Eu disse há pouco e volto a dizer. Ter um jogador a mais não garante vitória, ter um jogador a menos não garante derrota.  Mas obviamente que fica… é muito ingrato. Consigo colocar-me na pele do meu colega. E o que eu disse aos jogadores mesmo ali no final foi muita calma. Coloquem-se na pele de quem perdeu o jogo e quem teve um jogador a menos o tempo todo. Tudo pode parecer provocação».

«Claro, é óbvio que há coisas normais no futebol. Mas uma mensagem muito clara de saber que nos conseguimos colocar do outro lado.»

«E, portanto, obviamente que facilitou a nossa tarefa. Nós gostamos de jogar, de ter bola, de procurar espaço. Com um jogador a mais e eles com um jogador a menos, passa a haver mais espaço».

Parte muito positiva, não abdicámos dessa nossa forma de jogar. Fomos à procura de marcar mais golos. Não conseguimos, mérito também do adversário. Que é extremamente perigoso atacar espaços e continuava a ser perigoso atacar espaços, com um a menos».

«Essa sempre foi a mensagem do intervalo. Porque naturalmente, e por vezes inconscientemente, acontece essa questão. Aqueles lugares comuns do futebol que é: “Eles agora estão com a menos, já não precisamos de fazer isto ou de fazer aquilo”. E a mensagem foi muito clara. Vamos fazer exatamente a mesma coisa».

«A forma como nos vamos posicionar, para poder saltar com o nosso lateral a pressionar para fora, com uma proteção maior do corredor central. Com uma missão ligeiramente diferente para o Espen (van Ee) hoje, para o Taichi (Fukui) e para o próprio Pedro Santos».

«Uma abordagem estratégica que resultou, mas que, obviamente, tenho a capacidade de admitir que foi facilitada pelo facto de termos um jogador a mais».

«Isto pode parecer um paradoxo, e não quer ser mal interpretado, mas o facto de terem ficado com um jogador a menos é mérito também da forma como posicionámos, porque provocámos muitas vezes o erro, a perda. E eles tiveram que fazer falta. Acaba por ser um lance para cartão, sem dúvida, mas provocado pela forma como nós encurtámos espaços».

«Uma vitória justa, merecidíssima. Fomos justos vencedores. Com alguns aspetos de melhoria. Principalmente no nosso jogo posicional e no momento de posse de bola».

«Há sempre algo para otimizar. Seremos sempre nós contra nós. A mensagem foi muito clara. Agora, é continuar com esse espírito que a equipa tem, a forma como trabalhou».

«Eu disse antes do jogo e vou reforçar aqui aquilo que eu disse aos jogadores. Não há certezas de vitória nem de derrota. Porque no futebol às vezes joga-se muito bem e perde-se. Joga-se muito mal e ganha-se. Mas uma certeza única que eu tenho neste momento é que a decisão de ter vindo para este projeto foi a melhor decisão que eu podia ter tomado. Nestes últimos 15 dias, estou extremamente feliz, tenho um grupo feliz e motivado para o que vem».

«Sabendo que agora o mar está calmo. Mas momentos difíceis irão chegar. E é mais fácil atravessá-los se a equipa estiver unida. E entender que há uma mensagem, um modelo, um estilo de jogo que eles já tinham e que nós viemos apenas também otimizar e trazer algumas nuances específicas nossas».

  • Importância do Taichi Fukui

«A importância de qualquer jogador, obviamente que há uns que se destacam mais. Que têm mais algumas variáveis de rendimento, mais passes ou mais golos».

«Ele hoje recebe o prémio de homem do jogo. Ele é muito importante e hoje teve uma missão também diferente, soube interpretá-la. Jogamos numa estrutura (de meio-campo) 2+1. O Pablo acabou por sair da equipa por uma questão meramente estratégica, pela forma como queríamos ocupar o meio».

«O Taichi (Fukui) acaba por ser mais nº8-10. O Pedro (Santos) acaba por ser mais nº 6-8. E o Espen (van Ee) mais nº 6 no jogo. Uma assimetria no meio-campo que trouxemos, tendo em conta aquilo que era o jogo. Achávamos que era a chave para podermos vencer».

«E o Taichi foi muito importante, tal como o Pedro (Santos), o Espen (van Ee), tal como o Mateo, que não tinha entrado ainda».

«São todos importantes. Não é conversa de querer ser politicamente correto, é verdade. São todos muito importantes, uns com mais rendimento do que outros em termos de números. Mas, num grupo que se quer unido, como é o caso do grupo que tenho ali no balneário. São todos iguais, são todos importantes».

  • Um maior pormenor tático, no seguimento da questão anterior

«Quando nós jogamos numa estrutura mais 2-1, com o Pablo a jogar como 10, por exemplo, a ocupação do próprio Fukui é menos entrelinhas e mais de frente para o jogo. E tem menos chegada à baliza. Porque, na minha estrutura ou na estrutura que nós trouxemos do jogo posicional da construção, ele ficava mais baixo no primeiro momento de atração para depois poder aparecer de cara».

«Hoje, tendo em conta a forma como nós queríamos pressionar por fora, deixamos o Espen (van Ee) ligeiramente mais perto dos nossos centrais para poder, por vezes, sem jogarmos com uma linha de 5, ele ocupar por dentro para o lateral poder saltar fora. E, por isso, o Pedro (Santos) estava mais perto do Espen (van Ee) e o Fukui estava mais perto do Barbero».

«Ele aqui tem mais chegada na baliza, participa menos no momento de construção e tem essa entrada de segunda linha que ele faz, esse movimento a rasgar, é uma coisa que ele pode fazer mais vezes se jogar mais nesta posição. Mas isso vai ter a ver com nuances estratégicas do jogo. Não quer dizer que hoje ganhamos e ele vai jogar sempre ali».

«A estrutura, na verdade, não é uma coisa muito importante. Tenho passado essa mensagem aos jogadores. Fala-se muito da estrutura, do 4x4x2 ou 4x3x3, mas existem muitas estruturas iguais, mas não existem duas dinâmicas iguais. Não existem duas dinâmicas 4x4x2 ou 4x3x3 não iguais. E hoje nós montámos uma específica para este jogo, que resultou».

A minha conferência fica muito mais fácil, porque tudo o que eu disser, parece que é fabuloso, mas não é bem assim. Já disse e volto a dizer que me coloco na pele também de quem está do outro lado, porque jogar com um a menos é difícil».

«A minha equipa quer ter bola, já o demonstrou e fica mais fácil quando há mais espaço. E o Taichi (Fukui) ali tem mais chegada e (quando está) mais baixo tem mais construção. Ele está disponível para jogar em qualquer posição. E eu fico extremamente feliz com isso».

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

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Simão Duarte
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