
Dado o surgimento do ADR Alvarenga, o novo clube da Capital do Mundo e do Bife, foi inevitável pensar no GDSC Alvarenga, clube cuja existência terminou em 2022, ao cair do Campeonato de Portugal para as distritais da AF Aveiro (concretamente, o Campeonato SABSEG).
Nesse sentido, para além de traçarmos a sua história, um artigo que poderá ler no nosso site, fomos ao encontro de duas figuras que passaram pelo clube: o treinador Hugo Oliveira, que orientou o clube entre 2019 e o início de 2022 (tendo sido o obreiro das subidas da I Divisão para o SABSEG e também para o CP) e o guarda-redes Hugo Carvalheira, que esteve no clube na última época do mesmo, tendo sido o titular na reta final.
Nesta entrevista, originalmente publicada na edição 626 do nosso jornal, referente a abril de 2026, temos o essencial das conversas que tivemos com Hugo Oliveira e Hugo Castanheira.
Para além da estrutura do clube e da SAD, bem como os sucessivos plantéis, há um nome coincidente aos maiores sucessos desportivos do clube na reta final da sua existência: o treinador Hugo Oliveira. Recebemo-lo na nossa redação e fez questão de nos oferecer uma credencial e uma das camisolas da festa da subida ao CP.
Inicialmente, recusou o convite para treinar o Alvarenga, mas, após ter-lhe sido apresentado o projeto, demorou algum tempo, mas acabou por aceitar. Montou um plantel com «jogadores da minha confiança, um plantel grande», a pensar no desenrolar da época 19/20, que tinha o objetivo da subida. «O que foi pedido, no primeiro ano, obrigatório era subir de divisão, independentemente do lugar. Todos sabíamos dessa responsabilidade.». O campeonato parou, por conta da pandemia, mas o Alvarenga subiu ao SABSEG, em 3º lugar.
A segunda época (20/21) foi ainda melhor, com a subida ao CP. O campeonato foi parado nas primeiras jornadas, novamente pela pandemia, com o Alvarenga, à 8ª jornada, ainda invicto. Seguiu-se uma liguilha, onde chegaram à final em Aveiro e bateram o União de Lamas, fazendo história. «Aquela época foi muito bem preparada, até mesmo a questão do plantel ser mais curto ao início», começou por referir o técnico, salientando também a ausência do experiente Artur nos primeiros jogos. «Quando é a eliminar, num dia menos bom, tudo pode acontecer, mas nós acreditávamos. Quando eles decidem avançar pelos grupos, nós acreditamos mesmo que seria possível, tanto que na última jornada com o Oliveira do Bairro, já estamos apurados, nós e eles, e começa-se aquela envolvência. Há dois jogos, a final, porque é a final, mas para mim o jogo do Estarreja é o marcante, em que nós sentimos mesmo confiança, porque nós estamos a perder, e em 2, 3 minutos viramos o jogo, foi ali um espírito de equipa», apontou, falando logo de seguida da final e de como ninguém, exceto o Alvarenga clube e as suas gentes, acreditam em si: «Toda a gente dizia nesse ano que o U.Lamas é que subia, eu lembro-me em entrevistas, e eu disse isto ao grupo na altura, nunca tocaram no Alvarenga, ninguém contava connosco, tanto que na final, nunca se deu grande relevo ao Alvarenga, mesmo o número de bilhetes que foram disponíveis para o Alvarenga, não tem nada a ver do que foram para o U.Lamas. Foi um prémio muito justo, muitos sentimentos, até à data, a época que mais prazer, mais gosto me deu.»
Também esteve no clube na histórica época de CP, a última. A boa pré-época e o arranque da época 21/22 deram confiança de que a manutenção era possível: «Éramos competitivos e jogávamos bem. A partir do momento que começam os problemas, em vez de estarmos preocupados com o treino e com o jogo, já estávamos preocupados com outras coisas. Os jogadores já vinham para o treino já me vinham perguntar coisas que não tinham nada a ver com o treino e com o jogo. Custou sair, mas sabia-se qual seria o fim daquela época, os jogadores também sabiam.»
O testemunho de Hugo Carvalheira é bastante marcante, na medida em que só esteve no Alvarenga precisamente na época em que o clube disputou o CP e encerrou atividade. Hugo, guarda-redes, vinha de uma experiência que não o satisfez em Lisboa, indo para o Alvarenga a convite do mister Hugo Oliveira, com quem já tinha trabalhado.
A sua estreia foi à 7ª jornada da fase regular, estando à data o Alvarenga em 4º lugar, a 5 pontos da liderança, o que alimentou outros sonhos. «Quando entrei, a realidade era para garantir a manutenção. As coisas começaram a correr bem, a distanciar dos lugares de descida, com uma série de vitórias (…) Tenho pena a forma como estava na altura os quadros competitivos, porque tenho a certeza que íamos conseguir ficar nos 5/6 primeiros».
Confirmando-se a presença na fase de manutenção, num grupo exigente (com Valadares Gaia, Gondomar e Espinho), as fichas de jogo contavam apenas com 14/15 jogadores, o onze titular e 4 ou 5 no banco. Tempos de extrema dificuldade, mas onde os jogadores que ficaram no “barco” não deixaram de lutar. «Os salários começaram a atrasar e alguns jogadores saíram. Críamos uma família, apesar das dificuldades, tivemos que nos ajudar uns aos outros, principalmente a malta estrangeira», começou por referir, exemplificando a resiliência do curto plantel que concluiu a época: «Há um jogo com o Gondomar, ainda na fase regular, em que só tínhamos 12 jogadores, apanhamos todos COVID, mas ganhamos».
Simão Duarte
Foto: Pedro Gonçalves (esq) e Hugo.C – Borges (dir)

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.