Arouca Cuida-me quer reforçar apoio aos animais abandonados no concelho

Há cerca de dois anos, várias pessoas que já ajudavam animais abandonados em Arouca decidiram juntar esforços. Dessa união nasceu o Arouca Cuida-me, atualmente formado por 11 pessoas que se preparam para constituir a associação. Além destas, o grupo conta ainda com vários voluntários que, de forma pontual ou regular, ajudam no terreno.

Karina Costa, fundadora e futura presidente, já colaborava com outra associação quando percebeu que também em Arouca havia animais a precisar de ajuda. A ideia foi procurar outras pessoas dispostas a intervir. «Por que não juntar aqui pessoas que gostam de animais e ver o que dá?», recorda.

Uma delas foi Isabel Keefer, que assumirá a vice-presidência. Depois de regressar da Suíça, onde também esteve ligada à proteção animal, começou a encontrar famílias sem condições para cuidar dos animais que tinham em casa. «Ela ajudava animais por um lado, eu ajudava animais por outro. Juntarmo-nos era mais fácil», explica.

Além das 11 voluntárias, outras pessoas colaboram no transporte dos animais, na organização de iniciativas solidárias e no acompanhamento de colónias. Conciliar estas tarefas com o trabalho e a vida familiar continua, no entanto, a ser um dos principais desafios.

Os pedidos de ajuda estão relacionados sobretudo com gatos. As responsáveis falam em colónias descontroladas, ninhadas indesejadas e animais abandonados, problemas que associam à falta de esterilização. «A nossa missão, neste momento, é fazer o máximo de esterilizações possíveis para controlar estas colónias», explica Karina Costa.

O trabalho passa por capturar os animais, transportá-los até à clínica e garantir os cuidados necessários. Sempre que possível, as voluntárias procuram famílias que os adotem. Quando isso não acontece, os gatos podem regressar ao local de origem e continuar a ser acompanhados por quem já os alimentava.

No entanto, a captura pode demorar semanas ou meses e exige a colaboração de moradores e cuidadores. «Não é chegar lá, pôr uma armadilha e apanhar os animais. É preciso disponibilidade e a ajuda das pessoas que estão no terreno», refere a fundadora.

Em alguns casos, as intervenções revelam também as dificuldades enfrentadas pelas famílias. «Já não é a primeira vez que vamos por causa de um cão e acabamos por doar roupa às pessoas», conta Isabel Keefer.

Para as voluntárias, a proteção dos animais e o apoio às famílias podem andar lado a lado. «Uma coisa não impede a outra», sublinham.

Falta de espaço e despesas condicionam trabalho

Sem instalações próprias para acolher animais, o Arouca Cuida-me depende de famílias de acolhimento e das casas das voluntárias. O grupo suporta também as despesas de dois cães que permanecem num hotel para animais. E, desde o início da atividade, os custos com cuidados veterinários já ascenderam a dezenas de milhares de euros, estimam as responsáveis. A estes encargos juntam-se outras despesas regulares, como alimentação, combustível e materiais.

Para fazer face a estes custos, as voluntárias recorrem a donativos, iniciativas solidárias e a venda de artigos oferecidos pela população. A feira solidária tem sido uma das principais formas de angariar fundos sem depender exclusivamente de pedidos de ajuda.

Mesmo com estas iniciativas, a capacidade de resposta tem limites, sobretudo quando existem tratamentos por pagar. «Custa-nos, mas temos de ter noção daquilo que conseguimos assumir. Nunca vamos poder ajudá-los a todos», reconhece a fundadora.

Grupo defende maior articulação com o município

Nas redes sociais, o Arouca Cuida-me tem chamado a atenção para a necessidade de uma resposta municipal mais eficaz. Entre as preocupações apontadas estão o controlo das colónias de gatos.

As responsáveis rejeitam, contudo, a ideia de um conflito com a autarquia. «O objetivo desta associação não é criar guerras com ninguém. Vamos precisar de todos», afirma Karina Costa.

O grupo tem reunido com responsáveis da Câmara Municipal e reconhece que já houve avanços. Na zona de São Pedro, por exemplo, o município assumiu a esterilização das fêmeas de uma colónia de gatos, enquanto as voluntárias suportaram os custos associados aos machos.

As responsáveis destacam ainda a existência de uma resposta para animais acidentados e a aquisição de uma viatura preparada para o seu transporte. «A relação não é má. Nós gostávamos era que a Câmara fizesse mais», explica Isabel Keefer.

A recente contratação de uma nova médica veterinária municipal é também apontada como uma oportunidade para melhorar esta articulação. Por isso, à data da entrevista, as voluntárias preparavam-se para reunir com a profissional e apresentar algumas propostas.

Uma das principais dificuldades continua a ser a falta de respostas para os gatos. O Canil Intermunicipal da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, em Oliveira de Azeméis, recebe apenas cães. A própria Câmara de Arouca reconhece, no seu site, que não dispõe de meios nem de condições para alojar felinos.

O grupo defende, por isso, a criação de um programa de Captura, Esterilização e Devolução (CED), que permita acompanhar as colónias e organizar o trabalho dos cuidadores informais.

O Arouca Cuida-me pretende também continuar a sensibilizar as crianças nas escolas, onde já tem participado em atividades sobre o abandono, a adoção responsável e os cuidados a ter com os animais.

Com a formalização da associação, as responsáveis esperam organizar melhor este trabalho e reforçar a colaboração com o município e a comunidade. «Esperamos que, em conjunto, consigamos encontrar estratégias que sejam mais fáceis para todos», afirma Karina Costa.

 

Pedro Gonçalves e Simão Duarte

sobre o autor
Pedro Gonçalves
Discurso Direto
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