Vasco Seabra em entrevista ao jornal Record: «Quero deixar uma marca no FC Arouca na forma de jogar e competir»

O treinador do FC Arouca, Vasco Seabra, foi a grande entrevista da edição nº17183 (que saiu no início de junho) do diário desportivo «Record», com o técnico a abordar temas como a temporada 25/26 pelo FC Arouca, o que está por vir na próxima época e ainda individualidades do plantel.

A primeira questão que lhe foi colocada apontava para a transformação realizada na 2ª volta do campeonato, algo que Vasco Seabra confessou nunca ter vivido na sua carreira: «Nunca tinha vivido. Esse foi também um momento importante tanto para o meu crescimento como para a nossa capacidade de conseguirmos reverter, advindo das pessoas que lideram o clube, porque mantiveram a confiança. Conseguimos provar que é possível termos momentos menos bons para conseguirmos, depois, ser mais fortes. Foi uma 2ª volta realmente muito forte. Fomos a 6ª equipa com mais pontos na 2ª volta, tivemos muitos golos marcados e passámos de uma das piores defesas para uma das melhores».

Numa publicação nas redes sociais, o técnico havia apontado que a equipa nunca perdeu o compromisso, a coragem e a vontade de crescer. «Foi esse espírito, transformamo-nos todos ainda mais na adversidade para conseguirmos cair e levantar. A equipa nunca perdeu o norte e os jogadores sabiam que o propósito iria ser atingido desde que nos mantivéssemos fiéis ao caminho. (…) Isso adveio do treinador e equipa técnica, mas muito da consistência da equipa e também da administração e do presidente, que em momentos pontuais teve uma assertividade muito grande na forma como falou com o grupo. Foi assim no final do jogo com o Sporting. Apesar da derrota aos 90+5’, o seu discurso no balneário foi muito forte e motivou a equipa», complementou.

Vasco Seabra confessou também que nunca sentiu o seu lugar em risco, apesar dos «momentos difíceis, como a eliminação da Taça ou, logo a seguir, jogos com expulsões precoces», pois há um apoio total de Carlos Pinho, presidente, e de Joel Pinho, diretor-geral. «Temos uma relação muito honesta e frontal, eles respeitam o meu trabalho e as minhas decisões. Contrataram-me porque confiaram. Nunca senti que desconfiassem das minhas opções», confidenciou, apontando logo de seguida uma prova inequívoca dessa confiança, a renovação do contrato: «No nosso contrato havia uma cláusula de renovação automática se terminássemos no lugar em que terminámos, mas a demonstração de confiança do Joel e do presidente ao anteciparem o vínculo, quando isso ainda era duvidoso, diz o que querem para o clube e o que esperavam de nós».

Entusiasta pelo jogo, e prova disso são as respostas que dá nas conferências de imprensa quando questionado sobre o mesmo, Vasco Seabra mostrou o desejo de «deixar uma marca no FC Arouca na forma de jogar e competir, na forma de vender os jogadores, criando uma identidade clara». Sobre a próxima época, referiu que não foram falados objetivos concretos, dado que «a ambição interna é sempre tão grande que nem é preciso pedir. Se pudermos ficar em 1º, não ficamos em 2º. Mas vivemos um jogo de cada vez, queremos fazer mais pontos que na época anterior sem perder o foco».

Sobre o papel dos reforços de inverno, apontou que «foram ajustes necessários para acelerar a evolução», confessando que, perante a evolução da equipa quando muitas equipas estavam em quebra, «sentíamos que, com mais jogos, iríamos saltar para posições mais acima» se houvessem mais umas jornadas pela frente.

Quanto às saídas nesse mesmo mercado de janeiro, a mais sonante foi a de David Simão, com o treinador a salientar que «o David tinha um peso grande e deu-nos muito, ao FC Arouca e a mim», mas «sentimos que era o momento de tomar decisões, porque estava a ficar complicado para ele, para o Alex Pinto, o Jansonas, o Solà ou o Mantl». «São saídas difíceis de aceitar, mas há um propósito acima de tudo e eu sou pago para tomar decisões. Foi uma decisão rápida, de 24 horas, olhando para o que precisávamos para crescer», explicou.

Confessou que existiu a «expetativa» de Trezza ser chamado para ir ao Mundial, pela seleção uruguaia, e também considerou ser «difícil compreender a não chamada ao Japão» de Taichi Fukui. Destacou também Espen van Ee, apontando que foi o jogador que mais o surpreendeu no clube.

Para concluir, destacamos uma questão relacionada com o mercado de transferências e o interesse alheio em jogadores da equipa de terras de Santa Mafalda, dado que o técnico foi questionado se disse a algum jogador para não atender o telefone durante as férias.

«Brinquei com alguns, não vou esconder. É difícil falar com ele, mas brinquei muito com o Fukui, dizendo-lhe que não ia ter chances de sair porque ia falar mal dele para que ninguém olhasse muito para ele. Ele teve uma evolução tremenda. Também brinquei com o Lee Hyunju, disse-lhe ‘Vais para a Coria, mas voltas’. Com o Djouahrra, com o Trezza, com o Pablo, uma série deles!», foi a resposta do treinador à questão.

Simão Duarte

Foto: Liga Portugal

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