Tiago Esgaio, capitão do FC Arouca, à Revista Lobos: «Este clube tornou-se casa e merece coisas muito boas»

O capitão dos Lobos de Arouca, Tiago Esgaio, foi o escolhido para a grande entrevista da mais recente edição da Revista Lobos, a revista digital do FC Arouca proporcionada pelo departamento de comunicação do clube, liderado por André Nogueira.

Natural da Nazaré, começou no clube local a sua formação, mudando-se de seguida para a capital de distrito, Leiria, onde foi campeão de juniores C (sub-15) na época 2009/10. Foi para lá vindo do Sporting, onde não ficou «devido à minha estatura, por ser muito pequeno». Concluiu a formação no Rio Ave, porque sentia que «precisava de um novo projeto, mais desafiador. Optei por ir para longe, sozinho, para crescer ainda mais como jogador e pessoa».

Estreou-se como sénior no Caldas em 2014, que militava no Campeonato de Portugal (CP), como médio. «Na altura, o Rio Ave queria que eu fosse jogar para a sua equipa satélite, que jogava a mesma divisão. Para jogar no mesmo campeonato, entre estar longe ou perto de casa, preferi ficar perto e acabar a escola, que também era um objetivo meu», relatou.

Por lá ficou nas épocas 14/15 e 15/16, com bons números (8 golos em 66 jogos), até mudar-se para o Torreense, onde se superiorizou: 13 golos e 7 assistências num total de 94 partidas em 3 temporadas. Mudou-se para Torres Vedras «no sentido de me mudar para um clube perto de Lisboa, para chamar à atenção dos clubes em redor, que disputavam as divisões acima».

Com a mudança para a Primeira Liga aos 24 anos de idade, para o já extinto B SAD, deu-se também a transição de médio para lateral direito, permanecendo nessa posição até aos dias de hoje (mesmo que, nos arouquenses, ainda tenha jogado a lateral esquerdo). «Chego à Primeira Liga ainda como médio, onde faço jogos nessa posição e, curiosamente, contra o Sporting (onde jogava o irmão Ricardo Esgaio), os nossos dois defesas direitos estavam indisponíveis. O treinador optou por mim. Perdemos o jogo, mas, individualmente, o jogo correu-me muito bem e, a partir daí, nunca mais saí de defesa direito».

Chegou a terras de Santa Mafalda na temporada 21/22, quando o FCA havia regressado à Primeira Liga. Veio por empréstimo do Braga, a poucos dias do fecho do mercado, tendo feito apenas 1 encontro pelos bracarenses. «Tinha sido contratado pelo Braga, mas no fim desse mercado, penso que já só faltavam 2 semanas para fechar, quando o Braga me disse que já não contava comigo. Foi aí que surgiu o FC Arouca. Olhei para o FC Arouca, para o plantel e pareceu-me um bom desafio, também porque estava numa idade em que queria e precisava de jogar. Fui contactado pelo Joel Pinho, acreditou em mim. A ele e ao clube, estou eternamente grato», confidenciou.

Voltou a ser emprestado pelos bracarenses aos arouquenses nas épocas 22/23 e 23/24, até assinar em definitivo no arranque da temporada 24/25. Um negócio que os arouquenses fecharam por 200 mil euros, por metade do passe, e que foi o concretizar de um desejo de ambas as partes, arouquenses e jogador. «Acho que as coisas andaram bem, tanto a mim como ao clube, e seguiram o seu curso natural. Este clube tornou-se casa. Fiz aqui muitas amizades, que espero e acredito que irie levar para o resto da vida. Acho que também já me estou a tornar uma referência no clube. O meu objetivo é deixar o clube estável e conseguir disputar o máximo de jogos. Temos de pensar em grande. Acho que este clube merece coisas muito boas».

Um dos momentos de sucesso do clube em que registou intervenção direta foi na histórica Final Four da Taça da Liga, pois foi Esgaio quem desbloqueou o resultado em Moreira de Cónegos e permitiu a qualificação dos arouquenses e a ida para Leiria, o distrito onde a sua terra, Nazaré, se localiza.

«O golo deste ano frente ao E.Amadora e o da temporada passada frente ao AFS foram especiais, porque nos deram um boost para ficarmos na Primeira Liga. Mas o golo frente ao Moreirense, que nos garantiu a passagem à Final Four da Taça da Liga, tem um sabor especial. Primeiro porque era um jogo a eliminar, fora de casa, e depois pelo golo que foi, também bonito. Acho que o clube ter tido a oportunidade de disputar aquela Final Four em Leiria graças a esse simples momento e gesto torna todo este acontecimento ainda mais especial», relatou.

No que diz respeito à sua dinâmica dentro de campo, Esgaio considera que uma das suas principais qualidades é a versatilidade: «É um dos meus pontos fortes, pelo facto de conseguir jogar e perceber o jogo nessas várias posições, creio que me ajuda a ter mais oportunidades e minutos. Também acho que, hoje em dia, os treinadores gostam mais disso, daí também ser cada vez mais comum encontrar esses jogadores que conseguem ser competentes em várias posições. Se foi melhor ou pior, não sei, mas estou muito orgulhoso do meu trajeto até agora».

Declarou também que, dentro de campo, é «um jogador comprometido, aguerrido, quer sempre mais. Não gosto de perder nem a feijões. Sou exigente comigo e com os outros, mas, especialmente, comigo. Além disso, sou uma pessoa com os pés bem assentes na terra». Fora dos relvados, é «brincalhão, um pai babado e, sobretudo, uma pessoa simples que se dá bem com todos e é de bom trato. Gosto muito de conviver com outras pessoas».

Por fim, sobre a época que agora terminou, relatou que «não foi fácil» e recorreu a exemplos passados. «Quando o arranque corre bem, acho que a temporada se vai desenvolvendo por si própria. A confiança também é outra. Temos o exemplo do mister Armando Evangelista, que acabamos nas competições europeias e onde o arranque foi ótimo. Porém, infelizmente, os nossos arranques nos últimos anos não têm sido fáceis», recordou.

Mas Tiago Esgaio consegue ver também a outra face da moeda: «Por outro lado, acreditamos sempre no processo e nas ideias de jogo dos treinadores. Os grupos que tenho apanhado também são um dos motivos que torna este clube tão especial. Sempre acreditamos uns nos outros e sabíamos que iria acabar por correr bem». Concluiu a entrevista com uma mensagem para os adeptos, agradecendo-lhes «pelo apoio até ao final».

Com 148 encontros pelos arouquenses, Tiago Esgaio é o 4º jogador com mais jogos profissionais pelos arouquenses, ficando apenas atrás de Nuno Coelho (174), André Bukia (175) e David Simão (222). Se for titularíssimo, pelo menos, em todos os encontros da Liga na época 26/27, chegará ao 2º posto desta tabela.

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

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