
Ignacio de Arruabarrena foi entrevistado pelo diário desportivo OJogo, uma entrevista, à imagem das que já aqui referenciamos para com outros intervenientes, onde foi feito um balanço da temporada e as perspetivas para a próxima.
Primeiramente, foi abordado o regresso do guardião uruguaio ao clube, ele que se destacou nas temporadas 22/23 e 23/24 ao serviço dos arouquenses e regressou em janeiro, tendo sido titularíssimo (à exceção de uma ida a Braga, onde cumpriu castigo) e já renovou contrato até 2028. «Deu-se o regresso da melhor forma, sabendo que voltava a um lugar especial, onde havia encontrado o melhor nível. Sinto um orgulho por pertencer a este clube, a esta equipa, marcando o meu lugar em anos que têm sido especiais para estabilizar o clube na Liga», apontou.
Sobre a época e o 8º lugar na tabela, destacou, claro está, a 2ª volta «incrível», referindo que «os nossos 28 pontos, se contasse só uma volta, podiam dar para os lugares europeus. Só posso estar radiante». «Esta época diz-nos que podemos lutar de forma normal pela primeira metade da tabela. Sinto que aqui todos fazem as coisas bem para se crescer pouco a pouco», referiu ainda.
Esta resposta serviu também de mote para as perspetivas da próxima época, com Arruabarrena a mostrar-se naturalmente ambicioso. «Percebemos também que temos boa base para o próximo ano, podemos fazer algo melhor e lutar até pelas competições europeias. É um objetivo ambicioso, mas creio que somos capazes», disparou.
A par com Javi Sánchez e Bas Kuipers, o guarda redes juntou-se a uma linha defensiva que havia sofrido muitos golos na 1ª volta e inverteu esse ciclo na 2ª. Mas o guardião não “assumiu totalmente os louros”, digamos assim: «Talvez se tenha notado com a nossa chegada mais pontos e mais tranquilidade. Mas quem já estava cá, estava a jogar bem, faltava a sorte dos resultados. É certo que estivemos os três em bom nível, mas não fomos nós os maiores destaques da equipa. A base sólida e a tranquilidade em cima de melhores resultados, catapultou alguns jogadores; soltaram-se mais e subiram o nível».
Deixou elogios rasgadas à equipa técnica, liderada por Vasco Seabra, com a qual não havia ainda trabalhado. «Encontrei uma equipa técnica de excelentes profissionais. Sem dúvida que nos faziam chegar muito preparados aos jogos, sabíamos tudo o que íamos encontrar. Temos uma grande capacidade em encontrar saída na primeira fase de construção, mas também destaco a pressão exercida. A equipa encontrou muita solidez na forma de pressionar (…) O Arouca não jogava apenas bem, sabia muito bem o que fazer com bola, e era sólido sem ela. A intensidade da nossa marcação foi importante. Falei com os companheiros e todos sentiram que estávamos a fazer um grande trabalho e todos cresceram no nível de intensidade. Corríamos todos», denotou.
Arruabarrena falou também da sua saída dos arouquenses (ao terminar contrato), tendo abraçado um projeto na Arábia Saudita, no Al-Wehda, mas só figurou em 2 encontros. «Quando saí para a Arábia, não era essa a ideia inicial, mas, sinceramente, não chegou o que queria e foi a opção que se me deparou. Acabei por refletir, ver com outros olhos a possibilidade. Não me arrependo da decisão, mas não foi nada do que esperava, falando de aspetos profissionais e de organização interna», argumentou.
Dado que a experiência nas Arábias não correu como desejado, quis voltar para os campeonatos europeus e lutar por ser chamado para representar a sua seleção: «Queria mostrar novamente o meu nível e continuar a crescer. O Arouca deu-me o que queria e, após poucos jogos, já tinha a ideia de renovar, porque queria umas férias tranquilas (…) Portugal é um campeonato que te faz subir o nível, sentes que estás numa liga competitiva e, quando vim a primeira vez, era pelo sonho, também, de jogar pelo Uruguai. Vim para lutar por isso e ainda luto, porque é um desejo que aumenta a pressão. Mas não o vejo próximo, embora siga aí como um sonho».
Simão Duarte
Foto: Pedro Fontes – FCA

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