Memória de Carlos Paredes evocada no epicentro memorial da história de Arouca

A poucos dias da quadra natalícia, os arouquenses obtiveram uma prenda antecipada com o concerto de homenagem a Carlos Paredes, no Cadeiral do Mosteiro de Arouca. A atuação do trio de guitarras “Alvorada” foi organizada pelo Município de Arouca, em parceria com o MS Collection – Mosteiro de Arouca, contando com o apoio de diversas entidades.

As luzes baixas e o silêncio do público aguardavam pela entrada do trio referido, composto por António José Moreira (Guitarra de Coimbra), Ricardo Dias (Guitarra de Coimbra) e Pedro Lopes (Viola), que, a três, têm homenageado um só homem: Carlos Paredes, ícone da música portuguesa, que seguiu as pisadas do seu pai, Artur Paredes, com quem começou a tocar desde novo. Com a guitarra de Coimbra (cidade histórica onde nasceu) nas mãos, expressava-se e encantava o público, mantendo-se na memória coletiva como um dos, senão mesmo o mais completo compositor/instrumentista da guitarra portuguesa. Entre canções e as partes da estrutura do concerto, foi sendo lembrado também em palavras, por Pedro Lopes.

A história de um ícone no centro da história de uma terra

Não existiria melhor local para este concerto que não o Cadeiral do Mosteiro de Arouca. A memória da história de um ícone no centro da história de Arouca. “Há 100 anos nasceu, em Coimbra, um dos maiores génios da música portuguesa, Carlos Paredes. Da sua mãe herdou uma forma gentil de ser, que não perdeu mesmo após ter estado tantos meses preso. De seu pai herdou este instrumento, a guitarra portuguesa de Coimbra, que, nas mãos do seu pai, já era tocada de uma forma cheia de vigor, garra, intenção, emoção. Mas Carlos Paredes pegou nela e quis levá-la mais longe e o mais profundo possível. Na sua vida, tentou rebentar com todas as fronteiras, que eram muitas, para transformar este instrumento verdadeiramente universal. Podemos dizer, com bastante emoção e segurança, que o conseguiu. Obrigado Carlos Paredes”, proferiu Pedro Lopes na sua primeira intervenção.

O concerto percorreu temas representativos das memórias da sua infância, das homenagens ao pai e ao avô e terminou com um encore onde o tema “Verdes Anos”, o seu grande êxito, não podia falhar. Um espetáculo emocionante para todos os apreciadores da música portuguesa e, se me permitem o aparte, particularmente emocionante para mim, que pude assistir, em casa, na minha terra, um concerto de um génio musical natural de Coimbra, cidade onde tirei a minha licenciatura na universidade durante três anos encantadores, junto aos Arcos do Jardim, o sétimo tema da atuação.

Alinhamento do concerto

Coimbra e o Princípio – José Elyseu, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Luís Goes: Balada de Coimbra; Serenata; Danças Portuguesas e Balada do Mar

As memórias dos lugares e da família – onde nasceu, brincou e as mulheres da família: Escadas do Quebra Costas; Arco de Almedina; Arcos do Jardim; Canção para Titi; Memórias; Uma Canção para minha Mãe

As homenagens ao Pai e ao Avô – Goa como a Coimbra do Oriente, também ela um regresso: Mar Goês; Valsa Triste; Variações em Si Menor; Variações em Ré Menor No1

Encore: Verdes Anos; Variações em Sol Menor

Simão Duarte

Foto: Simão Duarte

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Simão Duarte
Discurso Direto
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