
O Largo da Feira de Cabeçais, na freguesia de Fermêdo, recebeu no sábado, 7 de dezembro, a segunda apresentação do espetáculo comunitário “Outono Poente: Colher, Desfolhar, Celebrar”, integrado no projeto municipal “Dar + Vida à Aldeia”. A sessão, realizada ao ar livre num palco e zona envolvente abrigada, animou a população que compareceu em bom número, trazendo as memórias, tradições e vivências dos arouquenses.
Antes do início da apresentação, Luís, membro do Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto (NEFUP), o coletivo responsável pela coordenação, e Cláudia Oliveira, vice-presidente da Câmara Municipal de Arouca, contextualizaram o projeto e o processo criativo do mesmo.
Luís recordou que este é o segundo momento de apresentação desta criação comunitária, construída ao longo de um ano e meio com base na recolha das histórias das habitantes das freguesias de Chave, Mansores, Escariz, São Miguel do Mato e Fermêdo, e “em que se procurou essencialmente partir das histórias das pessoas e fazer uma performance teatral em cima de um palco”, explicou.
Posteriormente, Cláudia Oliveira destacou que o projeto “Dar + Vida à Aldeia” pretende dar palco à comunidade, envolvendo os habitantes e as juntas de freguesia na criação de um produto artístico. “Aquilo que vão ver em cima de palco é uma peça de teatro que foi produzida, encenada e vai ser representada pelas nossas pessoas. Estas pessoas deram muito do tempo delas e vão dar tudo o que têm em palco para representarem bem aquilo que são as nossas tradições, o que são as vivências que elas se lembram, também fazendo com que nós possamos passar às gerações mais novas aquilo que são as nossas tradições e fazem parte da cultura de Arouca”, afirmou.
O espetáculo: o milho e a castanha, as desfolhadas e os magustos
Apesar da chuva, nem o público nem os participantes desanimaram. A apresentação em Cabeçais desenvolveu-se em dois momentos: o primeiro, dedicado ao São Martinho e à castanha, construído com a participação das freguesias de Chave e Mansores; e o segundo, centrado no milho e nas desfolhadas, protagonizado pelos grupos de Escariz e Fermêdo. O grupo de São Miguel do Mato não esteve presente nesta sessão por ter um espetáculo noutro local. Durante a desfolhada, o sol até deu um ar da sua graça e a chuva não mais perturbou.
Um dos momentos de destaque prende-se com o trabalho desenvolvido por um elemento do grupo de Chave, que se manteve em palco durante todo o espetáculo a pintar, em tempo real, o que ia acontecendo. No final, os dois quadros elaborados foram revelados e mostrados ao público.

O projeto “Dar + Vida à Aldeia”
“Outono Poente: Colher, Desfolhar, Celebrar” é o último dos três espetáculos comunitários construídos no âmbito do projeto “Dar + Vida à Aldeia”, que tem como objetivo democratizar o acesso à cultura, promover uma programação itinerante e envolver os arouquenses na criação artística.
A peça está a percorrer as cinco freguesias participantes, com cinco sessões programadas, sendo a entrada livre:
A iniciativa “Dar + Vida à Aldeia” integra-se na oportunidade de financiamento “Planos de Ação das Operações Integradas em Comunidades Desfavorecidas da Área Metropolitana do Porto”, na operação “Arte e Cultura na Eira”, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O investimento municipal no programa “Dar + Vida à Aldeia” foi de 43 200 euros, e o trabalho artístico e etnográfico ficou a cargo do NEFUP, que recolheu testemunhos e memórias nas comunidades para construir a encenação dos espetáculos.
Antes deste ciclo, tinham já sido apresentados os espetáculos “Pela Freita, Arada e Montemuro – Vidas que brotam das montanhas” (verão de 2024), que envolveu as freguesias de Alvarenga, Cabreiros e Albergaria da Serra, Canelas e Espiunca, Covêlo de Paivó e Janarde e Moldes, e “Pelas margens do Arda – Estórias e Memórias” (fevereiro/março de 2025), que contou com as freguesias de Arouca e Burgo, Santa Eulália, Urrô, Tropêço, Várzea e Rossas.
A iniciativa integra-se na operação “Arte e Cultura na Eira”, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito dos “Planos de Ação das Operações Integradas em Comunidades Desfavorecidas da Área Metropolitana do Porto”. Para além do teatro, o projeto inclui ainda um ciclo de cinema itinerante por todas as freguesias de Arouca.


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