“Carnaval Tradicional” da ADC Tropeço: testemunho vivo de um trabalho comunitário, em defesa da cultura e da tradição

Com uma tradição carnavalesca enraizada, desde aproximadamente 2013, a ADC Tropeço abriu as suas portas e mostrou ao DD de que forma monta o seu Corso, com o qual desfila pelas ruas da vila na terça feira de Carnaval. Além das características do making of, o dirigente da coletividade, Valter Cruz, contextualizou, entre outros assuntos, um pouco da história de Carnaval da ADC, o processo de escolha anual do tema, e a importância que atribuem à preservação das tradições.

 

Com o seu mandato sensivelmente a meio Valter Cruz, Presidente da coletividade, referiu que esta é uma tradição que acompanha de perto desde 2016, mas que já anteriormente era levada a cabo, e está “enraizada desde 2013”.

Antes da participação no desfile, promovido pelo Município, na terça feira de Carnaval, faziam um desfile (não regular) pela freguesia, “no domingo antes do Carnaval”. Desde modo, a partir do momento em que começaram a participar no desfile de “terça”, que têm optado por participar apenas no “desfile”, uma vez que gostam bastante da experiência por ser “mais uma forma de união da comunidade, em torno de um objetivo comum”.

 

“O trabalho de montagem é complexo por não termos nem sede nem um espaço para preparar melhor”

 

O trabalho de montagem do corso da associação é “feito em várias casas” de particulares de freguesia, que “sendo membros ou não da associação” estão “sempre disponíveis” para ajudar, sem “esquecer” o apoio que recebem do Grupo “Amigos de Tropeço”. Este é um processo que o dirigente acredita ser “complexo”, por não terem nem sede, nem um “espaço” para “preparar melhor”, no entanto acredita que “no final o que conta é participar e retirar as coisas boas que o trabalho em comunidade acrescenta”.

Simultaneamente, e sempre que “possível” tentam ser fiéis ao “Carnaval Tradicional” que é uma das “bandeiras” da associação, e que na perspetiva de VC, deveria ser dos “principais pontos” de valorização por parte da organização. Não “abdicam”, por isso, de tentar recriar as tradições e os costumes de “forma fiel”, relacionando o “espírito carnavalesco” com “algo mais animado ou de sátira”, para “os participantes mais novos”. Isto, sem nunca desvirtuar o que são “as tradições carnavalescas” de Tropeço, uma vez que ao longo dos anos já recriaram e caricaturaram a relação entre “a religião e o povo, as tradições do fumeiro, as Monjas do Convento, alguma sátira política, a relação entre os “caseiros” e os senhores mais abastados, o ciclo do milho, etc.”.

Considerando o baixo orçamento que têm, e não escondendo que “a verba de participação é uma ajuda importante”, os materiais que usam são “maioritariamente bens pessoais ou reciclados” de eventos e edições anteriores.

“Transformamos alguns adereços anteriores e, se necessário, compramos o essencial. A preocupação é ao mesmo tempo monetária e tem reflexos positivos em termos de pegada ecológica”, esclareceu o presidente. Reforçou igualmente que a ADC Tropeço tem o “cuidado” em “por exemplo” utilizar papel, madeira e pouco em nenhum plástico”, pois no ano de 2023 todos os seus cartazes eram em papel.

 

“no final o que conta é participar e retirar as coisas boas que o trabalho em comunidade acrescenta”

 

O trabalho inicia-se duas ou três semanas antes do desfile, que é o tempo mínimo que precisam para “afinar ideias, definir prioridades”, e tratar da questão logística de estabelecer “onde ficam as coisas”, e distribuir tarefas. Os três dias “anteriores” são sempre um “pandemónio”, no entanto, como informou VC, “todos ajudam”, tanto as pessoas que “estão 100% disponíveis para contribuir na preparação”, como outras que apenas estão com eles “no desfile”.

“É um verdadeiro trabalho de união da comunidade em torno de um objetivo comum”, ressalva.

Relativamente ao tema, a decisão é “fácil”, pois não “abdicam de representar” as suas “origens e tradições”. O tema deste ano, escolhido pela ADC Tropeço, será sobre o “misticismo e algumas lendas”, com “alguma sátira à mistura”, e é desta forma e “com alguma sátira” que tentam atrair pessoas dos “5 aos 90 anos”.

No fundo, para o jovem dirigente, a importância deste tipo de eventos não está propriamente ligada ao Carnaval em si, mas sim na importância da “união da comunidade” em conseguir levar a “bom porto” um “objetivo comum”. Além disso, prende-se também no “orgulho” em serem “fiéis às tradições, e com isso representar as mesmas, para os outros também as vivam e recordarem”. VC acrescentou que importa “a todo o custo manter vivas” as memórias que vão acabar por desparecer caso não “hajam registos”, pois perdem-se com as pessoas que vão “partindo”.

 

“Cabe à minha geração passar esse testemunho ímpar e de uma incalculável riqueza à geração mais nova”

 

Ao DD o arouquense garantiu ainda que enquanto “esta equipa” estiver na associação de Tropeço, “o reviver das memórias e das tradições” será “sempre” o ator principal desta “representação carnavalesca”.

Com algum saudosismo referiu também que “algumas histórias do que são hoje”, partiram junto de “algumas pessoas”, e já não se conseguem “recuperar”. “Cabe à minha geração (geração de 80), receber isso da forma mais fiel possível, dos mais velhos, e passar esse testemunho ímpar, e de uma riqueza cultural incalculável à geração mais nova”, clarificou. Identicamente alertou para o facto de se “continuar” como até agora, “com cada vez menos jovens” a participarem de forma “ativa” no “espólio tradicional e cultural”, correm, a seu ver, “sérios riscos” de as crianças de hoje não saberem como “viveram os seus avós”.

 

Próximas atividades

A próxima atividade da ADC Tropeço será no âmbito desportivo e do lazer já em março, altura em que a coletividade pretende ter o campo da bola “com o mínimo” de condições para poder ser utilizado. Paralelamente, iniciarão o trabalho para aquele é o seu maior evento As Marchas de S. João.

Ana Castro

Fotos: ADC Tropeço

 

 

 

sobre o autor
Ana Isabel Castro
Discurso Direto
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