Osmoplas | “Queremos cimentar e apoiar o conhecimento nesta atividade avançado a nível tecnológico”

O Empresas e Empresários deste mês dá-lhe a conhecer a Osmoplas, empresa com mais de 20 anos de experiência, criada a 20 de agosto de 2001, pelos atuais sócios gerentes, David Ribeiro e Jorge Ribeiro. A indústria denominava-se inicialmente “David e Jorge Lda.”, e encontrava-se, na altura, sediada em Vilarinho, Cesar, Oliveira de Azeméis, sendo detentora do registo de marca nacional Osmoplas. Em 2013, adquiriu novas instalações na zona industrial do Rossio (Vale de Cambra), e alterou a sua designação social para “Osmoplas- Indústria de Moldes Lda.”. Realiza o fabrico integral de moldes de injeção, compressão e sopro para a indústria dos plásticos, e atualmente trabalha para várias indústrias entre elas o ramo automóvel, cosmético, alimentar, eletrónico, entre outros.

 

“Nós mantemos uma relação de continuidade com todos os clientes”

Estarem inseridos na área dos moldes é uma consequência do seu “início de atividade”, mais propriamente de Jorge Ribeiro, que trabalhou “em empresas de moldes”, sendo que David Ribeiro ganhou experiência numa outra empresa, (na área dos plásticos), e, nesse seguimento, ambos decidiram estabelecer-se em conjunto nesta área.

A vasta e duradoura experiência, desta PME, no mercado tem resultado na ampliação da sua capacidade produtiva, de modo a garantir a qualidade e os prazos acordados com os seus clientes. As suas soluções, têm possibilitado a produção de produtos de qualidade superior, beneficiando de um acompanhamento atento e personalizado, de acordo com as suas necessidades. “Nós mantemos uma relação de continuidade com todos os clientes, de modo que existem alguns que acabam por conhecer-nos melhor e procurar a nossa empresa”, referiu Jorge Ribeiro, salientando que também não precisam de fazer prospeção de mercado, uma vez que os clientes já procuram a empresa e a atividade que desenvolve.

A fábrica de moldes emprega, de momento, 9 colaboradores.

Os sócios concordaram igualmente que, apesar do Covid 19 ter provocado uma diminuição na faturação, essa situação melhorou nos tempos seguintes, e que é atualmente que sentem uma nova retração. Ambos acreditam igualmente que a indústria automotora está a “fazer uma deslocação/desvio para o continente asiático”, zona do mundo que está a ganhar terreno sobre esta área industrial, devido à “eletrificação dos carros”.

 

“A falta de mão de obra tem criado dificuldades nesta indústria”

A mão de obra é um fator que está a criar dificuldades nesta indústria, porque esta é uma área com uma “especificidade bastante grande”, e que exige um conhecimento técnico humano onde é preciso “ter as pessoas durante um ciclo muito grande, desde o aprendizado até serem profissionais”, e essa situação, hoje, começa a ser cada vez mais difícil. Na perspetiva de David Ribeiro, no sistema de ensino atual, foi-se “desprezando” a área tecnológica/industrial em detrimento de “outras vertentes”, não existindo já “motivação para a indústria”.

O sócio gerente acredita que os moldes exigem uma “dedicação grande das pessoas”, e que a aprendizagem só fica completa com mais de 5 anos de experiência, e que, normalmente, durante esse ciclo de 5 anos costuma ser difícil reter as pessoas nas empresas.

Apesar disso, ficamos também a saber que a Osmoplas já tem no seu quadro de pessoal alguns funcionários há um tempo considerável, todavia “outros não conseguiram adaptar-se à arte”. “Se eles vão ter os apoios de outra forma não vão querer trabalhar ou querer aprender”, denotou Jorge Ribeiro.

Este problema da mão de obra não é apenas um obstáculo para a indústria dos moldes, segundo os entrevistados, mas sim algo “transversal a toda a economia”.  O essencial, é que “as pessoas se “aproximem do trabalho de forma completa”, têm de “meter as mãos na massa, não só na teoria”, esclareceram.  A somar a esta dificuldade explicaram que as “empresas se debatem” muito hoje com a tributação a que estão sujeitas, sendo os “impostos muito altos”. Esta situação acaba por gerar uma “dificuldade” para os empresários, acabando Portugal por ser “um país de serviços” e “pouco exportador”, garantiram.

 

“O estado está muito presente na vida das empresas, o mercado é que devia regular a atividade das empresas”

O maior mercado onde a Osmoplas atua é o nacional, apesar de também trabalhar com empresas espanholas.

Na perspetiva de David e Jorge Ribeiro, o essencial para resolver os principais problemas das pequenas e médias empresas era que o estado deixasse de regular a atividade das mesmas, de modo a não “ter demasiadas regras relativamente” a como elas devem “funcionar”.

Revelaram ainda que neste setor é natural que máquinas, matérias-primas e outros equipamentos tenham de ser adquiridas no exterior, além de terem sempre a preocupação, tal como referido, de irem progredindo tecnologicamente. Além disto, e apesar de terem “capacidade física” para ainda expandirem mais, referiram que o mercado atualmente “está muito instável”, o que resulta em e “falta de controlo”, provocado pelos últimos conflitos bélicos que têm surgido. “Os investidores estão com muita insegurança, e não falamos apenas do mercado automóvel”, denotaram os proprietários. Também as matérias-primas têm vindo “sempre a subir”, “não há nada que esteja a baixar”. “Há sempre os fatores da cadeia que vão sempre aumentando, a questão da logística, transporte, e todo esse envolvimento, e mesmo que na produção possa haver uma espécie de estabilização”, acaba sempre tudo por voltar a “afetar o preço”.

Os administradores da Osmoplas tencionam, como objetivos para o futuro, “cimentar e apoiar o conhecimento nesta atividade”, e tentar ir sempre “avançando a nível tecnológico”, uma vez que nos últimos tempos têm feito investimentos significativos com os capitais próprios da empresa.

Fotos: DR_Osmoplas

 

 

 

 

sobre o autor
Ana Isabel Castro
Discurso Direto
Partilhe este artigo
Veja também