Não falem por nós: ouçam-nos

A atual conjuntura política, social e económica, pelas suas particularidades, aumenta os níveis de reflexão e, nesse sentido, deve consequentemente contribuir para o aumento dos níveis de ação. 

Em dezembro, jovens socialistas do distrito de Aveiro reuniram-se em congresso, num momento que culminou com a eleição de um novo Presidente da Federação Distrital da JS, após um processo eleitoral disputado e renhido. As duas Moções Globais de Estratégia apresentadas são exemplo da vivacidade da estrutura, por um lado, e da vontade da juventude de ter um papel ativo no quadro das decisões políticas, por outro lado. 

Do processo eleitoral, resultou a vitória da lista liderada por João Costa, de Oliveira de Azeméis, marcando-se, assim, também, o regresso de Arouca aos órgãos distritais da Juventude Socialista. Este mandato enfrentará três importantes desafios eleitorais. Para os enfrentar, há cinco áreas de atuação que deverão orientar o rumo da estrutura nos próximos dois anos: economia; habitação; ambiente e mobilidade; educação e ensino superior; e cultura, juventude, desporto e inclusão. 

Para assegurar políticas públicas em linha com os anseios e necessidades da juventude, é fulcral, como frisou o João Costa, que haja uma maior representação de jovens nas listas candidatas, não apenas às eleições autárquicas, como também às legislativas e às europeias. Essa será, também, uma forma de aproximar a juventude da política e das instituições democráticas. 

A atual sociedade – que rapidamente torna pública uma opinião, a partir da rapidez e acessibilidade do digital – não aceita ser representada de qualquer forma, não aceita que lhe seja dada voz de qualquer modo. Cada pessoa tem uma voz própria e é, por isso, fundamental, que as estruturas partidárias saibam acolher diferentes vozes, sem prejuízo de se trabalhar numa voz conjunta, que emerja de cada voz individual. 

A Juventude Socialista é a plataforma de juventude de melhor serve essa necessidade contemporânea, pois é um espaço onde a individualidade de cada jovem é respeitada e a pluralidade é bem-vinda; e onde há um espírito coletivo para a resolução dos desafios, numa lógica em que se negociam consensos e se discutem, em conjunto, as possibilidades que melhor sirvam o bem comum. 

Não é possível observar e pensar a sociedade excluindo estas duas camadas, a individual e a coletiva. Cada pessoa, por mais disposições pessoais que tenha, é também um ser humano, social e cultural plural. 

Em 2024, celebram-se os 50 anos do 25 de abril de 1974 e, como alguém já disse, mais importante do que festejar a data será defendê-la. 

Não, o 25 de abril não se fez para a libertinagem de emitir quaisquer posições sem olhar aos seus impactos nas outras pessoas. Não, o 25 de abril não se fez para se ter uma liberdade de expressão que restringe e violenta as outras pessoas. Não, o 25 de abril não se fez para se desmantelar um serviço de saúde público e gratuito. Não, o 25 de abril não se fez para que a escola e a universidade só sejam frequentadas por quem tiver poder económico-social. Não, o 25 de abril não se fez para que o conhecimento se mantenha no seio dos grupos mais poderosos. Não, o 25 de abril não se fez para que se continue a falar de artes legítimas e a democratização da cultura ocorra negligenciando a democracia cultural. 

E, por isso, não nos peçam, a nós, jovens, que atentemos contra o Estado Social. Mas, também não nos peçam que ignoremos os problemas que afetam, sobretudo, a juventude e que resultam de políticas (ou da falta delas) que nem sempre estão em linha com uma estratégia de Estado Social. Políticas, ou falta de políticas, que passam pelas mais diversas áreas, da cultura à saúde mental, da habitação à legislação laboral, do ambiente à deficiente rede de transportes públicos que ainda se verifica em tantas zonas do país. 

Então, que não se diga que se vai dar voz à juventude, falando por ela: a juventude tem voz própria e nenhum bom quadro político terá medo de permitir que essa voz se faça ouvir sem intermediários. 

sobre o autor
Cátia Cardoso
Discurso Direto
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