Um (possível) virar de página

Por: Simão Duarte

Numa altura em que muito se tem escrito e falado sobre a birra entre jornalistas e o treinador do Benfica, Roger Schmidt, quero deixar aqui um comentário muito simples acerca disso: ambas as partes desta confusão estão erradas. Voltemo-nos para o futebol, o que acontece dentro das quatro linhas, que esse sim é que interessa.

O Arouca aproveitou a pausa de duas semanas para despedir Daniel Ramos e trazer Daniel Sousa, que teve uma passagem curta, mas interessante, pelo Gil Vicente. E por muito que o novo técnico venha a negar nas conferências que haja na equipa o seu cunho, a verdade é que algo mudou. Nos seus dois jogos no comando, ambos contra o Boavista, viu-se um Arouca bem diferente. Os jogadores estavam mais esforçados, mais aguerridos, mais rápidos, mais tudo. No jogo para a Taça, ainda se viram aqui e ali restos do Arouca de Daniel Ramos. Mas especialmente no jogo para a Liga, nada se viu disso. O Boavista foi uma sombra muito distante daquilo que fizeram no início do campeonato, o que é pena, visto que tinham uma equipa e forma de jogar interessantes. Contudo, no último jogo foram uma sombra de si e não conseguiram reagir, por culpa própria, mas acima de tudo porque o Arouca simplesmente não os deixou reagir. Que bom foi ver Cristo e Mujica de regresso aos golos, que há tanto lhes escapavam e que os frustravam tanto. Que bom foi ver Jason estrear-se a marcar para a Liga, que já o merecia há bastante tempo pelo seu esforço e pela técnica e classe que impõe dentro de campo. Mas acima de qualquer individualismo, quem esteve na perfeição foi o coletivo, que mesmo reduzido a 10 durante a segunda parte, continuou a dominar o jogo como se não estivessem a sofrer de várias condicionantes (expulsão, condições climatéricas, relvado, entre outras).

Este Arouca, a continuar assim, dá gosto ver. Contudo, é verdade que um jogo bom qualquer equipa faz. O importante é fazer vários jogos bons seguidos. E apesar de ser uma tarefa complexa, a verdade é que tanto a equipa técnica como o plantel do Arouca têm as condições necessárias para tal. O apoio nas bancadas têm-se sentido, a equipa tem correspondido, por isso, parece-me que está perto um (possível) virar de página e que os resultados positivos continuarão a aparecer.

E como esta é a última vez que vos escrevo antes do fim do ano, quero desejar-vos a todos vós um feliz Natal e um belo Ano Novo. Que cheguemos a Janeiro com vitórias do Arouca nos próximos jogos contra o Rio Ave, o Gil e o Estrela.

 

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Simão Duarte
Discurso Direto
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