(Des)programar o futuro

Por: Fátima Pinho

No momento em que escrevo o presente artigo, perfaz uma semana das eleições locais/municipais de Espanha. Dessas eleições resultou uma absoluta derrota para o Partido Socialista Espanhol (PSOE), fenómeno que conduziu Pedro Sánchez (primeiro-ministro espanhol) a optar pela antecipação das eleições gerais para 23 de julho, as quais se encontravam inicialmente previstas para dezembro deste ano.

Os Espanhóis confiaram no Partido Popular (principal partido de direita em Espanha), tendo sido este o claro vencedor do ato eleitoral.

Não há margem para dúvidas ou inquietações, este é um claro sinal do descontentamento dos Espanhóis acerca do atual Governo Espanhol, mas, e sobretudo, para com as políticas de esquerda por este adotadas e que em nada têm resolvido os reais problemas das pessoas – antes pelo seu contrário.

Ora, descrevo e retrato o cartão amarelo atribuído pelos Espanhóis a Pedro Sánchez e ao seu Governo. Contudo, poderia estar a relatar a mesma situação sobre um país que não é Espanha, mas que desta é vizinho: Portugal.

O Governo de António Costa, mesmo com maioria absoluta e com pouco mais de um ano, encontra-se “nas ruas da amargura”.

Entre casos e “casinhos”, sem qualquer culpado encontrado, e, muito menos, sem responsabilidades apuradas, Portugal e os Portugueses vão assistindo a tudo (mesmo tudo, como já se viu e se continua a ver), menos à resolução dos reais problemas que afetam a vida das pessoas: a inflação, as subidas dos juros do crédito à habitação, os cuidados de saúde e o estado do SNS, o ensino digno e de qualidade, os baixos salários, entre tantos outros.

Mesmo que António Costa, Fernando Medina e outros membros do Governo, aos dias de hoje, se envaideçam com os mais recentes números relativos aos índices económicos e que façam desses a resposta às questões que mais os incomodam, há um apontamento a fazer: todo o crescimento que se verifica, apenas e só se deve ao sacrifício feito sobre a qualidade de vida dos Portugueses. E não, não podemos continuar a encarar tal factualidade como normal, aceitável ou, muito menos, justificável.

Os meios não justificam os fins, e o crescimento económico que os membros do atual Governo Português se vangloriam em nada, mas mesmo nada, melhoram a vida das pessoas.

Falar de índices reveladores do estado do País é falar da realidade que afeta as pessoas e a sustentabilidade entre gerações. Ora falemos, a título de exemplo, dos indicadores de natalidade. A taxa bruta de natalidade aumentou de 7,6% em 2021 para 8,0% em 2022. Apesar do pequeno aumento, a verdade é que é a terceira taxa mais baixa dos últimos 20 anos, verificando-se que a tendência é a de diminuição ao longo dos anos. O sinal é claro e está dado: as famílias portuguesas, em concreto os jovens, desistiram de confiar no futuro do país, e por tal, alteram, adiam ou excluem a concretização do seu projeto de vida em Portugal. E isso é irreparável e é o que nos deve verdadeiramente preocupar.

Estamos a deixar-nos iludir por um conto de fadas, em que tudo está sempre a correr bem e perdemos a capacidade que Portugal sempre teve para resistir às mais diversas adversidades. Urge que recuperemos essa capacidade e, sobretudo, que saibamos atribuir um cartão vermelho a quem não resolve e só fantasia os reais problemas das pessoas.

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Fátima Pinho
Discurso Direto
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