A Felicidade e um par de ideias soltas  

Será a felicidade um caminho ou um destino? Haverá forma de sermos “felizes para sempre” como nas histórias de encantar? E a felicidade dos outros, será que é melhor ou maior do que a nossa?

Talvez cada um de nós tenha um conceito próprio de felicidade, muito assente naquilo que são as suas vivências, experiências e objetivos de vida, mas há algo que é comum, a ideia de que este é um estado emocional, um conjunto de sentimentos que condicionam a forma como nos vemos e relacionamos connosco e com os outros. Estar feliz ou ser feliz passa por uma sensação de bem-estar que nos deixa mais satisfeitos e que nos enche de alegria e positividade. A felicidade assenta num sentimento de bem-estar que pode estar orientado para os bens materiais ou para o bem-estar interior – sendo que precisamos de ambos para a alcançar. Ser feliz tem por base o que nos satisfaz agora, no momento presente, mas também aquilo em que estamos dispostos a investir para o futuro.

Mas será este estado um mito ou uma realidade? Será algo passageiro ou uma condição de vida? Filósofos e outros estudiosos fazem, há vários séculos, inúmeras considerações e referências sobre o conceito de felicidade, apontando como fatores para se ser feliz a sorte, a nossa satisfação e o prazer, a virtuosidade ou a autossuficiência. A liberdade e a saúde ou uma boa situação socioeconómica são também vistas como causas conducentes à felicidade.

Conquistar a felicidade acaba por ser, muitas vezes, um objetivo de vida que nos faz entrar numa verdadeira cruzada, numa busca incessante por alimentar relacionamentos e ter experiências de vida que nos permitam alcançar essa tão desejada felicidade. Fugimos da dor e da solidão e procuramos a satisfação e o prazer instantâneos como os aspetos mais relevantes para a atingirmos. À luz das redes sociais, todos parecemos perfeitos, equilibrados e muito felizes, partilhando vidas exemplares com truques e dicas que nos tornam verdadeiros gurus da felicidade. Fazemos crer que a receita para alcançar a felicidade é algo simples e eficaz, que só depende de nós e da nossa vontade, como se essa fosse uma escolha direta e houvesse quem quisesse ser ou viver infeliz. Temos dificuldade em lidar com a felicidade dos outros, incluindo de familiares e amigos próximos, e invejamos a felicidade alheia porque queremos ser nós os mais felizes desta história. Como se isso não bastasse, não raras vezes, ainda procuramos formas engenhosas de prejudicar quem está à nossa volta com a ideia estapafúrdia de que não pode haver ninguém que nos “faça sombra”, como se vivêssemos num espetáculo de um ator único.

Acredito que a felicidade passa por eliminar algum egocentrismo e ser-se mais generoso, vivendo uma vida mais plena: plena de pessoas com as quais possamos criar e manter boas relações – saudáveis e satisfatórias, entenda-se; mas também plena de experiências de vida positivas, onde possamos ser livres e realizados pessoal e profissionalmente. Nem sempre seremos bem-sucedidos, isso é certo. Irão surgir muitas dificuldades que nos farão mais felizes nuns dias do que noutros, mas se investirmos em boas relações e se nos rodearmos das pessoas de quem gostamos, estaremos a construir um bom caminho para a alcançarmos. Certo é, como dizia, que esta felicidade não é constante, ela aumenta e diminui não só pelas nossas escolhas, mas também por influência de quem nos rodeia e do nosso contexto de vida. A felicidade pode ser maior ou menor, mas ter uma vida satisfatória depende, em muito, do tempo que investimos e da dedicação que temos por nós – o tal do amor-próprio e da autoestima, e pelas nossas relações.

Posto isto, poderemos olhar e definir a felicidade como algo de positivo, bom, individual e muito pessoal, relativamente durável e intransferível que nos ajuda a saber viver e a desfrutar do momento presente, sem esquecer os desafios futuros e o que nos faz sentido a longo prazo. Se a vida é feita de momentos e de uma busca pelo autoconhecimento, então a felicidade está em saber aproveitar as coisas simples da vida e em praticar ações virtuosas, repletas de sentido e de valores. Se cuidarmos de nós e dos outros – começando pela nossa saúde ou pela nossa alimentação, se investirmos nas relações certas e soubermos partilhar bons sentimentos com os outros, seremos, com toda a certeza, mais felizes.

sobre o autor
Cátia Camisão
Discurso Direto
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