Rainha Santa e Sr.ª da Laje

Com grandes trabalhos à porta, os campos para semear, o mês de maio em Arouca começava com a ida à festa da Padroeira, Rainha Santa Mafalda, para o outro dia subir à serra num alegre convívio, depois de trilhar íngremes caminhos.

O dia 2 de maio é a data mais importante no calendário gregoriano do concelho de Arouca. A imagem de carnação da Rainha Santa Mafalda, cujo corpo incorrupto está conservado em túmulo de ébano e prata e exposto na igreja do Mosteiro de Arouca e que figura ainda hoje nas armas deste município.

A este propósito, escreveu o Nobel da Literatura, José Saramago: «o corpo é pequenino, parece de criança, e a cera que cobre o rosto e as mãos encobre a verdade da morte. Desta Santa Mafalda se podia dizer que é com certeza muito mais bela agora com o seu rostinho precioso do que foi em vida, lá nesse bárbaro século XIII».

Todos os anos, a festa da Rainha Santa Mafalda chama a Arouca milhares de forasteiros que assistem a uma grandiosa procissão. Esta sai da igreja do mosteiro e é acompanhada, também, pela Banda de Música de Arouca.

O programa religioso e cultural da festa de 2023 foi divulgado na integra no último número deste jornal.

Senhora da Laje

Na terça-feira, 3 de maio, é dia de festa na serra. A Festa das Cruzes, conhecida por Senhora da Laje, é das mais emblemáticas e apetecíveis do concelho não só pela religiosidade, mas também pelo cenário grandioso, que se estende dos pináculos da Freita até ao mar. Para além disso, o tradicional convívio de gentes vindas das mais diversas paragens, muitas léguas em redor, foi sempre motivo de grande atração e de inesquecíveis jornadas.

No passado, os romeiros percorriam a pé enormes distâncias de farnel às costas, logo às primeiras horas da manhã, para só regressarem quando o sol desaparecia ao longe sobre o espelho reluzente das águas do mar.

Também conhecida por «festa das cruzes», ali se juntam, em redor dos respetivos cruzeiros, as cruzes de várias freguesias. Local de culto e convívio, em plena serra, onde os horizontes se alargam até ao mar, as populações de Arouca também ali se dirigiam, em anos de seca, a pedir a chuva que faltava às culturas, que por vezes eram o único sustento das suas vidas.

O Programa:

11h – Procissão das cruzes, de seguida a eucarística acompanhada pela Banda Musical Junqueirense.

Durante tarde atuação da Banda Musical Junqueirense;

16:00h – Procissão dos Andores, em honra da Sr.ª da Lage, acompanhada pela Banda Musical.

Fotos: Carlos Pinho (Arquivo)

sobre o autor
Ana Isabel Castro
Discurso Direto
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